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FAMILIARIZANDO-SE COM O MEDO(Quando tudo se desfaz - Cap. I)

O medo é uma reação natural ao nos
aproximarmos da verdade.

Iniciar uma jornada espiritual, é como entrar em um barquinho muito pequeno, e sair pelo mar em busca de terras desconhecidas. Com a prática sincera vem a inspiração mas, cedo ou tarde, encontraremos também o medo. Receamos cair para fora do mundo, quando chegarmos ao horizonte. Como todos os exploradores, somos atraídos pela descoberta, mesmo sem saber se teremos coragem para enfrentar o que nos aguarda.
Quando nos interessamos pelo budismo e decidimos descobrir o que ele tem a nos oferecer, logo percebemos que existem diferentes pontos de vista em relação a como podemos prosseguir. Com a meditação panorâmica, começamos a praticar a atenção plena, estando totalmente presentes em todas as nossas atividades e pensamentos. Na prática Zen, recebemos ensinamentos sobre o vazio, e somos desafiados a nos conectar com a aberta e lilimitada clareza da mente. Os ensinamentos vajrayana nos apresentam o trabalho com a energia de todas as situações, encarando tudo o que surge, como inseparável do estado desperto. Qualquer uma dessas abordagens pode nos atrair e alimentar nosso entusiasmo, fazendo com que desejemos ir mais adiante. Entretanto, se estivermos dispostos a ir além da superfície e a praticar sem hesitação, inevitavelmente, em alguém momento, sentiremos medo.
O medo é uma experiência universal, vivida até mesmo pelo menor dos insetos. Quando passamos pelas poças, formadas pela maré, e estendemos a mão para os tenros corpos abertos das anêmonas marinhas, elas se fecham. Essa é uma reação espontânea, comum a todos. Não há nada de terrível em sentir medo, quando enfrentamos o desconhecido. Faz parte de estar vivo, e é algo que todos compartilhamos. Reagimos contra a possibilidade da solidão, da morte, de não termos nenhum apoio. O medo é uma reação natural ao nos aproximarmos da verdade.
Quando nos comprometemos a ficar exatamente onde estamos, nossa experiência torna-se muito vívida. Se não há nenhum lugar para onde fugir, tudo se torna muito claro.
Durante um longo retiro, tive o que me pareceu uma revelação impressionante: não podemos estar no presente e remoer nossa velha história ao mesmo tempo! Sei que isto parece bastante obvio, mas quando descobrimos algo assim pela nossa própria experiência, somos modificados. A impermanência torna-se muito vívida no momento presente. O mesmo acontece com a compaixão, o encantamento e a coragem. E também com o medo. Na verdade, qualquer um que se coloque à beira do desconhecido, inteiramente no presente, e sem ponto de referência, experimenta a sensação de não ter onde se apoiar. É aí que nossa compreensão se aprofunda, que descobrimos que o momento presente, é um lugar bastante vulnerável, e essa experiência pode ser completamente terna e desconcertante ao mesmo tempo.
Quando iniciamos nossa exploração, temos todo o tipo de ideal e expectativa. Procuramos respostas que satisfaçam anseios muito antigos, e a última coisa que queremos é um reencontro com o bicho-papão. Outras pessoas, é claro, tentam nos avisar. Lembro quando recebi, pela primeira vez, orientação sobre meditação. A pessoa que me instruía descreveu a técnica, explicou-me como deveria praticar e acrescentou:”Mas por favor, não saia daqui pensando que meditar seja o mesmo que tirar férias da insatisfação”. Por alguma razão, nenhuma dessas advertências nos convence. Na verdade elas nos atraem ainda mais.
Estamos falando de conhecer o medo, de nos familiarizarmos, de olhá-lo bem nos olhos – não como um método para resolver problemas, mas como uma total desconstrução de nossas antigas maneiras de ver, ouvir, pensar, sentir cheiros e sabores. A verdade é que, a partir do momento, em que realmente iniciamos esse processo, nós nos tornamos cada vez mais modestos. Não haverá muito espaço para a arrogância que pode resultar do apego a nossos ideais. A arrogância que inevitavelmente surge, será incessantemente aniquilada pela nossa própria coragem de dar mais um passo adiante. Essas descobertas são feitas por meio da prática e não tem nada a ver com qualquer tipo de crença. Estão muito mais relacionadas com a coragem de morrer, com a coragem de morrer continuamente.
Tanto as instruções sobre a atenção plena ou vazio, quando o trabalho com a energia apontam na mesma direção: quando estamos totalmente presentes, ficamos presos. Ficamos presos exatamente naquele mesmo tempo e lugar. Quando paramos ali e não tentamos dissimular, não reprimimos a situação, não colocamos a culpa em outras pessoas, ou em nós mesmos, nós nos deparamos com uma pergunta indefinida, que não tem uma resposta conceitual. Encontramos também nosso coração. Como observou enfaticamente um aluno: “Habilmente disfarçada sob a forma de medo, a natureza búdica , nos dá um pontapé, para nos tornarmos receptivos”.
Certa vez, assisti a uma palestra sobre as experiências espirituais de um homem, na Índia, na década de 60. Ele estava determinado a livrar-se de suas emoções negativas. Lutava contra a raiva e a luxuria, contra a preguiça e o orgulho. Entretanto, o que ele mais queria era livrar-se do medo. Seu professor de meditação sempre lhe dizia para parar de lutar. Ele entretanto, achava que esse conselho, era apenas mais uma forma de ensiná-lo a superar seus obstáculos.
Finalmente, o mestre pediu que ele fosse meditar em uma pequena cabana ao pé de uma colina. Ele fechou a porta e acomodou-se para a prática. Quando começou a escurecer, acendeu três pequenas velas. Por volta da meia noite, ouviu um barulho no canto da sala, e em meio à escuridão, viu uma enorme serpente, que olhava para ele como uma naja, balançando-se bem à sua frente. A noite toda ele permaneceu muito alerta, os olhos cravados nela. Sentia tanto medo que não podia se mover. Só havia ele, a cobra e o medo.
Pouco antes do amanhecer, a última vela se apagou, e ele começou a chorar. Chorou, não por desespero, mas por ternura. Sentiu o anseio de todos os animais e pessoas do mundo, reconheceu sua alienação e luta. Toda a sua meditação, não havia sido nada além de mais separação e esforço. Ele aceitou – aceitou de fato, irrestritamente – que sentia raiva e inveja, que resistia e lutava, e que estava com medo. Aceitou também o fato de ser algo precioso, além de qualquer limite – sábio e tolo, rico e pobre, totalmente insondável. Sentiu-se tão grato que, na completa escuridão, levantou-se, caminhou até a cobra e fez uma reverência. Então, deitado no chão, adormeceu profundamente. Quando acordou, a serpente havia desaparecido. Ele nunca soube se ela tinha sido fruto de sua imaginação ou se realmente havia estado ali, e isso parecia não importar. No final da palestra relatou que essa grande intimidade com o medo, fizera com que seus dramas desmoronassem e ele, finalmente, deixou-se tocar pelo mundo que o rodeava.

Ninguém nos aconselha a parar de fugir do medo. Raramente somos estimulados a chegar mais perto, a simplesmente estar ali, a nos familiarizarmos com ele. Uma vez, perguntei a Kobun Chino Roshi, mestre Zen, como era seu relacionamento com o medo e ele respondeu: “Eu concordo, eu concordo”. Entretanto, o conselho que geralmente recebemos nos diz para adoçá-lo, atenuá-lo, tomar um comprimido, ou procurar distração. Usar todos os meios para fazer com que ele se vá.
Não precisamos desse tipo de conselho, porque nos dissociarmos do medo já é o que naturalmente fazemos. Normalmente, entramos em pânico e perdemos o controle, mesmo diante da mais leve sugestão de medo. Sentimos que ele se aproxima e nos afastamos. É bom saber que agimos assim – não para nos punirmos, mas como uma forma de desenvolver compaixão incondicional. Não há nada mais doloroso, que a maneira pela qual enganamos a nós mesmos diante do momento presente.
Às vezes, entretanto, ficamos encurralados. Tudo se desintegra, e ficamos sem opções de fuga. Em momentos assim, as mais profundas verdades espirituais parecem muito diretas e simples. Não há esconderijo. Percebemos isso como qualquer outra pessoa o faz – melhor que qualquer outra pessoa. Mais cedo ou mais tarde, compreendemos que, embora não possamos fazer com que o medo seja agradável, é ele que acabará por nos colocar diante de todos os ensinamentos que algum dia lemos ou ouvimos.
Portanto, considere-se com sorte na próxima vez em que encontrar o medo, pois é nesse ponto que entra a coragem. Geralmente, pensamos que as pessoas corajosas não sentem medo, mas a verdade é que elas estão familiarizadas com ele. Quando éramos recém-casados, meu marido me disse que eu era uma das pessoas mais corajosas que ele já havia encontrado. Quando perguntei a razão disso, explicou que eu era totalmente covarde, mas mesmo assim, seguia em frente e fazia o que precisava ser feito.
O truque está em continuar explorando e não desistir, mesmo quando descobrimos que algo é diferente do que imaginávamos. Essa descoberta se repetirá inúmeras vezes, pois nada é como imaginamos. Posso fazer essa afirmação com muita segurança. O vazio não é o que pensávamos. Nem a atenção plena, o medo ou a compaixão.
AMOR, NATUREZA BÚDICA, CORAGEM. Essas palavras, são códigos, que representam o que não conseguimos compreender intelectualmente, mas que qualquer um de nós pode sentir. São palavras que nos indicam o que a vida realmente é, quando deixamos que as coisas se desintegrem e nos permitimos estar ligados ao momento presente......


Do livro “Quando tudo se desfaz”
Autora: Pema Chödrön
Ed. Gryphus

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Co-criando A NOVA TERRA

«Que os Santos Seres, cujos discípulos aspiramos ser, nos mostrem a luz que
buscamos e nos dêem a poderosa ajuda
de sua Compaixão e Sabedoria. Existe
um AMOR que transcende a toda compreensão e que mora nos corações
daqueles que vivem no Eterno. Há um
Poder que remove todas as coisas. É Ele que vive e se move em quem o Eu é Uno.
Que esse AMOR esteja conosco e que esse
PODER nos eleve até chegar onde o
Iniciador Único é invocado, até ver o Fulgor de Sua Estrela.
Que o AMOR e a bênção dos Santos Seres
se difunda nos mundos.
PAZ e AMOR a todos os Seres»

A lente que olha para um mundo material vê uma realidade, enquanto a lente que olha através do coração vê uma cena totalmente diferente, ainda que elas estejam olhando para o mesmo mundo. A lente que vocês escolherem determinará como experienciarão a sua realidade.

Oração ao Criador

“Amado Criador, eu invoco a sua sagrada e divina luz para fluir em meu ser e através de todo o meu ser agora. Permita-me aceitar uma vibração mais elevada de sua energia, do que eu experienciei anteriormente; envolva-me com as suas verdadeiras qualidades do amor incondicional, da aceitação e do equilíbrio. Permita-me amar a minha alma e a mim mesmo incondicionalmente, aceitando a verdade que existe em meu interior e ao meu redor. Auxilie-me a alcançar a minha iluminação espiritual a partir de um espaço de paz e de equilíbrio, em todos os momentos, promovendo a clareza em meu coração, mente e realidade.
Encoraje-me através da minha conexão profunda e segura e da energia de fluxo eterno do amor incondicional, do equilíbrio e da aceitação, a amar, aceitar e valorizar  todos os aspectos do Criador a minha volta, enquanto aceito a minha verdadeira jornada e missão na Terra.
Eu peço com intenções puras e verdadeiras que o amor incondicional, a aceitação e o equilíbrio do Criador, vibrem com poder na vibração da energia e na freqüência da Terra, de modo que estas qualidades sagradas possam se tornar as realidades de todos.
Eu peço que todas as energias e hábitos desnecessários, e falsas crenças em meu interior e ao meu redor, assim como na Terra e ao redor dela e de toda a humanidade, sejam agora permitidos a se dissolverem, guiados pela vontade do Criador. Permita que um amor que seja um poderoso curador e conforto para todos, penetre na Terra, na civilização e em meu ser agora. Grato e que assim seja.”

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