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Técnica da Tinta Natural Parte 02

Técnica da Tinta Natural - parte 2

Aglutinantes e Diluentes

Aglutinantes são substâncias que, adicionadas aos pigmetos, unem as partículas formando "liga", a exemplo de colas, óleos, ceras, resinas; determinam a especificidade das tintas, como têmpera, óleo, acrílica, aquarela e outras. Podem ser naturais, como a gema e a clara de ovo, suco de alho, goma da babosa e polvilho.
No preparo das tintas naturais líquidas, tendo como diluente água, os aglutinantes devem ser incolores - clara de ovo, cola, goma de polvilho - a fim de que as cores não se alterem.
A gema de ovo, quando usada como aglutinante, atua como emulsão e dá excelente efeito à mistura de terras e ocas queimadas. Entretanto, se as terras e as ocas forem usadas no seu estado natural, é conveniente acrescentar-se umas gotas de fungicida, como o Lysoform, por exemplo, para evitar a formação de bolor. Também é aconselhável a utilização de água fervida sempre que necessário o seu acréscimo como diluente.
Para pós de madeira, calcinato de cálcio, fuligem, carvão, cinza, entre outros, pode ser usado qualquer aglutinante.
O cimento tem boa adaptação quando associado às colas plásticas e a diluente àlcool, não sofrendo o processo de endurecimento rápido, como ocorre com a adição de colas à base de água.
De um modo geral, para ter-se a característica de plasticidade da tinta no ponto desejado, basta observar:

- proporções iguais de pigmento e aglutinante;
- maior quantidade de pigmento e menor de aglutinante;
- maior quantidade de aglutinante e menor de pigmento.

A escolha de uma dessas maneiras de se obter o melhor amálgama, que corresponda à consistência de tinta desejada, menos consistente ou mais pastosa, depende da finalidade visada.

Diluentes | Diluir um pigmento consiste em diminuir a sua concentração através de um líquido conveniente: água, óleo, álcool.
Reforçar-se o conselho de que, sempre que se acrescentar água para aumentar a diluição da tinta, essa tenha sido previamente fervida afim de evitar a formação de microrganismos.
Os solventes podem ser usados no óleo de linhaça, que, por sua viscosidade, exige um elemento com maior poder de dissolução da tinta; são apropriados também para a limpeza dos pincéis.

Agentes de Apoio

Fixadores
As tintas de procedência vegetal necessitam do acréscimo de fixadores. Há fixadores naturais, como limão, vinagre, e químicos, como o alúmem de potássio, ácido tartárico e bicarbonato de sódio.
As mudanças de tonalidade e até de cor podem ocorrer se forem acrescentados fixadores diferentes à mesma cor. Como exemplo, cita-se a água colorida do feijão-preto à qual, acrescentando-se pequena quantidade de alúmem de potássio, torna-se azul; já, com acréscimo de pequena quantidade de ácido tartárico, ou suco de limão, torna-se carmim.
O suco do limão e o vinagre, além de conservarem e fixarem as tintas, avivam as cores.
O ácido tartárico é relativo ao tártaro e aos seus compostos, principalmente de um ácido que se encontra nas uvas e nos frutos. Tem suas aplicações em bebidas artificiais espumantes e na fabricação de balas.
O alúmem de potássio é obtido pela adição de uma solução concentrada e quente de sulfato de potássio a uma solução de sulfato de alumínio. Tem numerosas aplicações como mordente na tinturaria e em curtimento de couros, como anti-séptico e adstringente na medicina.
O bicarbonato de sódio é usado em bebidas e sais efervescentes e na conservação da manteiga.
Aconselha-se não deixar os fixadores químicos relacionados ao alcance das crianças.

Conservantes
Conservantes são substâncias que preservam as tintas vegetais de sua desintegração. Pode-se usar os conservantes naturais, como o limão e o vinagre, não sendo conveniente utilizar os de procedência industrial visto que podem interferir na cor.

Durabilidade e Conservação
Ao trabalhar com tintas naturais surgem dúvidas quanto à sua durabilidade e conservação. Conforme o tipo de tinta que estamos trabalhando teremos comportamentos diferentes. São tintas vegetais ou minerais? Infusões no álcool ou cocções?
Com raras exceções, as tintas vegetais são sensíveis à luz e sempre vão perder um pouco da sua cor. São instáveis, por isso às vezes conseguimos belíssimas cores de flores e frutos que depois ficam amarronzadas. Portanto, as pinturas feitas com tintas vegetais são frágeis e não devem ficar expostas ao sol. Se não forem tomados os cuidados corretos, pode criar fungos na própria pintura.
Já as tintas de terra não desbotam nunca, mesmo sob um sol forte. Também não apresentam problemas de conservação, nunca criam fungos, nem na pintura, nem na tinta.
As tintas vegetais de infusão no álcool também podem ser guardadas por tempo indeterminado, já as cocções e liquidificações devem ser descartadas após o uso ou guardadas em geladeira por mais alguns dias. Podem ainda ser congeladas para uma outra ocasião.
Com os tingimentos e a pintura de tecidos, a experiência mostra que as tintas com álcool desbotam menos na lavagem em relação àquelas feitas apenas com água. Já o barbante recebe melhor a tinta do que o tecido e aceita tintas feitas por cocção. De qualquer forma alguns cuidados dever ser tomados: secar a meada/ tecido à sombra e abrindo para arejar. Lavar depois de alguns dias com sal e sabão neutro (de côco).

Toxicidade
Embora a natureza apresente plantas tóxicas (Copo de leite, Espirradeira, Comigo-Ninguem-Pode), a tinta natural apresenta menos riscos que a artificial. Na pintura a óleo, por exemplo, as tintas não devem ser tocadas com as mãos e os solventes são extremamente danosos à saúde, causando sérias intoxicações e podendo mesmo levar à morte quem os usa de maneira indevida.
Alguns vegetais são nocivos à saúde quando ingeridos ou em contato com a pele. Exemplos disso são, entre outros, a folhagem comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia picta (Lodd) Schott), cuja seiva é venenosa podendo até provocar a morte, e o oleandro (Neriun oleander L.), também chamado de espirradeira, que se caracteriza por possuir flores e folhas altamente tóxicas; também a figueira-do-inferno (Datura suaveolens (Humb.) Bonpl.), conhecida como trombeta, e o copo-de-leite (Zanthedeschia aethiopica Spreng.), cujas folhas possuem um látex que pode causar irritação cutânea.
Recomenda-se, assim, cuidado na seleção dos vegetais, optando-se por aqueles que não oferecem riscos quando de sua manipulação. Deve-se também ter muito cuidado com as tintas em infusão no álcool que, por se tornarem inflamáveis, devem ser mantidas longe do calor e das chamas.
No preparo da tinta a óleo, necessita-se de solvente para diluí-la, o qual é tóxico, podendo causar irritação aos olhos e vias respiratórias. Assim, recomenda-se cuidado a executar esse processo, mantendo o ambiente bem ventilado.
Quando os pós são peneirados, deve-se proteger os olhos e narinas para que não sejam absorvidos. Aconselha-se enfim, trabalhar em ambiente bem iluminado e arejado.

Coleta Seletiva de Materiais
Se formos coletar materiais da natureza, devemos ter o cuidado de retirar o que já está caido no chão, procurando não arrastar plantas vivas. Mas se isto for necessário, então devemos cuidar para não retirar muitas plantas de um mesmo local porque isto pode modificar o ambiente.
Cascas - Aproveite os troncos mortos e jamais arranque cascas de árvores vivas.
Folhas e frutos - Encontramos corantes nas folhas, flores, frutos e sementes. De uma forma geral, coleta-se antes da floração, pois neste período existe maior concentração de corantes.
Líquens - Devem ser raspados de rochas, cercas velhas e troncos de árvores mortas. A coleta deve ser feita depois da chuva. Retire apenas o essencial e conserve os líquens, pois eles demoram 50 anos para crescer.
Raízes - A coleta de raízes geralmente leva à morte das plantas. Por isso, devemos cultivá-las. No caso de utilizarmos plantas nativas, para cada raiz coletada, plante duas plantas em seu lugar. Devemos tomar muito cuidado para que a raiz não se quebre ao retirá-la, para isto, remova toda a terra que fica em volta da raiz.

"Dica"
- Recolha apenas uma pequena parte de cada planta de um mesmo local, evitando que a planta se esgote e permitindo que outros também possam colhê-la.
- Faça uma horta de plantas tintórias, para preservar a natureza.
- Coletar sementes é muito importante. Conserve-as embalandas em plástico em lugar fresco e seco, ou em geladeira até a época do plantio.

Suportes para uso Pictórico
Suporte é a superfície que recebe a pintura; pode ser preparado com camadas básicas de tinta, geralmente branca, ou mesmo ser usado em seu estado natural, dependendo do objetivo.

Pedras, paredes, madeiras, metais, tecidos, papéis eram e ainda são usados pelo homem quando ele deseja manifestar-se plasticamente, marcando indelevelmente sua caminhada cultural e seu processo de civilização. Na Idade Média, era comum usar-se uma base inerte de gesso (sulfato de cálcio) e giz (carbonato de cálcio) que, misturados à cola animal, formavam uma base apropriada para receber a tinta. Atualmente, além dos suportes citados, existem outros produzidos com materiais sintéticos, a exemplo de plásticos, acetatos, tecidos de fibras, poliéster.

Neste trabalho, testaram-se as tintas naturais sobre quinze diferentes suportes: tela, papel industrial, papel artesanal, seda, gesso, vidro, madeira, cerâmica, juta, papelão, eucatex, couro, plástico, paredes de cimento e azulejo. Para a observação do comportamento das tintas sobre os suportes, usou-se como referencial a padronização, que consiste na aplicação da mesma tinta sobre os suportes a fim de verificar seu comportamento e prevenir o reaparecimento de problemas.
De acordo com as características e qualidades das superfícies, classificaram-se os suportes quanto ao uso das tintas líquidas (transparentes) em:
superfícies lisas e impermeáveis: vidro, azulejo, plástico, paredes de cimento, eucatex, nos quais se intensifica a cor pela não-absorção, secando pela evaporação;
superfícies de porosidade média: madeira, tela, gesso, couro, papelão, seda, cerâmica;
superfícies porosas: papel artesanal, papéis industriais de boa gramatura e juta.
As tintas em pó (opacas) podem ser usadas em todos os suportes; quanto às líquidas (transparentes), a retenção da cor, sua absorção e permanência têm melhores respostas em suportes que apresentam maior porosidade.

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Co-criando A NOVA TERRA

«Que os Santos Seres, cujos discípulos aspiramos ser, nos mostrem a luz que
buscamos e nos dêem a poderosa ajuda
de sua Compaixão e Sabedoria. Existe
um AMOR que transcende a toda compreensão e que mora nos corações
daqueles que vivem no Eterno. Há um
Poder que remove todas as coisas. É Ele que vive e se move em quem o Eu é Uno.
Que esse AMOR esteja conosco e que esse
PODER nos eleve até chegar onde o
Iniciador Único é invocado, até ver o Fulgor de Sua Estrela.
Que o AMOR e a bênção dos Santos Seres
se difunda nos mundos.
PAZ e AMOR a todos os Seres»

A lente que olha para um mundo material vê uma realidade, enquanto a lente que olha através do coração vê uma cena totalmente diferente, ainda que elas estejam olhando para o mesmo mundo. A lente que vocês escolherem determinará como experienciarão a sua realidade.

Oração ao Criador

“Amado Criador, eu invoco a sua sagrada e divina luz para fluir em meu ser e através de todo o meu ser agora. Permita-me aceitar uma vibração mais elevada de sua energia, do que eu experienciei anteriormente; envolva-me com as suas verdadeiras qualidades do amor incondicional, da aceitação e do equilíbrio. Permita-me amar a minha alma e a mim mesmo incondicionalmente, aceitando a verdade que existe em meu interior e ao meu redor. Auxilie-me a alcançar a minha iluminação espiritual a partir de um espaço de paz e de equilíbrio, em todos os momentos, promovendo a clareza em meu coração, mente e realidade.
Encoraje-me através da minha conexão profunda e segura e da energia de fluxo eterno do amor incondicional, do equilíbrio e da aceitação, a amar, aceitar e valorizar  todos os aspectos do Criador a minha volta, enquanto aceito a minha verdadeira jornada e missão na Terra.
Eu peço com intenções puras e verdadeiras que o amor incondicional, a aceitação e o equilíbrio do Criador, vibrem com poder na vibração da energia e na freqüência da Terra, de modo que estas qualidades sagradas possam se tornar as realidades de todos.
Eu peço que todas as energias e hábitos desnecessários, e falsas crenças em meu interior e ao meu redor, assim como na Terra e ao redor dela e de toda a humanidade, sejam agora permitidos a se dissolverem, guiados pela vontade do Criador. Permita que um amor que seja um poderoso curador e conforto para todos, penetre na Terra, na civilização e em meu ser agora. Grato e que assim seja.”

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