Anjo de Luz

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         Continuação e fim...

 

      ‘As coisas visíveis não são feitas das coisas aparentes. ’ (são produzidas pelo colapso das nuvens quânticas, que não são aparentes, pela observação de seres sencientes, segundo a física moderna; tudo, seres, coisas, eventos, fenômenos, vem do atemporal, do qual as coisas saltam inesperadamente, como da água de um lago tranqüilo salta, inesperadamente, um peixe; tudo vem do ‘campo das infinitas possibilidades’).

     ‘Tudo é possível ao que crê. ’ (He 11:6) (ao que chegou; ao que já percebeu; sua crença já não é simples crença, é convencimento e tudo lhe é possível).

     ‘Tudo quanto pedirdes, orando, crede que já o tendes recebido e tê-lo-eis.’ (Mc 11:24) (tudo é possível, não àquele que apenas crê, mas àquele que teve a experiência e, por isso, está convencido).

     ‘Deleita-te no Senhor, e ele te concederá o que deseja teu coração.’ (Sl 36:4) (na percepção do Senhor reina total bem-aventurança e nada mais é desejado; tudo que o coração desejava, o homem, agora, tem; não deseja mais nada; ‘o demais virá por acréscimo’).

     ‘O que fizerdes, por palavras ou atos, fazei-o em nome do senhor Jesus Cristo...’ (aqueles que têm o percebimento agem como o próprio Cristo; a vontade, o discernimento, são os mesmos).

     (Muitas vezes Jesus falou: ‘fazei penitência, pois o reino dos céus está próximo’. A verdade é que o reino está bem mais perto do que pensamos, dentro de nós mesmos, conforme Jesus, Paulo, Tereza e outros afirmaram em várias passagens; ‘penitência’ é o ‘trabalho’ necessário para abandonarmos o caminho largo e já conhecido, e para entrarmos no novo).

     ‘... Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem para encontrá-lo como que às apalpadelas, pois, na verdade, ele não está longe de cada um de nós. Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns de vossos poetas disseram: nós somos também de sua raça’ (At 17:27, 28) (ele está dentro de nós mesmos, mas o procuramos fora de nós, às apalpadelas, pois não o percebemos, como disse S. Agostinho: ‘procurei-Te tanto fora de mim, mas fui achar-Te dentro de mim mesmo’).

     ‘... (orando pelos discípulos): Pai, santifica-os pela verdade.’ (Jo 17:17) (‘Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’; isto é, nos tornará sãos, santificados).

     ‘...se me conhecêsseis, também, certamente, conheceríeis ao Pai.’ (Jo 14:10)... como, pois, dizeis: mostra-nos o Pai? Não credes que eu estou no Pai e o Pai em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai que permanece em mim as diz..’. (Jo 14:20) (outra prova de que Jesus ensinou que Deus está em nós e que nada escolhemos; como afirmam os místicos, somos a própria divindade; se conhecêssemos o Cristo, a iluminação, saberíamos disso e que todos somos um).

     ‘...‘...se me conhecêsseis, também, certamente, conheceríeis ao Pai.’ (Jô 14:20) (idem; saberemos, então, que todos somos um).

     ‘Conheço minhas ovelhas e elas me conhecem, como meu Pai a mim conhece e eu conheço o Pai (pelo percebimento)... Tenho, ainda, outras ovelhas que não são deste aprisco (que não perceberam ainda). Preciso conduzi-las também (ao percebimento), e ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.’ (Jô 10:14ss) (ouvir a voz do Cristo é ter o percebimento; o que nos conduz a Deus é o próprio Deus, mas há aqueles que não chegaram ainda; porém todos somos iguais; então, pelo percebimento, haverá um só rebanho).

     ‘Queremos apedrejar-te por que, sendo homem, te fazes Deus. Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa Lei: Vós sois deuses? (Sl 81:6)...e a escritura não pode ser desprezada.’ (Jô 10:33ss) (nós o somos).

     ‘Interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes: O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem se dirá: Ei-lo aqui, ou Ei-lo acolá; pois o reino de Deus já está dentro de vós.’ (Lc 17:20) (sem comentário).

     ‘Não recolho meu conhecimento de cartas ou livros; eu os possuo dentro de mim mesmo; porque o céu e a terra, com todos os seus habitantes, e o próprio Deus, estão dentro do homem. ’ (J. Boheme) (este percebeu).

     ‘...enquanto os irmãos não se comprometerem com negócios...; não se habituarem a conversas fúteis; não sentirem preguiça; não freqüentarem grupos ou com eles forem tolerantes; não sentirem a influência de desejos pecaminosos; não se desviarem do caminho por coisas de menor importância, devemos esperar que os irmãos prosperem e não caiam...’ (Buda) (pois estão se aproximando do percebimento).

     ‘... a preocupação de acumular dinheiro, a ele escravizando os dias e as noites, eis a maior das fraudes da civilização moderna. ’ (Whitman) (isso é distração, obstáculo à meditação, à percepção daquilo que já somos).

     ‘... sem (auto) conhecimento não há meditação; sem meditação não há (auto) conhecimento’. (Buda) (são simultâneos: é o conhecimento daquilo que somos na realidade, mas ainda não percebemos).

     ‘Buscai primeiramente o reino de Deus e sua justiça, e tudo o mais virá por acréscimo.’ (Mt 6:33) (com o percebimento, vemos que de nada mais necessitamos; nada mais é necessário; é por esse motivo que se deve buscar, em primeiro lugar, o reino). 

     ‘O reino de Deus é semelhante a um tesouro oculto no campo, que, certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo.’ (Mt 13:44) (como todos afirmaram, tudo o mais é nada em comparação com o percebimento; desfez-se de tudo, porque tudo o mais não é tão importante:  está transbordante de alegria porque, agora, é bem aventurado).

     ‘...um homem que procura boas pérolas; e, tendo achado uma pérola de grande valor, vende tudo o que tem e a compra.’ (Mt 13:45) (idem).

     ‘Eis que vos digo um mistério: na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao soar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e seremos transformados..’ (I Cor 15:51) (o percebimento é instantâneo; transforma a todos, e os que estão mortos para a verdade, isto é, que ainda não despertaram, ao perceberem a verdade despertarão, agora incorruptíveis).

     ‘Purifique sua alma de todo medo e esperança tola sobre as coisas da terra; mortifique o seu corpo, domine o amor-próprio e os apetites, e o olho do mais íntimo (Deus) começará a exercitar a sua visão clara e solene. Tudo aquilo que contribui para purificar a mente ajudá-lo-á a atingi-la (a visão, a consciência cósmica) e facilitará a aproximação e repetição desses felizes intervalos (Plotinus) (como todos os iluminados aconselham que façamos algo, isso talvez seja sinal de que devemos ter certa autonomia de vontade; usemo-la para nos aproximarmos do feliz momento; como afirmam eles, toda esperança sobre as coisas da terra é tola, pois tudo é incerto e não há segurança em nenhum lugar ou situação; estaremos plenos de felicidade quando o ‘olho do mais íntimo’ (onde o ego cessa) exercitar sua visão; a purificação da mente pode ser obtida pela meditação, que afasta o ‘eu’ e, com este, todo o lixo mental, todo o condicionamento).

     ‘Na verdade não convém que me glorie! Passarei, entretanto, às visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo (isto é, que chegou lá), que, há catorze anos foi arrebatado até o terceiro céu... e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir (indizíveis, não há como comunicar a grandeza do que viu). Demais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne... para me livrar do perigo da vaidade.’ (II Cor 12:1ss). (sem comentário).

     ‘O infinito (Deus) só pode ser apreendido por uma faculdade superior à razão (isto é, além do ego), que nos faz entrar num estado no qual você já não é mais o seu eu finito.’ (Plotinus) (você é, portanto, seu ‘Eu’ infinito, isto é, Deus; só quando somos Deus é que o apreendemos (como diz Eckhart). Lembrar-se de Paulo: Já não sou eu que vivo, mas o Cristo é que vive em mim).

     ‘...em primeiro lugar a alma deve retornar a si mesma (como se estivesse perdida e tivesse que encontrar seu caminho, o caminho de casa); isso se alcança pela prática das virtudes, cujo objetivo é despoluir (limpar) a mente (para que se torne semelhante) à semelhança com Deus e que conduz ao próprio Deus, pelas quais a alma se liberta da sensualidade (da ação dos sentidos, fato que elimina o ego)... Por meio de práticas ascéticas (meditação) o homem uma vez mais se converte num ser espiritual, livre de todos os pecados. Entretanto, ainda há um escalão mais alto: não basta ser sem pecado (isso apenas nos limpa a mente); é preciso converter-se em Deus (Eckart: ‘nos confundirmos com Deus’). Isto se alcança pela contemplação (meditação) do Ser Único ou, em outras palavras, por uma aproximação extasiada (em êxtase) desse Único. O pensamento (a imaginação, o intelecto, o ego) não pode chegar a isso... pois é apenas um estágio preliminar dessa aproximação (portanto,  pensamento, intelecto, ego devem ser eliminados). E é apenas em estado de perfeita passividade e repouso (sem operações do ego; meditação) que a alma pode reconhecer e tocar (sentir) o Ser Divino. Para atingir esse fim mais alto, a alma necessita passar por um currículo espiritual. Iniciando na contemplação das coisas corpóreas, em sua multiplicidade e harmonia (isto é, conhecendo a vida, o mundo em sua diversidade; ‘compreendendo a totalidade da vida’, como diz Krishnamurti), retira-se para dentro de si mesma, nas profundezas de seu próprio ser (para dentro do eu)... Mas, o mais alto não está ainda aí... O último estágio é alcançado quando, na mais alta tensão e concentração, no silêncio e esquecimento de todas as coisas (sejam boas ou más: meditação), a alma acha-se apta a perder-se em si mesma (o eu não mais opera). Então, ela pode ver Deus, a fonte da vida, do ser, a origem de todo o bem, a raiz (origem) da alma. Nesse momento, a alma desfruta da bênção mais indescritível; é como se fosse banhada pela divindade (Plotinus). (‘virtudes que levam à semelhança de Deus’, isto é, que tornam a consciência pura, livre dos condicionamentos. ‘Não basta ser sem pecado’: isto, no dizer dos sábios, não retira o homem da multidão; só tranqüiliza a mente preparando-a para a meditação. ‘O pensamento, a imaginação, a razão, o intelecto, não podem chegar a isso’; são finitos e só uma faculdade infinita, isto é, algo além do ego, pode apreender o infinito. ‘Em perfeita passividade e repouso’: relaxamento externo e interno, isto é, na meditação; dentro de si mesmo, ‘no silêncio e esquecimento de todas as coisas’ (meditação); ‘na mais alta tensão e concentração’ - dizem os sábios que, somente quando a paixão é tão grande que o homem derrama lágrimas, é que a luz chega – ou, como afirma o bramanismo, ‘para se subir à presença do mestre, os pés devem ser lavados no sangue do (próprio) coração’. ‘Perder-se’: perder o ego, o ego cessa. ‘Poderá ver Deus’: ter o percebimento, a iluminação, ver que tudo, que cada ser é Deus).

     ‘...pois, quanto maior a importância que a alma atribuir ao que sente, compreende e imagina (às coisas do mundo, ao conhecido), e quanto maior o apego que a isso tiver, seja coisa espiritual ou não (coisas agradáveis ou desagradáveis, profanas ou sagradas, boas ou más) mais se afasta do bem supremo, mais demora em alcançá-lo.’ (João da Cruz).

     ‘...quanto mais a alma se preocupa em ligar-se às coisas criadas, nelas depositando sua força e confiança, por hábito ou inclinação (apenas sentimos confiança e segurança naquilo que já conhecemos, pelo nosso condicionamento cultural; mas segurança, seja física ou psicológica, não existe em nenhum lugar ou tempo), menos se dispõe a essa união, à união com o divino.’ (João da Cruz).

     ‘Não sou eu, o eu que sou, quem sabe estas coisas; mas Deus sabe das coisas em mim.’ (Jacob Boehme) (pois ‘eu e o Pai somos um’).

     ‘...pois Cristo, o filho de Deus, tem que se fazer homem (fazer-se você) e nascer dentro de você (pelo percebimento); de outro modo você estará num estábulo escuro (entre fezes e urina; na escuridão da ignorância) e aí continuará, procurando sempre por Jesus Cristo. Você olha para as estrelas, procurando Deus distante, nos céus’. (Boheme) (procura vã, pois ele está dentro de você (S. Agostinho) e, se você não percebê-lo aí, estará realmente na escuridão, ou ‘morrerá como um cão danado’, como assegurou Gurdjeff. ‘A vida só tem significado quando temos o percebimento’, como afirmou Krishnamurti).

      ‘Discípulo: Isso está ao nosso alcance, ou muito longe?

       Mestre: Está em você (dentro de você mesmo e você o perceberá) se, por um instante, puder deixar de pensar e de desejar (meditação); então, ouvirá de Deus palavras   indizíveis.

       Discípulo: Como posso ouvir se não deixo de pensar e desejar?

       M: Quando você afastar pensamentos e vontades de seu eu (pela meditação), surgirá o eterno no ouvido, na fala, na visão. E Deus ouvirá, falará e verá através de você (nossos olhos e ouvidos são os olhos e ouvidos de Deus). Você esquecerá sua própria audição, visão e fala, para só ver e ouvir a Deus.

       D: Como, se ele está acima da natureza e das criaturas?

       M: Quando você estiver no silêncio e na paz (meditação), você conseguirá.

       D: O que me entrava que não consigo chegar a isso?  

       M: A sua vontade, a sua visão, audição, desejo e pensamento (que pela meditação podem cessar) sobre as coisas terrenas, trazem sua visão, audição etc. ao nível terreno de tal forma que você não consegue atingir... Há que caminhar pelo caminho mais difícil (a porta estreita e o caminho pedregoso), tomar o que o mundo rejeita, e não fazer o que o mundo faz... então, terá encontrado o caminho mais próximo para isso... pois (como disse Paulo) o caminho para o amor de Deus parece tolo para este mundo, mas é sabedoria para os filhos de Deus.’ (a sabedoria dada pelo percebimento).

     ‘... Docemente cresceu e se espalhou em torno de mim a paz e o conhecimento além de todo o argumento da terra (sabedoria além de todo conhecimento terreno), e eu sei que a mão de Deus é a promessa da minha (é o que a minha será pelo percebimento), e sei que o espírito de Deus é irmão do meu e que todos os homens já nascidos são meus irmãos (todos somos um)... e que a criação sobrevive graças ao amor... De repente, me senti cheio de paz, alegria e conhecimento, transcendendo (indo além de) toda a arte e sabedoria da terra.’ (Whitman) (somos todos da mesma natureza de Deus).

     ‘Na verdade eu diria que apenas na perfeita incontaminação e solidão da individualidade (a mente não contaminada, só, livre dos sentidos, dos desejos, lembranças e pensamentos), pode surgir, positivamente, a espiritualidade da religião (que, antes, era mais por costume ou desejo de respostas). Somente aqui, e nessas condições, a meditação, o êxtase devoto, o vôo elevado (consciência una). Somente aqui,a comunicação com os mistérios (encontro de todas as respostas), os problemas eternos: de onde? para onde? Sozinho, o pensamento silencioso (apagado, cessado) e a aspiração (o desejo de chegar) e, então, a consciência interior (o Eu Sou), com sua inscrição prévia invisível (o Cristo, que desde sempre está ali, mas não percebido, ‘invisível’ para nós), em tinta mágica (não o víamos e agora passamos a ver), irradia suas linhas maravilhosas para os sentidos (mostra-se e o percebemos)... e todas as afirmações, igrejas e sermões, desaparecem como vapores (tudo que antes conhecíamos não tem mais valor ante a grandeza do percebimento). As bíblias podem afirmá-lo e os clérigos expô-lo, mas é exclusivamente mediante o trabalho do eu isolado (ninguém chega à verdade pelos trabalhos da religião, através de suas práticas, mas pelo exercício da meditação, sozinho) que se entra no puro éter da veneração, que se alcança os níveis divinos, que se comunga com o supremo (a percepção da verdade do que somos)... Tu, Tu, enfim, conheço!’ (Whitman).

     ‘...  visto (à luz do Cristo interior, isto é, sob o ponto de vista de um iluminado), tudo é perfeito, inclusive aquilo que visto fora dessa luz parece imperfeito...’ (Dante) (‘... do perfeito tirando o perfeito, o que resta é perfeito... ’, de um cântico do bramanismo; isto é, tudo é perfeito, embora não o compreendamos; só os iluminados compreendem).

     ‘Quando os seus pensamentos se tornarem fixos (cessarem de fluir) você perceberá, dentro de si mesmo, a consciência absoluta (consciência total, a divindade, a iluminação, Deus). Existe, realmente, um fato concreto e reconhecível, ou seja, um estado de consciência que já foi experimentado inúmeras vezes e que, para os que por ele passaram, ainda que em leve grau, pareceu superior a toda uma vida de devoção... Nesse instante, tornei-me consciente do surgimento, dentro de mim, de uma região que, em certo aspecto, transcendia os limites comuns da personalidade (além do ego), e à luz da qual minhas próprias idiossincrasias de caráter, defeitos, qualidades, limitações, já não tinham importância (tudo é sem importância, comparado a isso): uma absoluta liberdade em relação à mortalidade (não há morte), seguida de indescritível sentimento de felicidade e calma (bemaventurança). Imediatamente vi, ou senti, que essa região do eu, existente dentro de mim, existe igualmente em todos os demais (somos iguais; temos as mesmas possibilidades). Diante dela, as simples diferenças de comportamento, que geralmente diferenciam e dividem os homens (ocasionando toda espécie de conflitos, até as guerras), tornaram-se indiferentes (sem importância) e abriu-se um campo no qual todos podiam encontrar-se, no qual todos eram verdadeiramente iguais... Se eu pudesse transmitir (aos demais) a metade do esplendor que o havia inspirado (ao livro que publicou a seguir), seria bom e não teria de lutar para escrever nada mais (pois ele conteria tudo o que se precisa saber para se chegar ‘lá’)... ’ (Edward Carpenter) (a consciência da presença de Deus em nós traz bem-aventurança e livra-nos do medo da morte, pois ficamos cientes de que ela não existe; todos somos iguais, o Cristo é um em todos e todos somos um só, e em todos está a mesma possibilidade de chegar à iluminação).

     ‘...acabadas todas as penas, abrindo-se dentro de mim um profundo oceano de felicidade... todas as coisas são transfiguradas, cantando felicidade sem fim (pelo percebimento). Naquele dia, no dia da tua libertação (‘conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’), ela (a verdade, a libertação, o Cristo) virá a ti em lugar que desconheces, sem que saibas em que tempo (Jesus disse: ‘estai preparados, pois não sabeis nem a hora, nem o lugar’)... tu estarás livre para sempre... deixa que a felicidade te invada... a morte já não te separará daqueles a quem amas (perceberás que todos somos um; não há separação)... o mundo da igualdade... da felicidade total... ’ (Carpenter). (o percebimento da verdade nos liberta de todas as dores; como afirmou Buda, ‘a iluminação é o fim de todo o sofrimento’, e Jesus, ‘conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’; o ‘mundo da igualdade’, pois então perceberemos que todos somos iguais; mais ainda: um só).

     ‘(O Amuleto místico de Pascal): Ano da graça de 1654, segunda-feira, 23 de novembro, dia de São Clemente, Papa e mártir... desde cerca das dez horas e meia da noite até cerca de meia-noite e meia... FOGO... FOGO (transfiguração, iluminação, como Jesus, Moisés, Buda, Francisco de Assis). Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacob, não dos filósofos e sábios. Certeza, alegria, certeza, sentimento... alegria, paz (sentimentos indizíveis porque não existe meio de comunicá-lo a ninguém; a verdade é incomunicável, é aquilo que realmente somos, mas que temos de perceber por nós mesmos). Deus de Jesus Cristo, meu Deus e teu Deus... Esquecido do mundo e de tudo (para a meditação tem-se que esquecer de tudo, o que se obtém fazendo cessar o pensamento, fato que afasta o eu pensante) exceto de Deus. Ele só é encontrado nos caminhos dos Evangelhos. GRANDEZA DA ALMA HUMANA (por reconhecê-la o próprio Deus). Pai justo, o mundo não te conhece, mas eu te conheci (tive o percebimento). Alegria, alegria, alegria, lágrimas de alegria. Eu não me separarei jamais de Ti... Meu Deus, não me abandones, não me deixes separado de ti eternamente. Esta é a vida eterna que se ganha depois de te conhecer, o único Deus verdadeiro e aquele que tu enviaste – Jesus, o Cristo (o percebimento traz uma vida repleta de felicidade e alegria; e cessa qualquer receio da morte, pois fica-se sabendo que a vida é eterna; e conhecendo-se Deus, conhecemos que nós o somos). Eu me havia separado dele; eu o havia abandonado, crucificado (não tinha o percebimento); que eu não seja jamais separado (sem o percebimento, estamos separados; com ele, tudo é um); ninguém se salva a não ser pelo caminho dos evangelhos... RENUNCIAÇÃO TOTAL E DOCE... (renuncia-se àquilo que chamamos vida pois o que se tem, agora, é muitíssimo mais belo e mais prazeroso). Submissão total a Jesus Cristo e a meu Diretor (agora a ação é totalmente correta; não há o que escolher; temos plena percepção de que a consciência una, Deus, é que opera em nós; por isso, submissão total). Eternamente em alegria por um dia de exercício sobre a terra (esse instante jamais é esquecido, pois nos transforma radicalmente; é a ressurreição, o nascer de novo)... jamais esquecerei o que me ensinaste (como todos afirmam, o que se aprende naquele instante é mais do que se aprenderia em muitos anos com os melhores mestres). Amém. ’ (Pascal) (a percepção, por mais rápida que seja, traz alegria para sempre; cessam todos os problemas).

     Pascal, após certa noite, esquivou-se do mundo; passou a viver recluso. Quando morreu, um criado encontrou, costurado com cuidado dentro da bainha de seu gibão, um pergaminho com os dizeres acima; esse pergaminho recebeu o nome de ‘amuleto místico de Pascal’ e está, hoje, na Biblioteca Nacional, em Paris. A reclusão entende-se quando nos lembramos de outros místicos, como Jesus, que se retirou para o deserto, Paulo, que foi viver entre tecelões, e outros mais que buscaram um tempo, a solidão, para assimilar a ‘luz’ que lhes viera.

     Charles G. Finney: Que nenhum homem pense que aqueles sermões, considerados tão poderosos, foram produzidos por minha cabeça... Eles não são meus, mas do Espírito Santo que habita em mim.’ (sem comentário).

     ‘Aquele que, pensando em nada, fazendo a mente parar de trabalhar (cessando pensamentos, lembranças, expectativas), aderindo à meditação ininterrupta, repetindo apenas a silaba OM (o ‘nome’ de Deus), atinge a meta suprema.’ (do ‘Bagavad Gita’, a Sublime Canção da Imortalidade, do bramanismo).

     ‘A vida real não é acreditar que existe uma divindade...; é conhecer essa divindade. Não se conhecem os nomes da verdadeira divindade e de seu Cordeiro até que sejam revelados, individualmente a cada um (cada um deve chegar lá por si mesmo)... Portanto, o filho do Espírito Santo só se revela (age) naquele em que é gerado (que teve o percebimento; como disse Paulo, em palavras semelhantes, ‘aguardo as dores do parto do Cristo que nascerá em vós’)... pois, a não ser que o homem nasça de novo, não poderá vê-lo... (o novo nascimento, resultado da experiência mística). Nesse dia sabereis que ‘eu estou no Pai, vós em mim e eu em vós.’ (que todos somos um) (Richard M. Bucke, ‘Consciência Cósmica’).

     ‘Deus é o pai de cada um de nós; mas ninguém, sem a iluminação (sem a percepção da verdade), pode compreender o profundo significado destas palavras.’ (Bucke).

     ‘... uma espécie de certeza imortal de que o Cristo havia nascido em mim e, em mim, permaneceria eternamente.’ (a vida não tem fim) (Bucke).

     ‘A partir daquela experiência, minha confiança tornou-se ilimitada... Aquilo que procuramos, com paixão, aqui e ali, dentro e fora, encontramos, enfim, dentro de nós mesmos. O reino interior! Deus! Essas são palavras cujo significado não devemos fantasiar (C.M.C., ‘Consciência. Cósmica’) (também S. Agostinho conta que, depois de procurar Deus, por muito tempo, fora dele, encontrou-o dentro dele mesmo, no mais íntimo de sua alma. Jesus disse: ‘... o reino de Deus está dentro de vós’, e Paulo: ‘vós sois o templo do Altíssimo’, ‘o Altíssimo habita em vós’).

     ‘Deixar (o ego) ir e deixar Deus vir... A cessação (das operações do ego) dos pensamentos, objetivos e projetos são as coisas mais importantes que devemos fazer, insistem os hindus e iogues, para se atingir essa meta tão elevada...; não devemos permitir-nos preocupação por dinheiro, comida, roupas, abrigo e outras necessidades (são distração, desatenção, que perturbam a meditação)... ’ (CMC, ‘Consc. Cósmica’) (‘quando o eu não é, Deus é’, isto é, quando o eu cessa, Deus está presente; Jesus: ‘não vos preocupeis com o dia de amanhã; a cada dia basta o seu cuidado’).

      ‘Quando estás a sós em tua cela, fecha a tua porta e senta-te a um canto; afasta tua mente de todas as coisas vãs e transitórias (das coisas do espaço-tempo, que são coisas finitas e o que é finito não pode perceber o infinito); volta teus olhos e pensamentos (para dentro de ti) e busca o lugar do coração, da tua alma (de onde nascem os pensamentos; isso é meditação). No princípio, tudo estará escuro e sem conforto, mas se perseverares dia e noite, sentirás uma alegria inefável e, tão logo a alma descubra o lugar do coração (onde Deus habita), te sentirás envolvido por uma luz mística e etérea.’ (Abade Mestre, séc.11, monastério do Monte Athos) (Jesus: ‘Aquele que perseverar até o fim será salvo’ e ‘O reino de Deus já está dentro de vós’; Paulo: ‘Vós sois o templo do Altíssimo’).

     ‘O fenômeno místico, a experiência direta de Deus,... deve ser, necessariamente, considerado o vértice das aspirações da inteligência e do coração... é uma vertigem de luz.’ (Pietro Ubaldi).

     ‘...o fator moral ocupa o primeiro plano e constitui, não só condição predominante, mas absoluta e irrevogável, tanto que ela representa o vértice da perfeição moral e religiosa...’ (Pietro Ubaldi) (para aquele que chegou).

     ‘... nada de miraculoso, excepcional, de gratuita e arbitrariamente concedido pelo céu (Pietro Ubaldi) (comparar com Carpenter e Teresa).

     ‘... assim, às diferentes fases da evolução moral correspondem diversos graus de conhecimento e diferentes aproximações da revelação da verdade. Quanto mais se aperfeiçoa o indivíduo, tanto mais sensível e potente se torna o instrumento consciência...’ (PU) (a iluminação é a expansão máxima da consciência).

     ‘... é necessário subir... por humildade de coração, pureza de intenção, sublimação de paixão...’ (PU).

     ‘...cada ser se torna escravo daquilo que ama... a comunhão de vibrações nos torna semelhantes àquilo que amamos... (seja relativo ao bem ou ao mal)... O evangelho é o método de harmonização universal... (pois ensina como chegar à percepção)... Deus não se demonstra; sente-se... A evolução espiritual (indicativa do caminho) é o aprofundamento de nossa consciência em nosso próprio interior... porque Deus está no fundo do coração do homem... A Ascensão, pois, é para dentro de nós mesmos... A intuição, que está na profundeza, é um contato mais próximo da verdade, do que a razão, que está na superfície... A consciência se estende em profundidade, nas zonas interiores, avança para Deus e tende à unificação com o Todo, a que se chega, pois, por introspecção (pela penetração no âmago do ser, pela meditação)... (PU).

     ‘O eu é uma estrada que se prolonga ao infinito... na direção de Deus... Aquele que se lança por esses caminhos, deve perder o apoio da compreensão humana (os demais dificilmente o compreenderão, quando não o hostilizam ou menosprezam...) O universo é harmonia que guia ao supremo amor, que é Deus; eu, simplesmente, me harmonizo (meditação). A sensação do sublime, o percebimento do sagrado, ‘paga’, largamente, cada esforço e, aos práticos se poderia dizer: o ‘negócio’ convém (práticos, os que acham que o buscador é apenas um sonhador, fora da realidade, quando é o mais prático dos práticos pois investe para a felicidade total)... O grau de ascensão do ser nos níveis espirituais (de consciência) mais elevados mede-se pelo grau de harmonização que sua consciência consegue atingir. E o índice exterior dessa harmonização é o amor’ (PU).

     ‘Humilho-me! Anulo-me!’ (PU) (humilhe-se! anule-se! entregue-se, na meditação; o ego deve cessar suas operações).

     ‘Nada receies, Eu Sou!...’ (não há o que recear; buscamos Deus, isto é, a nós mesmos; quando perguntaram a um mestre Zen o que é buscar Deus, ele respondeu: ‘é cavalgar o boi para procurar o boi’, isto é, nós já o somos; o que nos falta é perceber isso, o que se pode conseguir pela meditação).

     ‘A oração é apenas a harmonização inicial. Harmoniza-te em toda parte, na majestade do canto gregoriano, no simbolismo litúrgico, nas correntes que emanam das catedrais; ainda mais diante do espetáculo divino do criado... dum ato de bondade e de amor fraternal... este é o caminho que conduz a Deus... A chegada (a percepção) de Cristo se dá em nosso interior... (PU).

     ‘Aquele que põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o reino de Deus.’ (Lc 9:62) (aquele que, decisivamente, inicia a busca, não deve ter saudades dos projetos e desejos que ficaram para trás, nos planos para o futuro;  planos que, agora, devem ser abandonados; só assim poderá, eventualmente, chegar lá).

     ‘...Minha mente, profundamente influenciada pelas idéias, imagens e sentimentos despertados pela leitura e conversas da noite, achava-se num estado de tranqüilidade e paz; desfrutava de um estado de quietude (mente tranqüila, silenciosa)... Súbito, sem qualquer aviso, vi-me envolvido por uma nuvem avermelhada. No primeiro momento, pensei em um incêndio subitamente deflagrado na grande cidade. Em seguida, porém, percebi que a luz estava dentro de mim mesmo. Imediatamente se apoderou de mim um sentimento de exaltação, de imensa alegria, logo seguido por uma iluminação intelectual (sabedoria) impossível de ser descrita. Em meu cérebro explodiu uma fagulha do esplendor divino... Em meu coração... um sabor de paraíso (bem-aventurança). Entre outras coisas, nas quais eu não acreditava, vi e soube que o cosmo não é matéria morta, mas uma presença viva; que o ser humano é imortal; que o universo é tão bem construído e ordenado que, sem nenhuma casualidade, todas as coisas funcionam juntas para o bem de cada uma delas e do todo (Krishnamurti: ‘todos chegarão lá’); que o fundamento do mundo é o que chamamos amor e que a felicidade de cada um é, a longo prazo, absolutamente certa. E, inegavelmente, afirmo que aprendi mais durante os poucos minutos dessa experiência do que nos muitos anos de estudo anteriores, e mais do que poderia ter aprendido com qualquer mestre ou escola... Soube que o cosmo é totalmente imaterial (pura consciência, conforme, hoje, a física quântica também afirma), espiritual e vivo; que a morte é um absurdo; que todos têm uma vida eterna, que o universo é Deus e que Deus é o universo, e que o mal não pode aí penetrar... No mesmo instante, senti-me invadido por uma emoção de alegria, segurança, triunfo, salvação. Esta última palavra não deve ser tomada no sentido comum; é uma salvação não necessária, pois o esquema da construção do próprio universo basta para isso (como asseguram sábios e escrituras, já estamos salvos)... Acompanhando instantânea ou simultaneamente as sensações referidas, e as experiências emocionais, surgiu em mim uma iluminação intelectual (sabedoria) impossível de ser descrita. Com um clarão, apresentou-se à minha mente uma clara e nítida compreensão do sentido do universo, e uma consciência de imortalidade... (Richard M. Bucke, ‘Consciência Cósmica’).

     ‘Um estado mental tão feliz, tão glorioso, que tudo o mais na vida é nada se comparado com ele...’ (Budismo) (o nirvana, o satori, a iluminação, céu, samadi; comparar com o que disseram Jesus, Paulo, Teresa, João da Cruz, Krishnamurti e outros).

     ‘Com Cristo (com a percepção) tem início a verdadeira vida (Krishnamurti: o novo modo de existir; a iluminação), que se difundirá até se tornar universal. Aí será o fim da velha ordem. Depois disso, desaparecerão as ‘regras’, ‘autoridade’, ‘poder’; todos serão livres e iguais.’ (budismo) (sem o percebimento, a vida não tem sentido; com ele, o homem não mais precisará de regras e autoridades; todas suas ações, então, serão corretas).

     ‘Mas, aquele que alcançou a regeneração (o novo nascimento), vê sua vida terrestre como a pior das prisões (se comparada com ele). Nesse reconhecimento ele compartilha a cruz de Cristo...’; ‘O homem..., escondido na figura humana externa, está tanto no paraíso quanto Deus, e Deus está nele e ele está em Deus...’ (Boheme) (o homem é um com Deus; ‘eu e o Pai somos um’).

     ‘...essa sabedoria soberana (obtida pela iluminação) é de tão grande excelência que nenhuma faculdade ou ciência humana pode comparar-se a ela.’ (João da Cruz).

     ‘Ó, como a alma se sente feliz quando consegue escapar da casa de sua sensualidade! (no despertar, ao deixar de lado os sentidos, memórias, pensamentos, emoções). Ninguém consegue compreender isso, penso eu, a não ser aquele que já tenha passado por tal experiência... Tal é a doçura e prazer profundo que esses toques de Deus provocam, que apenas um deles é recompensa mais que suficiente para todos os sofrimentos da vida, por maiores que tenham sido.’ (João da Cruz).

     ‘...e, num quarto de hora, vi e aprendi mais do que veria e aprenderia em muitos anos de universidade. Por essa razão estou muito admirado e dirijo a Deus minha oração, agradecendo-lhe, porque vi e compreendi o ser de todos os seres, o abismo dos abismos e a geração eterna da santíssima trindade, o descendente e a origem do mundo e de todas as criaturas (o próprio Deus)...; (antes) havia iniciado árdua batalha contra minha natureza corrompida (concepção inculcada no homem pelas religiões populares)..., e, ajudado por Deus, uma luz maravilhosa surgiu dentro de minha alma... e nela reconheci a verdadeira natureza de Deus e do homem, e a relação existente entre eles (o auto-conhecimento que nos faz perceber que todos somos um só)... que entra na alma como um clarão súbito... (‘como o relâmpago que corre do leste para o oeste’)... de repente o meu espírito rompeu as barreiras (do ego, foi além do ego, do ‘eu’)..., mas a grandeza do triunfo que surgiu no espírito não posso exprimir por palavras escritas ou faladas (indizível, como diz Paulo). Tampouco posso compará-la com qualquer outra coisa... a não ser com a ressurreição da morte (o nascer de novo)..., pois o Cristo, o filho de Deus, tem que nascer em você (você tem de se iluminar), se você deseja conhecer a Deus. ’ (Boheme).

     ‘... E aquele pobre rapaz pensa que é um anjo exilado do céu. Quem, dentre nós, tem o direito de desapontá-lo (negá-lo)? Serei eu, eu, que tantas vezes me vejo suspenso deste mundo por um poder mágico? Eu, que pertenço a Deus? Eu, que constituo um mistério para mim mesmo? Terá ele escalado um degrau mais arrojado na fé? Ele crê; sua crença, sem dúvida, o levará a um caminho luminoso, semelhante àquele pelo qual eu caminho..., o caminho que conduz ao infinito (Deus)’ (Balzac).

     ‘Sinto e sei que a morte não é o fim de nada, como pensávamos, mas, na verdade, é o autêntico princípio e que, com ela, nada se perdeu, nem pode perder-se ou morrer... O comando interior (o percebimento), potente, sentido, mais forte do que as palavras... tenho certeza de que ele, realmente, se origina de Ti...’; ‘Tu, ó Deus, iluminaste minha vida com raios de luz serenos, inefáveis, concedidos por Ti, luz rara, indizível, iluminando a luz verdadeira (iluminando a outra luz, a do sol), além de todos os sinais, descrições e línguas (além de toda compreensão)... Que clarão e infinito que tudo arrastam! Comparado com isso, que mísero frangalho parece tudo o mais.’ (Whitman) (àquele que chegou, ‘como parecem prosaicas todas as coisas!’, como diz o poema Zen).

     ‘... para os que não viveram os mesmos pensamentos (os que não passaram pela experiência), as palavras dos que falam sobre essa vida (iluminada) devem soar falsas... Ela alcança os simples e os humildes, os que se desfizeram do orgulho e da presunção (o que se consegue pela meditação); chega como uma súbita percepção (num relâmpago), com serenidade e grandeza. ’ (Ralph Waldo Emerson, ‘Consc. Cósmica’).

     ‘... só então saberá como todas as coisas da nova aliança (a iluminação) são percebidas espiritualmente, pois só então conhecerá a única divindade verdadeira e seu Cristo. Assim, a razão saberá, com absoluta certeza, por sua própria experiência, que tudo aquilo que o primogênito (Jesus), Paulo e outros sabiam sobre a verdade, e eles a conheciam plenamente, chegou até eles por meio de revelação interna, e não por sinais ou milagres externos... ’ (C.P.) (a percepção vem do interior, pelo caminho que leva ao eu; interioridade e não exterioridade).

     ‘Enquanto as rajadas do desejo perturbarem a expansão celestial do coração (forem obstáculo ao percebimento), haverá pouca possibilidade de vermos o Deus resplandecente.’ (Ramacrishna) (são obstáculos à meditação; perturbam a expansão da consciência).

     ‘... e eu o ressuscitarei no último dia. ’ (Jo 6:40) (o percebimento é como a ressurreição para uma vida nova, um novo nascimento, o nascer da consciência cristica em nosso interior; um novo homem entra em cena).

     Nesse dia sabereis que ‘eu estou no Pai, vós em mim e eu em vós.’ (que todos somos um) (Richard M. Bucke, ‘Consciência Cósmica’).

     ‘... aquele que crê em mim tem a vida eterna.’ (Jo 6:47) (o percebimento revela que não existe morte).

     ‘... o espírito é que vivifica, a carne para nada aproveita.’ (Jo 6:63) (durante a fase biológica do viver, a carne tem sua serventia; mas, para a iluminação, a propiciadora é a consciência livre do ego).

     ‘... as palavras que vos digo são espírito e vida. ’ (Jo 5:63) (pois se praticarmos o que ele nos ensinou chegaremos ao espírito, a Deus, à vida real).

     ‘... se alguém tem sede (de luz), venha a mim (vá ao eu, pois o caminho é para o interior) e beba (isto é, receba a luz, perceba a luz que já está em nós). ’ (Jo 7:37).

    ‘...Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; porque àquele que tem, mais se lhe dará, mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado... porque eles vendo não vêem e, ouvindo, não ouvem nem compreendem... bem-aventurados sois vós porque vedes e ouvis...’ (Mat. 13:11 ss) (vós = os que chegaram à iluminação; vêem, ouvem e compreendem, por isso são bem-aventurados; àquele que têm o percebimento, mais se dará de glória, felicidade, sabedoria e amor; ao que não o tem, até o que possui de felicidade lhe será tirado, pois sem o percebimento, ‘muitos pesares por certo ainda terá’).

     ‘...Todas as coisas foram feitas por ele (o Verbo) e, sem ele, nada do que foi feito se fez... (Jo 1:3) (o verbo, a palavra, o pensamento, o fator do primeiro dualismo que produziu a divisão ‘eu e não-eu’, ‘eu e o mundo’; não houvesse o pensamento, ação do ego, nada existiria, nada seria feito, pois haveria apenas o Um, a unidade absoluta, nenhuma divisão, nem tempo, nem espaço, nem objetos, nem seres; por isso todas as coisas do espaço-tempo foram feitas pelo verbo e, sem ele, nada

se fez).

      “ninguém vem a mim se o Pai q me enviou não o mandar a mim,,,

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     EXTRATOS do “Curso Avançado de Filosofia Yogui”:

     Considere cada ato, pensamento, gesto, movimento, insinuação, sorriso, olhar, palavra, passo, exemplo, idéia, serviços divinos (pois Deus é que está operando em nós o pensar, o querer e o fazer; somos apenas máscaras de Deus, estamos envolvidos no grande drama da criação, cujo ator é apenas um em todos os personagens: Deus).

     Veja Deus em tudo, em todo ato, circunstância e evento, em todas as pessoas, seres e coisas. Todo lugar, toda coisa e todo ser é Templo de Deus, é Deus mesmo (‘vós sois o templo do Altíssimo’). Estamos, em todo lugar e tempo, sempre em sua presença, perante Sua vista e Seu saber (sufismo) (Da Bíblia Cristã: ‘nele vivemos, nele respiramos; Deus está acima e abaixo, à direita e à esquerda, atrás e a frente, dentro e fora de nós’).

     O amor de Deus se estende, incondicionalmente, a todos os seres, não importando se estes o amem ou não, creiam ou não, ou o neguem. Deus não exige serviço, nem adoração, nem oração, nem reverência. Deus está além de tudo isso. Há, sim, benefícios àqueles que se abrem ao amor divino, mas este amor se dirige, incondicionalmente, a todos. O sábio reconhece que a oração mais sentida ou comovente não traz o favor de Deus; que Ele não se deleita pelas orações dos homens, por suas súplicas ou louvores. Contudo, a oração é um benefício para o homem pois, por meio dela, o homem se abre e se entrega a Deus e pode entrar em harmonia com o infinito, e, então, terá esse amor, poder e sabedoria.

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     CITAÇÕES de Teresa de Ávila e outros:

     ‘Deus está em toda parte. Onde está Deus, está o paraíso. Compreender esta verdade é ver que, para falar com o Pai, não se tem necessidade de ir ao céu, nem de clamar em altas vozes. Ele está tão perto que sempre nos ouvirá. Basta pôr-se em solidão (oração de quietude, meditação) e olhá-lo dentro de si mesma.’ (Teresa).

     ‘Depois de muito procurá-lo fora de mim, fui encontrá-lo dentro de mim mesmo. ’ (S. Agostinho).

     ‘... chama-se oração de recolhimento, porque nela tudo se recolhe, a alma, todas as faculdades, vontades, desejos, memórias, emoções, expectativas, (tudo deve ser recolhido, escondido, esquecido) e entra dentro de si mesma com Deus (onde já está Deus). Aí, o divino mestre vem ensiná-la, dando-lhe oração de quietude.’ (Teresa) (oração de recolhimento: recolhem-se os sentidos, a memória, o pensamento, o ego; com o recolhimento, vem o silêncio mental, a oração de quietude (‘aquieta-te e sabe: Eu sou Deus’, do Velho Testamento), a meditação, que pode proporcionar a percepção daquilo que buscamos).

     ‘...acostume-se a não olhar coisa alguma que a distraia... Não permaneça em lugar onde possam se distrair os sentidos exteriores...(pois a distração exterior causa distração interior); assim chegará a beber água na própria fonte. Caminha muito em pouco tempo. É viajar pelo meio mais rápido... chega-se mais depressa. ’ (Teresa) (às noviças: atenção, atenção, atenção!).

     ‘... durante a oração... recolhendo os sentidos para dentro de si mesmas. Quando o recolhimento é verdadeiro, sincero... produz tal efeito (a oração de quietude) que não sei como descrever. Entende a alma que tudo que há no mundo não é mais que um jogo, um divertimento (‘tudo é fútil e infantil’). Eleva-se, ergue-se, de repente...’ (Teresa).

     ‘...é deixar de lado todas as coisas exteriores, delas retirando os sentidos...(para isso só a cessação do eu, que a meditação torna possível); cerram-se os olhos para não mais as ver, e para mais se aguçar a vista da alma. Nelas (nas que fazem essa oração) se acende mais prontamente a labareda do amor divino. Estando mais perto do fogo, com alguns sopros do intelecto, ao saltar uma fagulhinha, logo é total o incêndio... pois não há embaraços no exterior, e estão a sós com Deus (no interior).’ (Teresa) (a sós com Deus, porque o ego cessou de operar; ‘ou eu, ou Deus’; ‘Aquieta-te e sabe:Eu sou Deus).

     ‘...o palácio de Deus é nossa alma...’ (Teresa) (‘vós sois o templo do Altíssimo’, Paulo).

     ‘Há, dentro de nós, um mundo mais precioso que de modo nenhum se compara com esse mundo exterior que conhecemos...’ (Teresa).

     ‘...se sempre vivêssemos com cuidado, lembrando-nos freqüentemente de que temos em nós tal hóspede (Deus)... veríamos que as coisas do mundo são mesquinhas comparadas às que temos dentro de nós.’ (Teresa).

     ‘...Não imitemos os animais (nas coisas do mundo) que, ao verem isca ou presa fácil, logo se precipitam para saciar a fome... Durante muito tempo não o compreendi tão claramente. Bem entendia que tinha alma, mas quanto ela merecia e quem estava dentro dela, eis o que me escapava... As vaidades da vida nos tapam os olhos, e não enxergamos o que devíamos... ’, ‘...mas o Senhor não se dá de todo enquanto não nos damos de todo a ele. Isto que vos digo é coisa certa e de tal importância que o repito tantas vezes.’ (Teresa) (dar-se a Deus é a entrega de si mesmo, proporcionada pela meditação, pois afasta nosso próprio ego pensante, dando lugar a Deus. ‘Quando o eu não é, Deus é’).

     ‘...olhai para a intimidade de vossas almas; aí, achareis nosso Mestre, que jamais nos faltará...’, ‘...todos os favores humanos são mentira se desviam a alma da oração de recolhimento...’ (Teresa).

     ‘...isso, o encontro (com Deus), sucede quando a alma quer, entendei bem; não se trata de coisa sobrenatural...’ (Teresa) (quando a alma quer e, por isso, busca).

     ‘...cumpre-nos desapegar-nos de tudo para nos aproximarmos de Deus interiormente... Desejemos, sempre, retirar-nos ao mais íntimo de nós mesmas, ainda no meio das ocupações do dia-a-dia (é o que ensina o Zen). Embora dure um só instante, é de grande proveito a recordação do Senhor que nos faz companhia dentro de nós mesmas...’ (Teresa).

     ‘...a alma sente-se penetrada de tal reverência... Interiormente e exteriormente as faculdades ficam numa espécie de desfalecimento (o eu cessa)... o corpo experimenta suavíssimo deleite e a alma grande satisfação (alegria, felicidade). Tão contente está de se ver junto à fonte que se sente farta antes mesmo de beber... nada a penaliza, nada a aflige (não há mais sofrimentos, medos, culpas, remorsos)... enquanto dura esse estado de satisfação e deleite, fica de tal modo inebriada e absorta que nem pensa em desejar outra coisa...’ (Teresa) (‘... tudo o mais virá por acréscimo’).

     ‘Jesus disse: ‘Eu estou em vocês’. Valha-me Deus! Como essas palavras são verdadeiras! Como as compreende bem a alma que, estando nessa oração, sente-as (percebe-as) realizadas em si mesma.’ (Teresa).

     ‘... nossa alma é um castelo onde habita o Senhor; vejamos o que se há de fazer para penetrar no seu interior (para percebê-lo)...’ (Teresa).

     ‘Esta é a grande descoberta que Teresa divulga com seus escritos: Deus habita no íntimo da alma... (o mesmo afirmaram Jesus e Paulo) Contra ela, por isso, se colocaram vários de seus padres confessores, os quais admitiam a presença divina apenas através da graça, nunca em essência. Teresa, porém, é clara: Deus se encontra na alma, como se encontra no céu. Por isso mesmo, a própria alma é o céu, um castelo no qual se pode entrar... O corpo é a muralha do castelo, cuja entrada é a oração (meditação). ...uma alma é tão repleta quanto um mundo vivo e cheio de gente e de grandes segredos. A gente são as faculdades que, às vezes ajudam, às vezes atrapalham. Costumam se desorientar sobretudo quando o Hóspede se faz notar, quando sai de seu aposento para se comunicar com o espírito.’ (Prof. Jacyntho J.L. Brandão, UFMG).

     ‘...bem maior, que a dos animais irracionais, é nossa insensatez, pois desconhecemos o seu valor (da alma, que é criada à semelhança e imagem de Deus) e concentramos toda nossa atenção no corpo...; as riquezas que há na alma, quem nela habita, eis o que, raras vezes, consideramos. Todos os cuidados e atenção se consomem no grosseiro engaste, nas muralhas do castelo, que são nosso corpo, em vez de se consumirem naquele que ali habita.’ (Teresa).

     ‘... assim também não nos prejudica sabermos que é possível, ainda neste desterro (ainda em vida; a mansão da morte, de Krishnamurti), tão grande Deus comunicar-se a vermezinhos asquerosos como nós... Pode-se objetar que isso é impossível... mas é menor mal não o crerem alguns, do que tirar do proveito espiritual os demais... Quem se recusa a crer dificilmente terá a experiência da presença divina em si.’ (Teresa) (ela afirma que, mesmo nesta vida, podemos perceber a divindade; mostra, também, a concepção que a igreja tem do homem – ‘verme asqueroso’; como ensinam os sábios, isso se destina a manter o homem preso à igreja, pois lhe incute a idéia de que, sozinho, não pode salvar-se, de que necessita de intermediários, sacerdotes e ministros, templos, penitências e orações, confissão e comunhão, do perdão de Deus).

     ‘...pelo que eu entendo, a porta de entrada desse castelo é a oração, (a oração de recolhimento e de quietude, isto é, a meditação.) (Teresa).

     ‘...torno a afirmar: é sumamente importante entrar primeiro no aposento do conhecimento próprio (auto-conhecimento, para sabermos quem realmente somos). Aprofundar o conhecimento sobre nós mesmas, é este o caminho... todos os danos (sofrimentos e conflitos) vêm de não nos conhecermos devidamente.’ (de não sabermos quem somos) (Teresa) (quando chegamos ao autoconhecimento, percebemos que somos a própria divindade).

     ‘...nossos defeitos (ignorância, distrações, suposições, crenças, ilusões) são como ciscos nos olhos que não nos deixam ver o Senhor, que está ali, bem à nossa frente...; embora a alma não esteja em mau estado e deseje sinceramente apreciar sua própria formosura (que é o próprio Deus), é quase impossível desvencilhar-se de tantos impedimentos (distrações).’ (Teresa) (só pela meditação se pode fazê-lo).

     ‘... mesmo mergulhados em nossos pensamentos, negócios, prazeres e seduções do mundo, ora caindo em pecado, ora levantando-nos, apesar de tudo o Senhor não deixa de chamar-nos para que nos aproximemos dele...’ (Teresa) (Krishnamurti: ‘não ouvimos essa imensidade chamando’, e lamentava-se Jesus: ‘Os homens não me compreenderam... ’).

     ‘... Não vos desanimeis, portanto. Quando vos acontecer cair em pecado, não deixeis de querer ir adiante (na oração, na meditação)... peço aos que ainda não começaram, a recolher-se em si mesmos (a praticá-la). Aos que já começaram, que enfrentem todas as dificuldades para não voltar atrás... aí ela, a alma, as subjugará todas (às distrações, desatenções) e zombará de seus assaltos. Aí experimentará, mesmo nesta vida, tal abundância de bens, como jamais poderia supor (indizíveis)... ’ (Teresa) (Jesus: ‘Buscai primeiramente o reino de Deus, e tudo o mais vos virá por acréscimo’).

     ‘... quando não achamos quem nos ensine, o Senhor fará tudo redundar em nosso proveito, contanto que não deixemos a oração (meditação)’ (Teresa).

     ‘... é insensatez pensar que poderemos entrar nos céus sem primeiro entrarmos em nós mesmas...’ (Teresa) (o caminho é para o nosso interior, na direção do ‘eu’).

     ‘O Senhor disse: ‘ninguém irá ao Pai senão por mim’ e ‘quem vê a mim, vê o meu Pai’... Ora, se nunca pusermos os olhos nele que está dentro de nós (se não entrarmos na alma), não sei como o poderemos ver. (Teresa). (não teria Jesus dito: ‘ninguém irá ao Pai senão pelo eu’ e ‘quem vê o eu, vê o Pai’? pois o caminho é para ‘dentro, na direção onde pensamos que está nosso eu’).

     ‘... a alma se sente segura se não recua no caminho começado... ’ (Teresa).

     ‘... Entrai, entrai em vós mesmas, filhas minhas!...’ (são palavras sempre dirigidas às noviças, por Teresa; o caminho é para dentro).

     ‘... mas, sempre e sempre, humildade; considere-se sempre servo inútil.’ (da parábola de Lu 17:10; não se impaciente, nem perca o ânimo; com humildade, persevere nas tentativas de meditação) (Teresa).

     ‘...para que de tudo (de sucessos ou insucessos) tireis humildade, e não inquietação (impaciência, descrença etc)... pois somos mais amigos de prazeres que de cruzes... ’ (Teresa) (não deixe que os obstáculos o desanimem. Como falou Jesus: ‘Que te importa a ti; segue-me tu’).

     ‘...não nos perturbem o pensamento e a imaginação, nem façamos caso deles (quando, na tentativa de meditação, não cessam de fluir...). O remédio é ter paciência (perseverar)... humildade e desapego de verdade... ’ (Teresa) (é o que ensinam os místicos).

     ‘... é certo que melhor encontramos Deus buscando-o no íntimo da alma, a exemplo de S. Agostinho...’ (Teresa).

     ‘... Excelente é este modo de pensar (imaginando Deus em nosso interior), por que se baseia numa grande verdade: Deus está dentro de nós mesmas. Cada um o pode provar’ (pela meditação). (T).

     ‘...prepare-se, também, a alma para saber escutar a Deus... não discorrer, tanto quanto possível, com o intelecto (cessar com as orações discursivas), mas conservar-se atenta à divina ação... Por mim, nossa atitude deve ser... pedir, usando a imaginação e o intelecto, e esperar, não mais usando nada (silêncio mental), procurando não exercitar o intelecto tanto quanto possível (afastar o ego; oração sem palavras, meditação)... Deixar-se (entegar-se), então, nas mãos de Deus. Ele faça como quiser e fique a alma num total descuido (esquecer tudo) de si própria, tanto quanto puder...’ (T) (do Zen: ‘Esvazia-te!’, e nada de expectativas sobre o que poderá vir).

     ‘...a simples preocupação de não pensar em nada, será motivo de pensar muito...; como poderá estar despreocupado de si quem fica tão preocupado em não pensar, em não se distrair, que nem ousa mexer-se? ... Deixemo-las (as faculdades, imaginação, memória, intelecto, etc.) fazer seu ofício (isto é, não as forcemos; deixe que os pensamentos continuem vindo mas não nos agarremos a nenhum deles), até que o Senhor as promova a outro ofício maior... ’ (nada o preocupe; se acontecer, tudo bem; se não acontecer, tudo bem, também, como ensina o Zen).  ‘... sem força e sem ruído, procure atalhar o intelecto com seus discursos, sem suspendê-lo, nem à imaginação...’ (T) (Krishnamurti: sem esforço, porque isso reforça o ego em vez de afastá-lo).

     ‘...na perseverança está encerrado todo o nosso bem...’ (T) (Jesus: ‘aquele perseverar até o fim será salvo’).

     ‘...fomos chamados à oração (de recolhimento) e à contemplação (meditação, oração de quietude)... Descendemos dos santos padres do Monte Carmelo que... buscavam esse tesouro, essa pérola preciosa (da parábola)...’ (T) (igual ao primitivo cristianismo).

     ‘...já que podemos gozar do céu estando ainda na terra... pedi ao senhor que nos dê seu favor, a fim de não o desmerecermos por culpa nossa; que nos mostre o caminho e nos conceda forças para cavarmos até encontrar esse tesouro escondido, na verdade, dentro de nós mesmas. É o que gostaria de fazer-vos entender’ (T) (Krishnamurti: ‘a mansão da morte; Jesus: ‘a pérola’).

     ‘...eis, irmãs, o que faz aqui nosso Deus, para que a alma se reconheça como sua: dá-lhe o que tem de mais precioso, isto é, as condições que comunicou a seu filho neste mundo...’ (T) (o mesmo que deu a Jesus, isto é, igualdade com o Pai: ‘eu e o Pai somos um’; nós somos um com ele).

     ‘...ninguém poderá alcançar a verdade sem ter chegado à submissão à vontade de Deus...; quanto mais adiantadas estiverdes no amor ao próximo, tanto mais adiantadas estareis no amor de Deus... esse é o sinal...’ (T).

     ‘... e Deus concede-lhe um encontro... dura brevíssimo tempo... Com os sentidos e faculdades (intelecto, raciocínio, memória, imaginação) não poderia a alma, absolutamente, entender, em mil anos, o que aqui entende num relance...  ’ (T) (temos que ir além do ego, deixar as faculdades para trás).

     ‘...Descuidando-se, porém, e pondo a afeição em algum objeto, perderá tudo... Entendo que não há segurança neste mundo. Onde me parece haver mais segurança é em andar com particular atenção e cuidado (observação de si mesma; orai e vigiai). A alma que aspira tão alto, não pode deitar-se a dormir (conforme o cristianismo primitivo, o maior pecado é a desatenção; a maior virtude, a atenção; e não existe segurança física ou psicológica em nenhum tempo ou lugar) (T).

     ‘...A alma já ferida (que teve vislumbres) pelo amor de Deus, procura mais ocasiões de estar só. Conforme lhe permite seu estado, aparta-se o mais possível de tudo que lhe estorva a solidão (de tudo que a faz desatenta)... (T).

     ‘... se ainda nesta vida esperamos exultar neste bem, que devemos fazer nós? Que empecilho é tão grande que nos faça deixar de buscar, por um instante que seja, o Senhor?... Ninharia é tudo o que existe no mundo se não nos conduz e ajuda nesta empresa, ainda que durassem para sempre os deleites, riquezas e alegrias deste mundo, por maiores que se possam imaginar. Tudo é lixo e esterco em comparação a esse tesouro... Ó cegueira humana! Até quando permaneceremos com os olhos cheios de terra (sem perceber a verdade)?’ (T).

     ‘... o que é a honra? Eu prezava a honra; em quantas pequeninas coisas sentia-me ofendida! Agora disso me envergonho... E não olhava nem fazia caso da verdadeira honra que é zelar pelos interesses da própria alma. Esta é a única honra proveitosa. Como estamos sem direção! E temos a ousadia de pensar que fazemos muito, quando perdoamos um nadinha qualquer...’ (T).

     ‘Tudo que aprendi reduz-se a mostrar ao homem como despertar, em si mesmo, o divino mundo da luz. Esse mundo está aqui e agora, e meu maior desejo é abrir os olhos dos homens para esta verdade: somos aquilo que formos capazes de fazer de nós mesmos’. (pela meditação; os que chegaram lá não conseguem se calar; desperta-se neles a compaixão pelo sofrimento dos que ainda não chegaram) (Boheme).

     ‘Admira-me muito que Deus tenha-se revelado assim, plenamente, a mim, um homem tão simples, sem cultura, tão pequeno neste mundo...’ ‘Quando o mal foi vencido, a porta celestial se abriu para o meu espírito que, então, contemplou o divino e celestial Ser, não fora de meu corpo, mas exatamente na fonte do coração (dentro), onde surgiu um resplendor de luz... ’(B). (Deus habita em nós).

     ‘...reúna todas suas forças, seu coração, sua afeição, pensamentos e vontade, para, ininterruptamente, pressionar a misericórdia e o amor de Deus (pedi, batei, buscai...) Ainda que passemos por loucos, aos olhos do mundo, não devemos nos perturbar... ’ (teime na meditação; ‘a sabedoria de Deus é loucura para os homens’ e ‘que te importa a ti? Segue-me tu’) (B).

     ‘O verdadeiro céu está exatamente onde você está... Quando o seu espírito alcança a mais profunda e interior criação de Deus (o Cristo em seu interior), e nela penetra (tem percebimento), então seu espírito está no céu (atinge o reino)... ’. ‘Se queremos saber o que é o novo nascimento, devemos conhecer o que é o homem, como ele é a imagem de Deus, como Deus mora nele... ’ (Boheme) (o que se consegue pelo autoconhecimento, meditação; o homem é o próprio Deus).

     ‘Deus está a um só tempo fora e dentro de cada coisa... Assim, nada existe separado de Deus... ’(somos um). ‘O espírito santo fica em seu céu... Se perguntas onde está esse céu, eu responderei que está em teu coração... A luz que brilha em tua alma é o céu, o próprio filho de Deus. ’ (Boheme).

     ‘... olhem para dentro de si mesmos;... e quando vocês dizem que não há senão um único ser em Deus, que Deus não tem um filho, observem em seu interior e verão claramente... que em seu coração, veias e cérebro, reside Seu espírito. ’  ‘...este espírito santo, que provém de Deus, reina também em você; Deus reina no interior do homem. ’(Boheme) (‘vós sois o templo do Altíssimo’).

      ‘... não podemos mencionar coisa alguma da natureza que não seja divina, pois Deus é a única causa e Deus é o único efeito...’. ‘...é preciso que o homem se examine bem para não agir cegamente, e não procure sua pátria eterna (Deus) longe de si; ela está nele... O homem exterior, visível, não é a verdadeira imagem de Deus; é uma imagem do separador (isto é, o corpo é que limita, separa uns dos outros e de todos os objetos), um envoltório do homem espiritual; este sim é a verdadeira imagem de Deus,... é preciso que o espírito se entregue a Deus (que o ego cesse), a fim de que o interno (Cristo, Deus) se manifeste...’. ‘Se a minha vontade é um nada, isto é, se não mais ajo conforme minha vontade, mas conforme a vontade de Deus, Ele está em mim... então, não mais me conheço, mas a Ele...’ (Boheme) (como Paulo: ‘já não sou eu que vivo, mas o Cristo é que vive em mim’).

      ‘Jesus disse: ‘Busca e encontrarás’. A jóia valiosa, o reino, deve ser buscada, mas o indolente não a encontrará. Embora o homem leve consigo essa jóia, não o sabe. Porém, aquele a quem ela se revela, enche-se de felicidade, porque sua virtude é inesgotável...’ (B).

     ‘Ó homem, busca-te a ti mesmo e te encontrarás, pois tua alma é o próprio Cristo a quem buscas. Abre os olhos de teu interior (meditação), e aprende a ver corretamente (pois aquele que só vê o exterior, vê apenas aparências e ilusões; a verdade está dentro de nós)’. (B).

     ‘... quando a encontra (a jóia, a pérola, o tesouro, a iluminação)... nenhuma pena (escrito, palavras) pode expressar... (B) (Paulo: ‘vi coisas inefáveis’).

    ‘O critério humano considera-a insignificante (em geral, os homens, por não crerem, não dão atenção à busca dessa jóia que é o próprio Deus)... Ninguém repara nela... e, no entanto, não há ninguém neste mundo que não a deseje... essa pérola deve ser procurada, pois é muito mais preciosa do que tudo neste mundo... (comparado com o reino, tudo o mais é lixo e esterco, conforme Paulo, Teresa, João da Cruz)... quando a encontrares terás encontrado o paraíso, o reino dos céus... ’ (B) (Buda: ‘é o fim de todo sofrimento’; é a bem-aventurança; Jesus: ‘é a libertação’).

      ‘... para chegares a isso terás que submeter tua vontade à vontade de Deus, devendo mergulhar até o fundo em sua misericórdia (meditação); deverás renunciar a tua própria vontade (entrega total) e abster-se de fazer aquilo a que ela te conduz; deverás colocar tua alma sob a cruz com o fim de resistir às tentações da natureza humana. Se fores capaz de fazer isso, ouvirás o que o Senhor fala em ti...’ (‘fala’, está sempre falando, pois o Senhor está sempre presente, mas não temos, ainda, condições para percebê-lo). ‘Perceberás, então, que toda sabedoria humana é um despropósito...’ (B) (Paulo: ‘a sabedoria dos homens é estultícia perante Deus’, e ‘a sabedoria de Deus é loucura para os homens).

     ‘... silencia (limpe-a de tudo, seja bom ou mau), portanto, tua mente, e ela, através da prece (meditação), se dispõe a encontrar essa jóia que, para o mundo parece coisa insignificante, mas que é tudo para os filhos da sabedoria (para os que sabem, porque já chegaram, como também disse Jung)... O caminho para o amor de Deus (para a iluminação) é uma loucura para o mundo, porém é sabedoria para os filhos de Deus;... mais brilhante que o sol, mais doce do que a coisa mais doce, mais forte do que toda a força... mais embriagador e agradável do que tudo que possamos imaginar de delicioso neste mundo...’ (é essa jóia, a verdade que liberta e traz bem-aventurança...) (B).

     ‘Deus prefere, de ti, o menor grau de pureza de consciência (mente não poluída por pensamentos, associações, emoções, imaginações, que são obstáculos ao percebimento), do que quantas boas obras fizeres (‘não é pelas obras que sereis salvos’)... Deus quer, de ti, o menor grau de obediência e sujeição (aos ensinamentos), do que todos esses serviços que ‘pensas’ prestar-lhe.’ (João da Cruz) (analise com cuidado!).

     ‘Ó, amor de Deus, tão pouco conhecido! Quem te encontrou a fonte, repousou. ’ (J. Cruz) (de nada mais tem necessidade; ‘... tudo o mais virá por acréscimo’).

      ‘...na solidão de todas as coisas (meditação), (a alma) comunica-se interiormente com Deus, num sossego saboroso, pois o seu conhecimento (de Deus) é em silêncio divino...’ (conhece-se a verdade, as coisas de Deus, através do silêncio do cérebro, da mente, isto é, na meditação) (J. Cruz).

     ‘Eu não te conhecia, Senhor meu, porque ainda queria saber das coisas (do mundo; como S. Agostinho) e saboreá-las...’. ‘Meu Deus, não és um estranho para quem não for esquivo contigo; como dizem, então, que te ausentas? ...’ (isto é, Deus está sempre presente e, de modo consciente para quem encontrou a verdade; não se pode dizer que Deus não existe ou que está distante, alheio a nós; só não lhe sentimos a presença porque não chegamos lá). (J. Cruz).

     ‘... para encontrares a verdade... só muita humildade, negação das coisas do mundo, purificação da alma de estranhos desejos, posses e apetites... pondo de lado teu gosto e inclinação...’ (J. da Cruz) (isso se consegue pela meditação; ver Pesquisas Científicas sobre a Meditação Transcendental; ver, também, a ‘Doutrina Suprema’ de Benoit. Se você usa a humildade antes de ter chegado , essa virtude ou é forçada, ou falsa ou incompleta).

     ‘...aplica-te à solidão acompanhada de oração e santa e divina leitura, e aí persevera, esquecendo-te de todas as coisas.’ (oração de recolhimento e de quietude, meditação; persevera, ‘pedi, buscai, batei’). ‘...quem deseja a luz, entre dentro de si mesmo e trabalhe na presença daquele que sempre está ali presente...’(J. Cruz) (idem, Teresa de Ávila).

     ‘...traga interior desapego de todas as coisas e não ponha o gosto (afeto, confiança, desejo) em qualquer temporalidade (coisa do mundo); assim, sua alma colherá bens que não conhece (indizíveis). (J.Cruz).

     ‘...no silêncio (da mente), a voz de Deus é ouvida pela alma.’ (a iluminação). ‘...o costume de falar muito, um pequeno apego a qualquer pessoa ou coisa, roupa, livro, cela, comida, conversas,... gostinhos em saborear, em saber, em ouvir coisas... não somente impedem a união, como impedem que se chegue à perfeição.’ (a distração, como ensinam o Zen e o cristianismo primitivo, impede a meditação) (J. Cruz).

     ‘Detive-me e esqueci-me... ’ (a meditação faz deter tudo, esquecer tudo, a ação dos sentidos, pensamento, memória, emoção, imaginação, quem é, onde está, o que faz etc.) (J. Cruz) (Para a mente silenciar: atenção total ao próximo pensamento que vai surgir em seu cérebro. Experimente!).

     ‘O templo mais decente e propício para orar é o interior de nós mesmos,... Deus é o tesouro escondido aí, no campo da alma... O centro da alma é Deus... Em realidade, verifica-se na alma o que diz Paulo: ‘vivo, já não eu, mas Cristo é quem vive em mim...’ (J. Cruz).

     ‘...a alma é o lugar onde, certamente, encontra-se Deus, é onde Deus se esconde... o que primeiro a alma tem que fazer para conhecer Deus é o exercício do próprio conhecimento (auto-conhecimento). (Veja-se Teresa, e outros, que dizem a mesma coisa)...  Se Deus está em ti, porque não o percebes? Porque ele está escondido e tu não te escondes, não penetras (pela meditação) no esconderijo dele (que é teu interior)...’ (J. Cruz).

     ‘Buscai Deus lendo e o encontrareis meditando (leituras que inspiram induzem à meditação, o caminho para se encontrar Deus)... O melhor é aprender a conservar em silêncio as potências (faculdades da mente, imaginação, raciocínio, pensamento, remorsos, emoção, sentidos, memória), fazendo-as se calarem para que se possa ouvir a voz de Deus...’ (J. Cruz).

      ‘...o filho de Deus, o Pai e o espírito santo, estão escondidos no interior da alma... O que mais desejas, ó alma, se tu mesma és o local onde ele habita? Toda felicidade e alegria se acham tão perto de ti, a ponto de estarem dentro de ti... Que mais queres? Porque o buscas fora de ti, nos templos, nas igrejas, nas montanhas, campos, na imensidão dos céus, se aquele que buscas está bem aí, dentro de ti?’ (J.Cruz) (Paulo: ‘vós sois o templo do Altíssimo’; Jesus: ‘o reino dos céus está dentro de vós’; idem, S.Agostinho).

     ‘...Assim, se o homem quer despertar, se quer compreender a si mesmo (auto-conhecimento), deve enfrentar o fato de que o verdadeiro caminho para Deus é para dentro; deve dirigir-se diretamente para seu interior; não há outro caminho...’ (Paul Brunton, Ph.D., yoga).

     ‘Aqueles que se esforçam, providos de yoga (meditação), percebem Deus morando no ‘eu’. ’ (hinduísmo).

     ‘A viagem redentora é na direção para dentro de nós. Ali se encontra o Senhor, Brahman, o Ser Absoluto.’... ‘Vamos praticar e praticar até que possamos dizer: Eu e meu Pai somos um.’ (Hermógenes) (‘pedi, buscai, batei’).

     ‘...não obstante nossa aparente miséria, nossas aparentes imperfeições e fraquezas, nossa aparente pequenez, reduzida visão e compreensão,... aqui, dentro de nós, se encontra o Senhor.’ (Hermógenes).

     ‘... quando mais aprendo é quando, sentado, sentidos desligados (inoperantes, cérebro em silêncio), corpo relaxado, mente silente (meditação), mergulho dentro do eterno aprendiz que sou, tento compreender-me (auto-conhecimento), buscando entender a linguagem silenciosa, mas infinitamente expressiva, do universo interno e profundo que eu sou (Deus).’ (Hermógenes) (veja C.G. Jung, nas diversas obras publicadas; do Zen: ‘o mais importante é sentar-se’).

     ‘As potencialidades infinitas do Ser Supremo, que nós somos, não chegam a se manifestar, pois nos encontramos condicionados por vícios, hábitos, posses, afazeres, doutrinas, ideologias, partidos, preconceitos, culturas, crenças, dogmas, ilusões e estúpidas vaidades que, embora nos empobreçam, limitem (a vida, a mente, a liberdade) e façam sofrer, são por nós defendidos como fatores de nossa total segurança, nos quais depositamos ilimitada confiança (em face de nosso condicionamento).’ (Hermógenes) (ver Krishnamurti e outros, para saber que não existe segurança, nem física, nem psicológica, em nenhum lugar, tempo ou condição e que temos medo de abandonar o conhecido para buscar o desconhecido).

     ‘No dia que eu conseguir deixar de ser Antonio, Pedro,... e passar a ser a realidade que todos somos (ver H. Benoit, Doutrina Suprema), a Alma Universal, que cada um é e eu também sou, só então terei chegado (à verdade) e nada mais me perturbará. ’ (não haverá mais problemas, conflitos, nem sofrimento, nem ignorância) (Hermógenes) (Buda: ‘é o fim de todo sofrimento’).

     ‘Senta-te, emudece o cérebro, aquieta-te, e em solidão medita... Junta-te a ti mesmo. Une-te àquele que és Tu mesmo (‘eu e o Pai somos um’)... Persiste, continua batendo; bate sempre; a todo instante; persiste batendo mesmo que duvides que exista uma porta.’ (Hermógenes) (Jesus: ‘pedi, batei, buscai’...; do Velho Testamento: ‘Aquieta-te e sabe: Eu sou Deus’).

     ‘O Ser espiritual que habita em ti é Bagavan, Deus, e isso (a percepção disso) tu tens que realizar. ’ (ninguém e nenhuma religião realizarão isso por ti). (Hermógenes).

     ‘Devemos experimentar, tentar experimentar, a realização (o encontro de Cristo em nós) aqui e agora.’ (por que deixar para depois, se depois os argumentos serão os mesmos? e, com a realização, a vida será totalmente plena, só então a vida terá sentido) (Mouni Sadhu).

    ‘...Se você quiser experimentar esse novo nascimento deve afastar-se de todos os agrupamentos e voltar ao ponto de partida, ao centro de sua alma (ao interior). Os agrupamentos são a memória, as associações, a vontade, as crenças, as ilusões, as emoções em todas suas diversificações e movimentos (o ego). Deve deixar tudo isso: a percepção dos sentidos, a imaginação, e tudo que descobrir em si e tudo que você é... ’ (Eckhart) (afastar o ego, para que sejas um novo homem).

     ‘... pregamos a sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus determinou antes de existir o tempo, para nossa glória (isto é, para que alcancemos a percepção de que somos a própria divindade), sabedoria que nenhuma autoridade deste mundo conheceu. É como está escrito: ‘Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64:4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam.’ (que seguem os ensinamentos) (I Cor 2:7ss).

     ‘Eu gostaria de deixar bem claro que, com o termo ‘religião’, não me refiro a uma dada profissão de fé religiosa. A verdade, porém, é que toda confissão religiosa, por um lado se funda originalmente na experiência do numinoso (sobrenatural, transcendental) que, na experiência religiosa pode ser o influxo de uma presença invisível que produz transformação especial na consciência; tal, pelo menos, é a regra universal; e, por outro lado, na fé e na confiança relativa a uma experiência de caráter numinoso e na mudança de consciência (o nascer de novo) que daí resulta. Um dos exemplos mais frisantes, nesse sentido, é a conversão de Paulo. Poderíamos, portanto, afirmar que o termo ‘religião’ designa a atitude particular da consciência transformada (expandida) pela experiência do numinoso... ’ (Carl Gustav Jung).

     ‘Os sonhos que escolhi para ilustrar aquilo que chamo de ‘experiência imediata’ certamente pouco significarão para um olhar inexperiente... Mas, apesar disso, a experiência individual... é sangue quente e rubro, que pulsa nas veias do homem (que a teve). Para quem busca a verdade, ela é mais persuasiva do que a melhor das religiões, do que a melhor das tradições... Se quisermos saber algo a respeito do significado da experiência religiosa para aqueles que a tiveram, esse algo é: ‘tudo’...’ (C.G.Jung).

     ‘... Por último, chega-se ao conhecimento de seu caráter divino, principalmente por uma iluminação e uma comoção interior mediante a qual Deus aclara a mente do homem (dá-lhe sabedoria) e toca sua vontade de tal modo, que o convence da veracidade e autenticidade de seu próprio sonho; reconhece Deus como seu autor, com uma certeza e evidência tão grandes, que é obrigado a acreditar, sem a mínima sombra de dúvida...

(Benedictus Pererius, S.J., 1598).

     ‘Essa experiência é exatamente como se o espírito e a carne, eternos inimigos na visão do cristianismo, tivessem feito as pazes... o espiritual e o mundano se acham conjugados numa inesperada situação de paz. A austera seriedade do espírito parece tocada por uma alegria semelhante àquela que a antiguidade pagã conhecia, perfumada de vinho e rosas. Seja como for, faz com que se esqueçam todas as dores e penas da alma’. (C.G.Jung) (Pascal: ‘alegria, alegria, lágrimas de alegria’; Buda: ‘é o fim de todo sofrimento’; Jesus: ‘é a libertação’).

     ‘...Naturalmente é difícil compreender como essa figura abstrata (a experiência de Deus, que nada é mais que uma experiência subjetiva, pois na psique do homem) desperta o sentimento da ‘mais sublime harmonia’... Mas esse tipo de experiência não é, para mim, nem obscuro, nem longínquo. Muito ao contrário: trata-se de um fato que observo quase todos os dias em minha vida profissional (de psicoterapeuta)... Conheço um número consideravelmente grande de pessoas que, se quiserem viver, terão de levar a sério sua experiência íntima...’ (a vida, daqueles que tiveram a experiência de Deus, será transformada obrigatoriamente por força do novo conhecimento, a iluminação que lhes veio dela) (C.G.Jung).

     ‘Toda alma é, potencialmente, divina. O objetivo é manifestar essa divindade, ‘controlando-se’ a natureza interna e externa. Façamo-lo pelo trabalho, pelo psíquico... por um só ou por todos os meios, e nos tornemos livres. Eis toda a religião. As doutrinas, dogmas, orações, rituais, templos e as formas, são detalhes secundários. ’ (Vivekananda) (como Withman).    

     ‘Esse estado, produzido na meditação, é o mais alto estado da existência humana... Somente para a alma que atingiu esse estado o mundo se torna realmente belo e vale a pena viver.’ (Vivekananda). (Krishnamurti e outros: a vida só adquire significado quando se chega ‘lá’; a interpretação do mundo será correta e, a vida, bem-aventurada).

    ‘...a aspiração do místico é conseguir a união consciente da alma pessoal com sua fonte, Deus. O místico entende que não basta pertencer a Deus (ou perceber, sentir); que é necessário penetrar na pletora (esfera) da divindade (confundir-se com ela), numa plena consciência de sua união com a fonte da alma... Consegue-se isso pela meditação, que traz mudança e ampliação da consciência de modo a podermos buscar a essência divina existente no ‘eu’ (no íntimo de nós mesmos).  O místico, para vivenciar o êxtase da união, não depende de nenhum intermediário (padre, pastor, santo, guru, templo). Deve inverter, de certo modo, sua consciência.’ (para dentro, e não para fora como sempre a temos) (Ralph M Lewis, Imperator da Ordem RC).

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                 Chuva nevoenta sobre o Monte Lu

                 E ondas encapeladas no Rio Che.

                 Se você ainda não esteve lá,

                 Muitos pesares por certo terá.

                 Mas, uma vez lá, e no caminho de casa,

                 Quão prosaicas parecem todas as coisas.

                 Chuva nevoenta sobre o Monte Lu

                 E ondas encapeladas no Rio Che.  (do Zen).

Se você não esteve ainda lá, isto é, se não teve o percebimento, muitos pesares ainda terá, isto é, viverá ainda em conflitos e conseqüentes sofrimentos. Mas, se esteve, não por efeito de drogas ou traumatismos, mas no caminho de casa, isto é, no caminho para a vida real e plena, na busca de Deus, como todas as coisas no espaço-tempo lhe parecerão sem importância (infantis e fúteis, segundo Krishnamurti; lixo, no dizer de Teresa de Ávila). A transformação é interior e não exterior, tanto que, antes dela e após ela, o mundo (ondas, chuva etc.) continua o mesmo; a transformação iluminadora e libertadora, acontece em nosso íntimo e não fora de nós.    ...................................................................

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Co-criando A NOVA TERRA

«Que os Santos Seres, cujos discípulos aspiramos ser, nos mostrem a luz que
buscamos e nos dêem a poderosa ajuda
de sua Compaixão e Sabedoria. Existe
um AMOR que transcende a toda compreensão e que mora nos corações
daqueles que vivem no Eterno. Há um
Poder que remove todas as coisas. É Ele que vive e se move em quem o Eu é Uno.
Que esse AMOR esteja conosco e que esse
PODER nos eleve até chegar onde o
Iniciador Único é invocado, até ver o Fulgor de Sua Estrela.
Que o AMOR e a bênção dos Santos Seres
se difunda nos mundos.
PAZ e AMOR a todos os Seres»

A lente que olha para um mundo material vê uma realidade, enquanto a lente que olha através do coração vê uma cena totalmente diferente, ainda que elas estejam olhando para o mesmo mundo. A lente que vocês escolherem determinará como experienciarão a sua realidade.

Oração ao Criador

“Amado Criador, eu invoco a sua sagrada e divina luz para fluir em meu ser e através de todo o meu ser agora. Permita-me aceitar uma vibração mais elevada de sua energia, do que eu experienciei anteriormente; envolva-me com as suas verdadeiras qualidades do amor incondicional, da aceitação e do equilíbrio. Permita-me amar a minha alma e a mim mesmo incondicionalmente, aceitando a verdade que existe em meu interior e ao meu redor. Auxilie-me a alcançar a minha iluminação espiritual a partir de um espaço de paz e de equilíbrio, em todos os momentos, promovendo a clareza em meu coração, mente e realidade.
Encoraje-me através da minha conexão profunda e segura e da energia de fluxo eterno do amor incondicional, do equilíbrio e da aceitação, a amar, aceitar e valorizar  todos os aspectos do Criador a minha volta, enquanto aceito a minha verdadeira jornada e missão na Terra.
Eu peço com intenções puras e verdadeiras que o amor incondicional, a aceitação e o equilíbrio do Criador, vibrem com poder na vibração da energia e na freqüência da Terra, de modo que estas qualidades sagradas possam se tornar as realidades de todos.
Eu peço que todas as energias e hábitos desnecessários, e falsas crenças em meu interior e ao meu redor, assim como na Terra e ao redor dela e de toda a humanidade, sejam agora permitidos a se dissolverem, guiados pela vontade do Criador. Permita que um amor que seja um poderoso curador e conforto para todos, penetre na Terra, na civilização e em meu ser agora. Grato e que assim seja.”

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