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(10) COMO ENTENDER O CHAMADO DOS MESTRES (Jan 2008) 1 de 2

(10)       COMO ENTENDER O CHAMADO     (Jan 2008)

(jcl-ribpreto)        

       Uma tentativa de compreender as palavras de Jesus, como estão nos evangelhos, e de outros sábios, de conformidade com o entendimento dos místicos e da filosofia da ciência moderna. Não esquecer que Jesus falou do ponto de vista de um iluminado; por isso, muitas coisas parecem, àqueles que, como nós, ainda estão na escuridão da ignorância, exageros ou absurdos.

       Obs: Embora, longo este texto pode ser lido aos poucos sem perder a seqüência.

        Primeiramente peço aos amigos q reflitam sobre essas três frases de Paulo, q estão abaixo, e tirem suas conclusões: 

 

        “É o sr q opera em nós o pensar, o querer e o fazer”,

        “... como se tivésseis algum pensamento como de vós mesmos, pois todos eles vêm de Deus”;

        “Não sois salvos por vossas obras mas pela graça de Deus”.       

.......................................................                              

      ‘Aquele que olhar para trás não pode seguir-me... ’ (desprender-se do passado, que é o próprio ‘eu’, dos planos e desejos que deixou para o futuro (e, portanto, estão na memória, no ego), e partir para o novo trabalho, o trabalho para a busca do reino (‘Buscai, em primeiro lugar o reino de Deus...) sem ter saudades, sem ficar preso às coisas antigas; deixar as lembranças e viver com atenção no presente, no Agora; só assim se segue Jesus. O passado é memória, e esta é que forma o ego, com todos os seus conflitos, medos, dúvidas, ilusões, crenças, suposições; temos, pois, de fazer cessar o passado, a memória, o ego. São finitos, e o finito nunca poderá perceber o infinito).

     ‘Aquele que não abandonar pai e mãe para seguir-me, não é digno de mim... ’ (a busca é tão enfatizada por Jesus que ele diz que pai e mãe não são tão importantes quanto ela; ‘seguir-me’ não é imitá-lo ou acompanhá-lo, mas seguir seus ensinamentos sendo o mais importante o ‘buscai em primeiro lugar... ’; ‘não é digno de mim’ significa não poder chegar à consciência crística, se não segui-lo).

     ‘Ou Deus ou Mamon. ’ (idem; felicidade ou sofrimento? Escuridão ou luz? Seguir os ensinamentos de Jesus ou continuar com os condicionamentos que nos dão interpretação enganosa, ilusória, das coisas do mundo e o conseqüente sofrimento?).

     ‘O caminho estreito e pedregoso... ’ (abandonar o velho caminho que já estamos acostumados a percorrer pelo condicionamento em que o ego está mergulhado; nós o supomos mais seguro e suave e de porta mais larga e nele depositamos toda nossa confiança, por ser nosso velho conhecido; e partir para o desconhecido, que nos traz insegurança e medo, mas aí é onde está o novo, a novidade. Tudo aquilo que é conhecido (e o ‘eu’ é tão somente produto do conhecimento) tem de cessar para que encontremos o novo, o desconhecido, o sagrado).

     ‘Renúncia...’ (ao pensar, ao modo de conhecer dualista, ao passado e ao futuro, que não passam de lembranças e expectativas, imaginações e crendices, ilusões e opiniões, dissipadoras de nossas energias, que devem ser acumuladas para o despontar do ‘satori’, a percepção do sagrado).

     ‘O Reino de Deus deve ser tomado pela espada’ (quem não se violentar e destruir o hábito e o condicionamento de pensar, interpretar, conceituar, julgar tudo o que os sentidos apreendem ou que a memória e as associações trazem, não poderá ‘entrar’ no reino; essa entrada exige reserva de energia psíquica que é constantemente dissipada pelas operações mentais: pensamento, imaginação, lembrança, preocupação, expectativas, emoções, raciocínio etc., coisas que não permitem que o cérebro fique em silêncio, coisas que constituem o ego e, como essas coisas devem cessar, temos de fazer cessar o ego, fato que a meditação pode proporcionar).

     ‘Orai e vigiai... ’ (oração ou meditação, e atenção; esteja sempre atento a tudo que faz, não para não errar, mas apenas para estar atento; quando há atenção completa não nascem pensamentos, fato que faz o ego se afastar, não interferindo com suas associações, interpretações, emoções, expectativas e memórias; e quando o ego se afasta, não há identificação com o conteúdo mental, pois este também se afasta. O conteúdo mental é o próprio ego. Não havendo a identificação com o conteúdo mental, cessam os sofrimentos e conflitos. E, quando o ‘eu não é, Deus é’, reza o Velho Testamento; e, ainda, como disse o profeta: ‘Aquieta-te e sabe: Eu sou Deus!).

     ‘É mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha, do que um rico entrar no reino dos céus...’ (não por ser rico, mas pelo inevitável apego aos bens, o que constitui medo, preocupação, distração, desatenção, obstáculos à meditação. Esta pode nos mostrar aquilo que realmente somos).

     ‘Bem-aventurados os humildes de espírito, os que choram, os mansos, os que têm sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores, os que são perseguidos por causa da justiça, os que são caluniados e perseguidos por causa do meu nome. Alegrai-vos e exultai porque é grande vossa recompensa nos céus... ’ (esses são os que chegaram ou estão chegando ‘lá’; são considerados pelos demais como tolos, ultrapassados, ridículos, fracos, loucos; mas, na realidade, são bem-aventurados; sua recompensa é grande: descobriram a jóia oculta e estão cheios de felicidade; nada lhes abala o ânimo...; eles são a luz do mundo e o sal da terra) (Mt 5). (Os humildes de espírito, pobres de espíritos: aqueles que aniquilaram o ego, o eu, alma, mente localizada, espírito...)...

     ‘Vós sois o sal da terra, a luz do mundo...’ (Vós, isto é, os que chegaram lá, pois dão sentido às coisas. Os sábios afirmam: a vida só tem significado quando se chega , isto é, quando se tem a percepção daquilo que realmente somos. Enquanto não se chega lá, enquanto não se tem o percebimento do que realmente somos, somos apenas subumanos e a vida não tem sentido; é fútil e cheia de sofrimentos).  

     ‘Brilhe vossa luz diante dos homens...’ (ao que  teve que seja apenas um vislumbre da ‘coisa’ não lhe é possível calar-se; vejam os exemplos de Jesus, Meister Echkart, Giordano Bruno e outros, que enfrentaram a morte, mas não deixaram de fazer sua luz brilhar, cheios de compaixão pelos que não conheciam,  ainda, a verdade; para eles, o sofrimento e a ignorância cessaram; para estes, continuam. E Jesus aconselhou a não se colocar a luz sob o alqueire, mas sobre o velador para que ilumine a todos...) (Mt 5:15).

       ‘Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue de modo algum andará em trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.’ (o caminho, para se seguir Jesus, é para dentro de nós, em direção ao ‘eu’; como disseram Jesus, Paulo e outros sábios, ‘o reino de Deus está dentro de nós’; para aquele que chegou onde está Deus não haverá mais trevas; somente luz e bem-aventurança; pela iluminação o mundo não mudará, mas nossa visão do mundo será totalmente mudada para melhor, para a realidade, e teremos, não mais a escuridão da ignorância, mas a ‘luz da vida’).

     ‘Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja..., mas aquele que os guardar e ensinar...’ (este é feliz, pois, se souber ensinar, é porque já chegou ‘lá’, como Jesus, Buda e outros; aquele que violar os mandamentos sofrerá, não pela violação, mas porque ainda não chegou (sofrimento natural para todos que não chegaram, pois a compreensão, fruto do percebimento do sagrado, ainda não lhes despontou).

     ‘Todo aquele que se irar contra seu irmão...’ (ainda não compreendeu; ira-se contra si mesmo, pois, conforme as tradições místicas e, hoje, a própria ciência mais avançada, ‘todos somos a mesma consciência’; por isso Jesus afirmou: ‘o que fizerdes a um destes pequeninos, a mim mesmo o fizestes’).

     ‘Reconcilia-te, primeiro, com teu irmão;... só então vem diante do altar fazer tua oferta... ’ (nada de ressentimentos; a escolha não é nossa, como ensinam os místicos e as escrituras e, hoje, a física quântica: ‘é o senhor que opera em nós o pensar e o fazer’; em conseqüência, nem o acerto, nem o erro são nossos; logo, nem o irmão, nem nós somos culpados; e, se há ressentimentos, não há clima para a meditação).

     ‘Não jureis de modo algum... Dizei somente ‘Sim’, se é sim; ‘Não’, se é não. Tudo o que vai além disso vem do maligno...’ (sê sempre sincero, leal, franco, amigo, honesto de modo que todos creiam em ti, sem necessidade de juramentos; agindo assim, as condições mentais (tranqüilidade) para a meditação melhoram. Se não agimos assim é porque estamos ainda mergulhados na ignorância; na escuridão que representa o maligno...).

     ‘Não resistas ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe, também, a esquerda. Se alguém te tirar a túnica, dá-lhe, também, a capa. Se alguém obrigar-te a andar uma milha com ele... ’ (sê pacífico, sereno, paciente, mesmo que te julguem tolo, fraco, covarde...; lembra-te que ‘a sabedoria de Deus é loucura para os homens’, como disse  ; e a serenidade é um dos requisitos para a preparação da mente que tenta a meditação; e, ainda, segundo as escrituras e, hoje, também a física quântica, nós não escolhemos, não decidimos nada, pois ‘é o Senhor que opera em nós o pensar e o fazer’).

          ‘Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem e maltratam...’ (esse é o ponto de vista do iluminado; ele compreendeu que a harmonia entre todos é importante para a qualidade de vida e, logo, para a tentativa de meditação; e mais: a escolha, a decisão para fazer alguma coisa não é nossa, pois ‘é o Senhor que opera em nós o pensar e o fazer’).

     que a perseverança na meditação pode trazer).

     ‘Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito... ’ (busque a Deus, a verdade, cujo encontro traz tudo aquilo que denominamos perfeição; isso se pode conseguir pela meditação; e Jesus disse: ‘buscai, em primeiro lugar, o reino de Deus, que tudo o mais virá por acréscimo’, isto é, com o auto-conhecimento, que é o percebimento daquilo que realmente somos, não teremos necessidade de mais nada; estaremos plenificados e livres: ‘conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’).

       ‘Que tua mão esquerda não saiba o que faz a direita... ’ (dá teu auxílio, amor, vibração, atenção, em segredo; ninguém precisa saber; se permites que outros saibam, é provável que te enchas de orgulho e vaidade, coisas que constituem distrações e perturbam a meditação. Conforme o cristianismo primitivo, o cristianismo ensinado por Jesus, a distração ou desatenção era o mais grave pecado (o mais sério obstáculo à meditação), e a maior virtude era a atenção).

     ‘Não jureis de modo algum... Dizei somente ‘Sim’, se é sim; ‘Não’, se é não. Tudo o que vai além disso vem do maligno...’ (sê sempre sincero, leal, franco, amigo, honesto de modo que todos creiam em ti, sem necessidade de juramentos; agindo assim, as condições mentais (tranqüilidade) para a meditação melhoram. Se não agimos assim é porque estamos ainda mergulhados na ignorância; na escuridão que representa o maligno...).

     ‘Não resistas ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe, também, a esquerda. Se alguém te tirar a túnica, dá-lhe, também, a capa. Se alguém obrigar-te a andar uma milha com ele... ’ (sê pacífico, sereno, paciente, mesmo que te julguem tolo, fraco, covarde...; lembra-te que ‘a sabedoria de Deus é loucura para os homens’, como disse Paulo; e a serenidade é um dos requisitos para a preparação da mente que tenta a meditação; e, ainda, segundo as escrituras e, hoje, também a física quântica, nós não escolhemos, não decidimos nada, pois ‘é o Senhor que opera em nós o pensar e o fazer’).

     ‘Dai a quem vos pede e não fujais daquele que vos quer pedir emprestado...’ (quando auxilias alguém, estás auxiliando a todos em geral, e, logo, a ti mesmo; não esquecer que todos nós somos apenas um).

          ‘Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis?’ (que fazeis de mais? E, por cima, estais ainda na ignorância, errando, pois todos somos um e ninguém escolheu ter esse ou aquele comportamento. Ainda mais, o amor verdadeiro só se adquire quando se tem o percebimento de que ‘eu e o Pai somos um’, que a perseverança na meditação pode trazer).

     ‘Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito... ’ (busque a Deus, a verdade, cujo encontro traz tudo aquilo que denominamos perfeição; isso se pode conseguir pela meditação; e Jesus disse: ‘buscai, em primeiro lugar, o reino de Deus, que tudo o mais virá por acréscimo’, isto é, com o autoconhecimento, que é o percebimento daquilo que realmente somos, não teremos necessidade de mais nada; estaremos plenificados e livres: ‘conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’).

       ‘Que tua mão esquerda não saiba o que faz a direita... ’ (dá teu auxílio, amor, vibração, atenção, em segredo; ninguém precisa saber; se permites que outros saibam, é provável que te enchas de orgulho e vaidade, coisas que constituem distrações e perturbam a meditação. Conforme o cristianismo primitivo, o cristianismo ensinado por Jesus, a distração ou desatenção era o mais grave pecado (o mais sério obstáculo à meditação), e a maior virtude era a atenção).

 

      ‘Quando orardes, entrai no vosso quarto (dentro de vós mesmos) e, fechada a porta (cessada a ação dos sentidos e da mente) orai a vosso Pai que vos ouve em oculto (no mais íntimo de vosso ser; orai em silêncio, a ‘oração de recolhimento’, ensinada por Teresa de Ávila e pelos místicos, oração sem palavras ou pensamentos, oração em que todos os sentidos, memória e esperanças são ‘recolhidos’; sem qualquer movimento ou operação da mente; essa oração, se bem feita, pode resultar na ‘oração de quietude’, na qual há completo silêncio mental, o ego cessa (‘ou eu, ou Deus’) e, com ele cessam todos os condicionamentos e ilusões, e a ‘coisa’ pode acontecer... (MT 6:5).  

       A oração ‘o Pai Nosso’, contida nos Evangelhos, é bem possível que fosse assim, pois Jesus já conhecia a verdade de que era ‘um com o Pai’, sabia que todos somos um só; que a vontade de Deus sempre prevaleceria:

      ‘O Pai nosso está no céu e em todo o universo; seja o seu nome, Eu Sou, que é o mesmo ‘eu sou’ de todos nós, considerado sagrado por todos (considerado de suma importância pois representa a própria divindade, a Consciência Universal). Venha a nós a percepção de que somos de seu reino, de sua mesma natureza. Que saibamos que a vontade de Deus é feita, inapelavelmente, tanto em nós (pois a escolha, as decisões não são nossas), na terra, como nos céus, e em todo o universo (portanto temos de aceitá-la, pois não há o que fazer contra ela). E que tenhamos, cada dia, a energia para o impulso necessário para nos levar a essa percepção. Que perdoemos sempre os nossos devedores (pois as ações que fazemos, como as que eles fazem, não são nossas; nada escolhemos, pois “É o Senhor que opera em nós o pensar e o fazer”). Que não caiamos na tentação de praticar atos errados, dos quais mais tarde nos arrependamos (e, por isso, soframos remorsos); e saibamos, pois, livrar-nos da prática do mal e, por experiência própria, que o reino divino de poder e glória já é nosso desde todo o sempre. Assim seja’

A oração não conteria pedidos a Deus, mas exortações, lições aos homens. Afirmam os sábios e, hoje, a filosofia da física quântica, que nada fazemos por nós mesmos, não escolhemos, nada decidimos; logo, não há o que perdoar ou pedir para nós ou para outrem; já estamos ‘lá’, só nos falta a percepção desse fato, percepção que é a coisa mais importante a ser tentada pelo homem, como asseguram os iluminados e os grandes psicólogos da moderna psicologia transpessoal e outros, como o renomado psicoterapeuta Carl G. Jung.

      ‘Se não perdoardes aos homens suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará... ’ (quando tiveres amor e compreensão suficientes para perdoar as ofensas dos outros, talvez seja sinal de que estás próximo da percepção do Pai; aí, verás que nada há a ser perdoado a ninguém; não escolhemos os erros nem os acertos; toda escolha vem de Deus; talvez, ignorantes por não termos chegado ainda lá, julguemos que não somos perdoados, pelo Pai, pelos erros que praticamos e que, por isso, ainda somos castigados, pois, para nós, ainda haverá sofrimento, sinal de que estamos distantes daquela percepção, distantes da compreensão).

      ‘Não ajunteis para vós tesouros na terra...’ (trarão mais apego e tornarão mais difícil a busca, pois isso traz preocupação, desatenção, medo que são obstáculos à meditação). ‘Ajuntai tesouros nos céus... ’ (isto é, buscai a Deus cuja percepção é o maior tesouro que se pode encontrar, inimaginável e incomparável, tanto que quem o deseja até ‘abandona pai e mãe’, ou ‘vende tudo o que tem para comprar aquele campo’).

      ‘O olho é a luz do corpo; se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado; se teu olho estiver em mau estado, todo teu corpo estará em trevas; se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser tuas trevas...’ (o olho, o canal mais importante e perfeito de comunicação com o exterior, que nos proporciona a percepção do mundo e sua interpretação pela mente; se esse canal é são, isto é, se já proporciona a interpretação correta,  será porque tivemos a percepção do divino; então conhecerás que tu mesmo és muito mais do que aparentas ser porque já superastes os condicionamentos; para isso, autoconhecimento, que só pode vir com a meditação...; se teu olho é são, isto é, se já vês sem obstáculos (se já interpretas corretamente) é que tens aquela percepção, estás iluminado; se teu olho está em mau estado, isto é, se ainda interpretas erradamente, é sinal de que estás ainda condicionado pelas crenças, religiões, cultura, ilusões, suposições, isto é, estás ainda distante da percepção de Deus e, para ti, ainda haverá trevas, sofrimentos e conflitos).

      ‘Ninguém pode servir a dois senhores... Não podeis servir a Deus e às riquezas... ’ (dinheiro, poder, glória, fama, tudo que o dinheiro, o poder ou outra qualquer coisa pode comprar, o que faz aumentar o orgulho ou a vaidade de ter mais, que, como vimos, são obstáculos à meditação).

      ‘Não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, como vos vestireis...’ (nada escolhemos e o Pai é o supridor, o suprimento e o suprido; a preocupação não nos deixa viver no presente eterno; faz-nos viver com as lembranças das coisas que não fizemos ou que fizemos no passado e, com a imaginação naquilo que temos a fazer no futuro, no vir a ser; assim, sempre lembrando ou esperando, nunca estamos no Agora (que é o único tempo que existe), fato que mostra que não estamos atentos ao presente; a atenção impede a dissipação de energia necessária para o despertar, energia que se perde com as operações mentais).

 

      ‘Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e tudo o mais vos virá por acréscimo... ’ (este é o mais importante trabalho que o ser humano tem de fazer, senão porque deveria, esse estado de bemaventurança, o reino, ser buscado em ‘primeiro lugar’, ser a primeira coisa a ser procurada? Com o percebimento do divino, estaremos completos; à luz dessa percepção cessam todos os conflitos, ignorância, dores e necessidades; e, conforme Jesus, é o que deve ser feito em primeiro lugar, antes de qualquer outra coisa, pois essa condição, o reino, é maior que qualquer outra posse ou bem. Encontrado o reino compreenderemos a afirmação de Jesus quando disse: ‘Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’, porque isso é a nossa libertação de toda a ignorância e de todo o sofrimento).

     ‘Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã... a cada dia basta seu cuidado; o amanhã cuidará de si mesmo... ’ (as experiências do dia-a-dia trazem amadurecimento; por isso, sempre atenção ao presente, particularmente às nossas reações internas, psicológicas, decorrentes da percepção dos eventos externos, do mundo. Não nos preocupemos com os dias futuros, nem com os dias passados, pois isso nos afasta da única coisa real, o Agora... Atenção, apenas, ao presente sem fim, que é a própria eternidade; e, além disso, não nos esqueçamos de que não escolhemos, não decidimos nada em nossa vida, embora nos pareça que escolhemos e que decidimos).

     ‘Não julgueis..., não olheis o argueiro no olho de vosso irmão...’ (nem sabemos o tamanho da trave que está em nossos olhos; nada escolhemos; o argueiro no olho do irmão (o erro, o defeito, o vicio) não foi culpa dele, portanto; quando não nos preocupamos com julgamentos etc, não estamos dissipando energia que é necessária para o ‘satori’...).

     ‘Não lanceis aos cães as coisas santas...’ (para muitos, o momento de se interessar pela auto-realização ainda não chegou; como no budismo Zen: ‘se você tem alimentos (conhecimentos) sobrando, deixe a porta aberta e os alimentos à vista; aquele que desejar, entre e se sirva’; não force ninguém. No entanto, Jesus ensinou que se deve colocar a luz, não sob o alqueire, mas sobre o velador, para que ilumine a todos. Mas, disse também: ‘Não atireis perolas aos porcos que eles as destruirão com as patadas’, isto é, nunca tente impor sua verdade).

     ‘Pedi, buscai, batei...’ (isto é, seja perseverante na tentativa de ir além; tente e tente a meditação).

     ‘Quem dentre vós dará uma pedra ou uma serpente se vosso filho vos pedir pão ou peixe? Se vós, que sois maus (que ainda não percebestes), sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem...’ (novamente, pedi, buscai, batei, isto é, perseverai... pois as coisas que o Pai tem para nos dar são inimagináveis; como Paulo falou: ‘vi e ouvi coisas inefáveis’).

     ‘Tudo que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a Lei e os Profetas... ’ (isto é, isto resume os ensinamentos do velho testamento para uma vida melhor no espaço-tempo; agora, Jesus trouxe novas lições, não só para uma vida melhor, mas para a calma da mente e a preparação para a percepção da verdade; remorsos ou culpas são obstáculos à meditação, pois perturbam a atenção...).

     ‘Entrai pela porta estreita, pelo caminho apertado... ’ (a porta larga e fácil é a já conhecida, a vida comum; a estreita é a da busca, a desconhecida, incompreendida por muitos, e pode levar a Deus; é estreita na aparência... e, aparências não são a verdade. Segundo os sábios, ‘o mundo aceita e segue o caminho tradicional’, a porta larga e fácil, imitando e repetindo os mesmos erros, sempre e sempre e, por isso, sofre... ) 

     ‘Pelos frutos os conhecereis...; uma árvore boa não pode dar maus frutos... ’ (pelos frutos conhecereis os que estão próximos ou que já chegaram ‘lá’; a estes, o estarem ‘lá’ lhes despertou discernimento e compaixão; só agirão corretamente, só darão bons frutos, pois tiveram o percebimento).  

     ‘Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo... ’ (‘não dão bons frutos’ porque ainda errarão, pois não conheceram a verdade; os que ainda não chegaram ‘muitos pesares ainda terão’, como diz o poema Zen; mas não como castigo, e sim porque permanecem na escuridão, sem compreender e, assim, continuarão no ‘fogo’ do sofrimento).

     ‘Nem todo aquele que diz: ‘Senhor! Senhor!’ entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai...’ (essa vontade é a vontade daquele que ensinou: ‘Buscai em primeiro lugar o reino de Deus... ’ Este versículo é importantíssimo, pois mostra claramente o que deve ser procurado em primeiro lugar na vida de qualquer um; não as riquezas, o amor, o poder, a paz, ou a felicidade, mas o reino dos céus que, quando encontrado, supre todas as necessidades; nada mais precisa ser buscado; ‘... tudo o mais virá como acréscimo’.  Analise e perceba!).

     ‘Aquele que ouve minhas palavras e não as cumpre é semelhante a um homem insensato que construiu sua casa na areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa, e ela caiu, e grande foi sua ruína.’ (se não chegaram lá, ‘muitos pesares ainda terão’. As palavras mais importantes de Jesus devem ter sido estas: ‘Buscai em primeiro lugar o reino... ’, coisa que os insensatos, isto é, os ignorantes das coisas de Deus, não fazem; por isso, é como se houvessem construído sua casa sobre a areia; por mais que queiram e alcancem aquilo que, no espaço-tempo, ambicionam, nunca estarão completamente felizes porque logo estarão desejando novas coisas que os satisfaçam, novas satisfações).

     ‘A tua fé te curou...’ (não a fé na palavra do pastor, do sacerdote, mas a fé-convencimento vinda de um ‘insight’ que, instantâneo, pode acontecer não ser percebido pela nossa mente (inconsciente, portanto), ou vinda da percepção de Deus; para aquele que ‘percebeu’ não há obstáculos; ‘tudo o mais virá por acréscimo...’, como ensinou Jesus).

     ‘Que te importa a ti? Segue-me tu.’ (não se importe com o que o mundo faz, diz, ou pensa; ‘não ponha outra cabeça acima da sua’, como ensinam os sábios; seja você mesmo, independente e sem apegos; procure sua própria experiência, sem deixar que a opinião dos outros o perturbe e o faça afastar-se do caminho).

     ‘Porque receais, gente de pouca fé?’ (se não cremos, estaremos cheios de medos; tentemos, ao menos, experimentar. Alguém só pode afirmar que algo é falso, ou absurdo, depois de experimentá-lo ele mesmo).

     ‘São os doentes que precisam de médico...’ (os sãos, os que chegaram ‘lá’, não mais precisam, nem de religiões, escrituras ou crenças, nem de mais nada, pois ‘o demais lhes virá por acréscimo’).

     ‘Não vim chamar os justos, mas os pecadores.’ (idem).

     ‘... ide, antes, às ovelhas perdidas’ (os que chegaram ensinem aos que ainda não chegaram e, por isso, estão perdidos, pois não conhecem a verdade)...

     ‘Por onde andardes anunciai o reino de Deus’ (ensinai como chegar lá, coisa que, parece, as igrejas não fazem),

     ‘Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios... ’ (aquele que chegou ‘lá’ está convencido, pois conheceu a verdade e tudo, então, lhe é possível fazer; o ‘campo das infinitas possibilidades’, citado por Maharish Maharesh Yogi).

     ‘Recebestes de graça, de graça dai.’ (‘não é por vossas obras, mas pela graça de Deus que sois salvos’; assim, aquele que conheceu a verdade ensine como se chegar a ela, como Jesus e outros sempre ensinaram; infelizmente, as religiões organizadas não deram ênfase a esses ensinamentos, que são os mais importantes, dos quais, assim, muitos foram esquecidos). 

     ‘O operário seja digno do seu salário... ’ (‘Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’; se você busca com perseverança, seriamente e sem preconceitos, será digno do percebimento que terá).

     ‘Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos; sede, pois, prudentes como as serpentes’ (usai vosso raciocínio e inteligência), ‘mas simples como as pombas... ’ (isto é, nada receeis; sede humildes e confiantes; afinal, toda escolha vem de Deus; embora não compreendamos, tudo é obra de Deus, pois ‘é o Senhor que opera em nós o pensar e o fazer’).

 

     ‘Sereis, por minha causa, levados aos tribunais e diante de reis e governadores. Dai testemunho a eles. Não vos preocupeis com o que haveis de falar: ser-vos-á inspirado... ’ (‘o Senhor opera em nós o pensar, o querer e o fazer’; não temos a paternidade nem de nossos pensamentos; então, por que nos preocuparmos? Não adianta ‘espernear’; a escolha não é nossa, conforme as palavras de Jesus e a filosofia da física quântica).

     ‘Sereis odiados’ (hostilizados, incompreendidos, considerados loucos, tolos) ‘por causa de meu nome..., mas aquele que perseverar até o fim será salvo... ’ (‘batei, pedi, buscai... ’, isto é, teime, persevere, mesmo que os demais não o compreendam. Como disse o sábio: ‘Não seremos compreendidos nem pelos que mais nos amam, porque eles, abençoados sejam, estão dormindo e julgam que quem está despertando está ficando louco’; e Paulo: ‘a sabedoria de Deus é loucura para os homens’; e, ainda, Jesus: ‘Que te importa a ti! Segue-me tu’). 

     ‘Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma..., temei, antes, aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena... ’ (de novo, como não escolhemos, tudo pode nos suceder. Tudo é incerto e, portanto, imprevisível. Talvez, por isso, Krishnamurti tenha recomendado indiferença e uma boa dose de humor, frente aos eventos da vida. Temamos, sim, a ignorância, isto é, o não-percebimento, que pode nos ‘precipitar’  na ‘escuridão de um estábulo’, no dizer de Boheme, na geena (sofrimento), pois ainda estaremos sem compreensão das coisas do mundo. Mantenhamos a mente aberta, sem preconceitos e sem receios tolos. Busquemos o auto-conhecimento, que a meditação pode nos dar. Não esqueçamos as palavras de Paulo: ‘estudai de tudo e guardai o que for bom... ’).

     ‘Nada sucede sem a vontade do Pai... ’ (a escolha não é nossa, logo nem a decisão).

     ‘(a Pilatos:) Nenhum poder teríeis se do alto não vos fosse dado’ (idem).

     ‘Quem der testemunho de mim diante dos homens, também dele eu darei testemunho diante do Pai... Aquele, porém, que me negar diante dos homens, eu o negarei diante do Pai.’ (dar testemunho, isto é, divulgar e seguir o que ele ensinou; aquele que não fizer isso será, com certeza, porque não teve o percebimento, não compreendeu, e a ‘negação frente ao Pai’ são os muitos pesares que, inevitavelmente, ainda o acometerão, porque ainda não compreendeu).

     ‘Quem não toma sua cruz e me segue, não é digno de mim... ’ (quem não compreende que não há escolha, e que, por isso, tudo é imprevisível, não se livrará dos pesares, dos medos e conflitos. Somente quem busca (isto é, quem toma sua cruz, o trabalho de buscar) é digno da libertação que a busca pode trazer; ‘Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’).

     ‘Aquele que tentar salvar sua vida, perdê-la-á... ’ (vida, isto é, prestígio, riquezas, poder, tudo aquilo pelo que os homens, em geral, pensam que vale a pena viver; tudo isso são distrações, perturbando a meditação e o conseqüente percebimento, sobretudo se houver apego; tudo isso nos faz perder o percebimento, que constitui a verdadeira vida).

     ‘O reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam... ’ (aqueles que destroem o estabelecido, o convencionalismo e o condicionamento; os que não se amarram nem ao passado, nem ao futuro, isto é, não se prendem às lembranças nem às expectativas; isso não deixa de ser violência contra a cultura e os costumes, mas é atenção ao presente, ao aqui-agora).

     ‘Vinde a mim todos vós que estais aflitos e eu vos aliviarei. ’(os que chegam lá são aliviados. Jesus deve ter dito: ‘ide ao Eu’, isto é, penetrai no mais profundo de vós mesmos e encontrareis alívio, pois é ali onde está Deus e ali, no dizer de Buda, está ‘a cessação de todo o sofrimento’. Teresa de Ávila, às noviças: ‘não entrareis no reino dos céus se não entrardes primeiramente em vós mesmas, pois é dentro de cada uma de nós que Deus está’).

     ‘Em minha doutrina e procedendo como eu procedo, eu que sou manso e humilde de coração, achareis repouso para vossas almas... ’ (seguir seus preceitos, exemplificados por sua conduta (prática), torna possível a percepção da divindade em nós, fato que elimina todo o sofrimento, trazendo repouso para nossas almas).

     ‘A boca fala do que lhe transborda o coração...’ (sem dúvida, se estamos convencidos de que a felicidade está ‘ali’, em nosso íntimo, não nos calaremos, como Jesus, João Batista, Buda, Krishnamurti, Giordano Bruno e outros, que enfrentaram a morte por não se calarem, na tentativa de abrir os olhos dos demais para essas verdades).

     ‘A terra semeada, que produz cem por um, é aquele que ouve minha palavra e a cumpre...’ (aquele que chegou ‘lá’ de nada mais necessita e sua ação é sempre produtiva).

     ‘O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem semeia em seu campo...’ (uma minúscula semente; o trabalho, aparentemente, inglório, tolo, sem gozos, se comparado às atrações do mundo, à porta larga), ‘mas, quando cresce, torna-se um arbusto maior que todas as hortaliças...’ (o reino quando alcançado é cheio de bem-aventurança, e não se compara aos atrativos do mundo, que se apresentam, à visão humana, como coisas mais vantajosas).

     ‘Vai, vende tudo o que tens e terás um tesouro no céu. Depois segue-me...’ (isto é, desfaze-te de todas as coisas que te distraem, que te prendem, das quais necessitas e, por isso, dependes delas; depois, com atenção, aprofunda-te no ‘eu’; estarás livre para a meditação e poderás encontrar aquilo que Jesus e os místicos encontraram: o tesouro da verdade que liberta).

     ‘As raposas têm suas tocas, e as aves têm os seus ninhos, mas (quem me segue) não tem onde repousar a cabeça... ’ (pelo desapego de todas as coisas, pela incompreensão dos demais, que ainda estão adormecidos e julgam que quem está despertando é tolo, insano e, por isso, o hostilizam, na tentativa de levá-lo de volta à vida comum; portanto, teime, bata, peça...; ‘que te importa a ti, segue-me tu’).

     ‘Segue-me e deixe que os mortos enterrem seus mortos... ’ (dedica-te ao mais importante, isto é, à busca da verdade, do auto-conhecimento; já estás despertando, abrindo os olhos, começando a viver; por isso deixa que os que ainda dormem, que estão mortos para a verdade, continuem seu sono e não sejam obstáculo em teu caminho nessa busca).

     ‘Se alguém se envergonhar de mim e de minhas palavras, também eu me envergonharei dele...’ (não faltará quem te critique nessa busca; não deixes que, com isso, te embaracem. Continua teu trabalho. Quem critica o que fazes na busca da verdade ainda está longe do percebimento e, por isso, sofrerá).

     ‘Renuncia a ti mesmo, toma tua cruz e segue-me...’ (renuncia ao ‘ego’, que não passa de fantasia; vai em frente, mesmo que os mais queridos não te compreendam; a ‘tua cruz’ é a vida daquele que ainda não chegou ‘lá’; quando o ‘eu não é, Deus é’...).

     ‘Que servirá ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma?...’ (mesmo com toda riqueza e poder, a vida não terá significado enquanto nossa ‘alma’ estiver perdida, sem achar o caminho para chegar ‘lá’).

     ‘Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a esta montanha...’ (o conhecimento da verdade nos fará saber o que realmente somos e, então, nossa fé, transformada em convencimento, permitirá atos criativos inimagináveis).

     ‘Se não vos transformardes e vos tornardes como crianças não entrareis no reino... ’ (a transformação, nascida da compreensão da verdade, dá ao homem uma mente sem máculas, inocente e pura como a de uma criança; então, podereis entrar no reino).

     ‘Se alguém fizer cair em pecado um destes pequeninos (os humildes, mais fracos, inocentes, menos espertos ou menos instruídos), melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem ao mar... ’ (pois ainda não chegou ‘lá’ e, por isso, ‘muitos pesares ainda terá’. Diz Krishnamurti que a vida só tem significado quando chegamos ‘lá’, e Maharresh Yogi, que ainda somos sub-humanos enquanto não temos o percebimento; a vida será com erros, conflitos e dores por não termos, ainda, chegado lá; não terá sentido).

     ‘Os escândalos são inevitáveis, mas, ai daqueles que os causam’ (estes ainda estão longe da percepção da verdade (Deus); agem ‘erradamente’, por que interpretam incorretamente e sofrem por isso, não como castigo, mas apenas porque não tiveram a percepção; os que chegaram lá não mais erram, pois compreenderam, não sofrem mais).  

     ‘Para reconciliar-te com quem pecou contra ti, faz e tenta de tudo; só depois, se nada der certo, deixa nas mãos de Deus... ’ (não esquecer que todos somos um; primeiro façamos aquilo que Deus escolhe que façamos; depois, não nos preocupemos, pois o Pai escolhe segundo sua vontade, e sua vontade, por mais que não a compreendamos, sempre é feita, nos felicitando ou nos frustrando).

      ‘... perdoar setenta vezes sete vezes... ’ (se não temos o poder de escolher, por que ressentimentos? Perdoe sempre, pois, na verdade, nada há a perdoar, pois a escolha dos nossos atos não é nossa, mas do Senhor).

     ‘... e há eunucos (castrados) que se fizeram eunucos por amor ao reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda... ’ (eliminaram o instinto sexual, uma das maiores paixões, um dos maiores fatores da distração ou desatenção para a meditação).    

     ‘...aos homens a salvação é impossível; mas, a Deus, tudo é possível... ’ (nada escolhemos; toda escolha vem de Deus, logo...).

     ‘Os últimos serão os primeiros... ’ (porque estes já estão compreendendo a verdade; assim, tornam-se mais humildes e se colocam no último lugar; no entanto, estão mais próximos da percepção do sagrado...).

     ‘... aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo... ’ (idem).

     ‘Minha casa é casa de oração; não façais dela um covil de ladrões... ’ (a mente, onde encontramos Deus, deve estar limpa e não cheia de escórias e lixo, isto é, pensamentos, lembranças, expectativas, ilusões, opiniões emoções, imaginações, condicionamentos,  crenças, coisas que roubam a atenção e são obstáculos à meditação; quando livre de ruídos, de estática, podemos ter a percepção daquilo que é sagrado. Krishnamurti ensinou: ‘mantenha o seu quarto (a mente) limpo, arrumado (sem preconceitos), e as janelas (mente) abertas; assim, a coisa poderá entrar, a qualquer momento... ’).

     ‘Ninguém será recebido nas bodas (iluminação) sem vestes nupciais... ’ (as vestes são a necessária preparação para a meditação; se alguém não está preparado, será difícil que a coisa lhe aconteça).

     ‘... filtrais um mosquito e engolis um camelo... ’ (as coisas do mundo são interpretadas equivocadamente por aquele que ainda não esteve ‘lá’; isso lhe acarreta conflitos e sofrimentos).

     ‘Limpais por fora o copo e o prato e por dentro estais cheios de roubo e intemperança... ’ (idem).

     ‘Sepulcros caiados, formosos por fora, mas cheios de podridão por dentro... ’ (os que não chegaram ainda; como disse Boheme, místico cristão, ‘enquanto o Cristo não nascer em você, você viverá na escuridão de um estábulo, entre fezes e urina’; de nada adianta o que você tenha por fora, isto é, poder, belezas, riquezas, etc.).

     ‘... aquele que perseverar até o fim será salvo...’ (persevere na prática, sem desistir, batendo, buscando; pode suceder que, de repente, sem que você saiba a hora, nem o lugar, como na parábola, aconteça...).

     ‘Vigiai, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor; estai, pois, sempre preparados porque Ele virá numa hora que menos pensardes; não sabeis nem o dia, nem a hora...’ (idem; ‘vigiai’, isto é, esteja atento; veja, também as parábolas das virgens insensatas, do servo fiel, do ladrão).

     ‘Em verdade vos digo: todas as vezes que fizestes isto a um destes irmãos foi a mim mesmo que o fizestes...’ (Jesus não teria dito ‘foi ao Eu mesmo que o fizestes’? pois o que fazemos a outrem, fazemos a nós mesmos; todos somos um).

     ‘O espírito é pronto, mas a carne é fraca...’ (enquanto não chegamos lá, isto é, enquanto não tivermos o percebimento caímos em muitos erros e, assim, sofremos pois nossos sentidos nos farão interpretar erradamente).

     ‘Ensinai-as (às nações) a observar tudo o que eu vos prescrevi...’ (a luz não deve ser colocada sob o alqueire, mas sobre o velador para que ilumine a todos).

     ‘Aquele que faz a vontade de meu Pai, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe... ’ (aquele que segue os ensinamentos percebe ser da família dele, isto é, da sua mesma natureza).

     ‘Não julgueis, pois, com a mesma medida que medirdes, vos medirão a vós também, e com maior rigor ainda... ’ (quando julgamos alguém, agimos erradamente; nada há a ser julgado, pois a escolha não é nossa; se estamos, porém, ainda no nível de julgar, também estamos no nível de supor que nos estão julgando e de que, por isso, sofremos).

     ‘Não é o que entra, mas o que sai do homem que o pode manchar... ’ (enquanto não chegou lá; não que seja ‘pecado’ que exija corretivo; apenas mostra que esse ainda não esteve lá e, por isso, sofre).

      ‘Quão difícil é entrarem no reino dos céus os que põem sua confiança nas riquezas... ’ (pela distração, preocupação, desatenção e medo, daí resultantes; afastam-se das coisas elevadas e, assim, dificilmente, buscam o reino...).

     ‘Todo aquele que disser a este monte:... e não duvidar em seu coração, que acontecerá o que disse, obterá esse milagre... ’ (só não duvida aquele que teve o convencimento advindo da experiência de Deus e, assim, sua criatividade será inimaginável; as superposições coerentes, da física quântica).

     ‘Por isso vos digo: tudo que pedirdes na oração, crede (convencei-vos) que o tendes recebido, e ser-vos-á dado...’ (o ‘convencimento’ de que algo acontecerá, faz com que esse algo se manifeste no espaço-tempo. Jesus não disse ‘que o receberás’, que é tempo futuro, que não existe, mas que já estás recebendo. Esse conselho, não esqueçamos, vem da boca de um iluminado que percebeu que é assim).

     ‘Se não perdoardes, também vosso Pai não perdoará vossos pecados... ’ (se não temos ainda condição de perdoar é porque ainda não chegamos lá; então sofremos, pois não percebemos que não há pecado, e acreditamos que estamos sendo punidos pelos ‘pecados’ que cometemos).

     ‘Abençoai os que vos maldizem, fazei o bem aos que vos odeiam... ’ (dentro da visão de que todos somos um só, o mal que fazemos a alguém, fazemos ao todo, a nós mesmos; por isso, nunca fazer o mal).

     ‘Ao que tomar o que é teu, não lho reclames...’ (idem).

     ‘Fazei o bem sem daí esperar recompensa...’ (idem).

     ‘Não te preocupes com muitas coisas...’ (não adianta preocupar-se, pois a escolha não é nossa; como a física moderna comprova, tudo é incerto e impermanente. E não adianta se preocupar, pois escolha não sendo nossa, o que acontece é o que tem de acontecer. Essa incerteza e a impermanência de todas as coisas são a base da filosofia do Buda).

     Faça como aquele, da parábola, que, altas horas, recebendo hóspedes inesperados, bateu à porta do vizinho para pedir-lhe três pães; de tanto que bateu e teimou, importunando-o, o amigo o atendeu e deu-lhe até mais do que três pães...; bata, procure, teime, isto é, persevere na meditação; você pode ser abençoado com coisas que você nem espera, com muito mais do que pediu, que nunca imaginou. Como Paulo disse: ‘vi e ouvi coisas inefáveis’.

     ‘Bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a cumprem.’ (esses, provavelmente, chegarão).

     ‘Guardai-vos, escrupulosamente, de toda avareza (apego) porque a vida de um homem (a sobrevivência, o nível, a felicidade), ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas posses, riquezas... ’ (tudo depende da escolha, que não é nossa, mas de Deus; e a vida só tem significado, sentido, quando temos o percebimento do sagrado).

     ‘Insensato, nesta noite ainda exigirei tua alma. E tudo que ajuntaste, de quem será? Assim acontece com aquele que entesoura para si mesmo e não para Deus... ’ (aqueles que não seguem os ensinos dos mestres, por viverem egoisticamente, dificilmente chegarão, não por castigo, mas porque não acordaram ainda).

     ‘...onde estiver teu tesouro, aí estará teu coração...’ (tua atenção, teu nível de vida; o tesouro, positivo ou negativo, é obstáculo à meditação).

     ‘Não te sentes no primeiro lugar... aquele que se exalta será humilhado.’ (orgulho, arrogância, presunção, são sinais daquele que ainda não chegou lá; a humildade verdadeira vem da percepção do divino).

     ‘Deus conhece vossos corações...’ (ele aí habita).

     ‘... depois de terdes feito tudo que vos foi ordenado, dizei: somos servos como quaisquer outros; fizemos o que devíamos fazer;...’ (quem está despertando para a luz, está fazendo exatamente o que deve fazer aquele que procura a verdade que liberta).

     ‘Bendito o que vem em nome do Senhor...’ (aquele que age como foi prescrito pode chegar lá onde será abençoado com a iluminação).

     ‘Eu ficarei convosco para todo o sempre... ’ (não o homem Jesus. É o Cristo, o percebimento, a iluminação; permanece, conscientemente, e para sempre, naquele que chegou).

     ‘A minha paz vos dou... ’ (quem chega lá, tem a paz do Cristo, a serenidade do iluminado).

     ‘Não busco a minha vontade, mas a daquele que me enviou... ’ (sempre é feita somente a vontade de Deus, embora suponhamos, muitas vezes, que a nossa vontade esteja sendo feita e ficamos felizes, ou ficamos frustrados quando isso não acontece).

      ‘Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim nunca terá fome e jamais terá sede... ’ (aquele que chegou lá está saciado, pleno; de nada mais necessita; ‘o demais virá por acréscimo’).

     ‘Quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra... ’ (todos ‘erramos’, mas não é por nossas obras que somos salvos, e sim pela graça de Deus, como a própria escritura afirma. Jesus nos adverte de que somos todos iguais, pois todos estamos sempre errando enquanto não chegarmos lá).

     ‘Vai e não peques mais... ’ (aquele que foi e chegou lá, não mais erra, porque sua ação será sempre correta).

     ‘Aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida... ’ (aquele que segue seus ensinamentos chegará lá, à luz da vida, à iluminação).

     ‘Enquanto for dia, cumpre-me terminar as obras daquele que me enviou; virá a noite na qual ninguém pode trabalhar... ’ (não desperdice seu tempo; quando vier a noite (os problemas) será difícil praticar o que foi ensinado; só com essa prática a vida terá significado).

     ‘Eu vim para que tenhais vida, e vida em abundância’.  (é o que sucede a quem segue os ensinamentos e, por isso, chega lá).

     ‘Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido.’ (onde está o Cristo, a divindade absoluta, não há morte; só há vida).

     ‘Eu sou o caminho, a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim... ’ (o correto não terá sido ‘o Eu é o caminho, a verdade, a vida’? e ‘ninguém vai ao Pai senão pelo Eu’? pois o caminho é para dentro, para o interior, pelo ‘eu’, por onde se vai ao percebimento do Pai, como ensinaram a doutora teologal dos católicos, Teresa de Ávila, João da Cruz, S. Agostinho e muitos outros místicos orientais e ocidentais).(Recentemente foi publicado artigo no qual, rabinos ilustres esclareceram que a tradução correta é essa mesmo: “o Eu é o caminho...”, “... senão pelo Eu”).

     ‘Aquele que crê em mim fará as obras que eu faço e outras maiores ainda... ’ (àquele que chegou ao percebimento, ao convencimento, suas soluções serão criativas e não mais condicionadas; penetra o campo das infinitas possibilidades, como afirma Maharish, e tudo lhe é possível).

     ‘Aquele que guardar meus mandamentos... será amado por meu Pai... e eu manifestar-me-ei a ele e nele faremos, eu e meu Pai, nossa morada... ’ (a manifestação da Consciência Cristica, que permanecerá em quem percebeu que ‘eu e o meu Pai somos um’, possível àquele que guarda (segue) os ensinamentos...).

     ‘Permanecei em mim que eu permanecerei em vós...; o ramo não poderá dar frutos de si mesmo se não permanecer na videira; eu sou a videira, vós os ramos... O Pai podará todo ramo que der frutos, para que dê mais frutos ainda... ‘ (por nós mesmos, seres do espaço-tempo, nada fazemos; já àquele que chegou ao percebimento, sua conduta é sempre correta, seus frutos, idem, pois sua consciência, agora, é crística e, consequentemente, dará mais frutos ainda).

     ‘Sois meus amigos se fazeis as coisas que vos mando.’ (somos todos iguais, o que se tornará evidente se fizermos o que ele ensinou).

     ‘Ora, a vida eterna consiste em que Te conheçam a Ti, um só verdadeiro Deus, e a mim, o Cristo, a quem enviaste... ’ (não apenas crer, mas conhecer, melhor ainda, ‘ser’ (esse o objetivo da meditação); aí está o segredo da vida eterna e abundante).

     ‘Pai, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci.’ (o percebimento, com que a maioria nem sequer sonha e, por isso, não o busca) (Pascal).

     ‘Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem’. (na verdade, numa análise profunda, veremos que nada sabemos; por isso, não há culpas). ‘É o senhor que opera em nós o pensar e o fazer’ (Paulo).

      Na parábola das dez virgens, Jesus ensinou o valor da atenção simbolizada pelas cinco virgens que, cuidadosas, atentas, se precaveram colocando azeite em suas lâmpadas, à espera do noivo (a iluminação que pode chegar a qualquer momento, em qualquer lugar e aparentemente sem razão), ao contrário das outras cinco que, desatentas, imaturas, não se muniram de azeite e, com isso, não tinham luz suficiente (percepção, consciência suficiente) e, assim, não perceberam a chegada do noivo (a iluminação). O mesmo significado tem a parábola do servo fiel, que permaneceu vigilante (atento) à espera do patrão, que chegaria a qualquer momento.

      Existe um tipo de espera que requer atenção total. A ‘coisa’ pode acontecer a qualquer momento e se não estivermos completamente acordados (atentos, ‘vestidos com vestes nupciais’) e calmos, vamos perdê-la. Nesse estado de total atenção (meditação) não há lugar para pensamentos, lembranças, emoções, isto é, interferência do ego, mas apenas uma presença alerta. Seja como o servo da parábola esperando a volta do senhor. Ele desconhece a hora em que o patrão vai chegar; então fica acordado, vigilante, aprumado, atento e sereno, para não perder a chegada do patrão (a iluminação).

     ‘...esta é a justiça de Deus... não há distinção;... todos são ‘pecadores’ (cometem aquilo que denominamos pecado) e todos estão privados da glória de Deus, mas são justificados gratuitamente por sua graça: tal é a obra de redenção realizada em Cristo’ (isto é, no percebimento de Cristo, na iluminação; vamos então perceber que não pecamos, pois nem os pensamentos que temos são nossos e que todos somos iguais (não há distinção); todos já estamos, e gratuitamente, salvos) (Ro 3: 21).

      ‘...para que, como Jesus ressurgiu dos mortos’ (o nascer de novo, a ressurreição, o nascimento do novo homem) ‘pela glória do Pai’ (pela percepção de que ‘eu e o Pai somos um’), ‘assim também nós vivamos uma vida nova’ (a vida do novo homem; a vida só tem significado quando chegamos ao percebimento). ‘Se somos o mesmo ser com ele’ (iguais a ele) ‘por uma morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição... portanto, vós também considerai-vos mortos para o pecado, porém vivos para Deus, em Cristo Jesus’ (Ro 6: 5, 11) (se chegastes lá, isto é, ao percebimento, ao Cristo, não ‘pecarás’ (não errarás) mais; serás um novo ser, um ser igual a Jesus; nasceste de novo).

 

     ‘... Os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura, que nos deve ser manifestada’ (com o percebimento). ‘Por isso, a criação aguarda ansiosamente’ (mesmo inconsciente; por isso o sofrimento do homem que, não sabendo o que procura, cai em tantos erros por se apegar, iludido, a satisfações substitutas) ‘a manifestação do filho de Deus’ (a manifestação do Cristo em nós; a percepção de que somos um com o Pai apaga todos os sofrimentos) (Ro 8: 18, 19).

     ‘... não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito’ (Ro 12: 2) (a transformação é fruto do percebimento, que produz total renovação do ser, o homem novo; aí, pode-se discernir a vontade de Deus, que, então, será a mesma vontade daquele que ‘chegou’, porque ‘eu e o Pai somos um’).

      ‘Sede perseverantes na oração.’ (Ro 12: 12) (Pedi, buscai, batei... ; a perseverança, na meditação, torna possível a ocorrência de hiatos cada vez mais longos entre os pensamentos, o que pode resultar na percepção do que está além do ego, além do espaço-tempo).

      ‘Abençoai, não os praguejeis, aqueles que vos perseguem...’ (Ro 12:14) (somos um só e, depois, Deus é que opera em nós o pensar, o fazer e o querer).

      ‘... Acaso não declarou Deus ser loucura a sabedoria deste mundo...?’ (I Cor 1:20) (grandes psicólogos e sábios afirmam: nossa sociedade é totalmente insana. A sanidade está apenas na percepção do sagrado).

      ‘Coisas que os ouvidos não ouviram, nem os olhos viram, nem o coração humano imaginou’ (‘coisas inefáveis’, como disse Paulo), ‘tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam’. (I Cor 2:9) (para aqueles que o seguem, que o buscam).

      ‘...que cada um viva na condição na qual o Senhor o chamou... não te preocupes disto. Pois o escravo, que foi chamado pelo Senhor, conquistou a liberdade no Senhor’ (I Cor 7:22) (cada um é o que é, não há como modificar isso; mas, qualquer que seja sua condição, aquele que teve o percebimento está absolutamente livre de toda autoridade, medo, ilusões, condicionamento, crenças, superstições e sofrimentos).

       ‘Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A um é dada a sabedoria para proveito comum; a outro, a ciência; a outro, a fé; a outro, a graça de curar doenças... Mas o mesmo Espírito distribui esses dons a cada um conforme lhe (a Deus) apraz’(I Cor 12:4) (mais uma vez, a escolha não é nossa; tudo que fazemos ou somos na vida é o ‘senhor’, aquilo que está além do espaço-tempo, que decide, que faz).XX

 

      ‘... embora muitos membros formem um só corpo, assim também em Cristo’ (na consciência crística todos formamos um só corpo, somos um só)...; ‘os membros do corpo que parecem os mais fracos, são os mais necessários’ (todos somos necessários)... ‘Ora, vós sois o corpo de Cristo, cada um é um membro’. (I Cor 12:12 a 27) (na visão da atual teoria científica dos sistemas, não há nenhuma coisa que seja mais importante do que qualquer outra; tudo que existe, existe por que tem, necessariamente de existir; assim eu, assim você; assim o mal, assim o bem; o agradável e o desagradável).

 

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX    COMENTARIO???

Quando eu era menino, falava como menino, julgava como menino. Mas depois que cheguei a ser homem feito, dei de mão das coisas que eram de menino. Nós agora vemos Deus como por um espelho em enigmas, mas então veremos face a face. Agora conheço-o em parte, mas então hei de conhecê-lo, como eu mesmo dele sou conhecido.”
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     ‘Aspirai aos bens superiores. ... se eu não tiver caridade (amor) nada sou... Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá... Hoje vemos como por um espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face’ (perfeitamente, sem erro; quando chegar o que é perfeito, isto é a luz, compreenderemos que nada é imperfeito); ‘hoje, conheço em parte’ (por isso, interpretamos imperfeitamente), ‘mas, então conhecerei totalmente’ (I Cor 13:1 a 12) (‘Conhecereis a Verdade e a verdade vos libertará... ’; a iluminação traz-nos a verdade, é o conhecimento da verdade; a interpretação será, então, perfeita e veremos que aquilo que nos parece imperfeito é também perfeito; se não tenho amor é porque não cheguei ainda lá; de um cântico do bramanismo: ‘do perfeito tirando o perfeito o que resta é perfeito’).

      ‘Pois, se os mortos não ressuscitam, nem o Cristo ressuscitou’ (I Cor 15:16) (deduz-se, daqui, que Paulo diz que somos iguais a Jesus).

      ‘Semeado na corrupção, o corpo ressuscita incorruptível; semeado na fraqueza, ressuscita vigoroso; semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual’ (I Cor 15:35ss) (com o percebimento nasce o homem novo, ressuscitado, totalmente livre de erro).

       ‘Eis que vos revelo um mistério’ (para ele não é mais mistério): ‘nem todos morreremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados’ (num repente, acontece a iluminação e seremos todos transformados). ‘É necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade e que este corpo mortal se revista da imortalidade’ (pelo percebimento) (I Cor 15:51ss).

      ‘A morte foi tragada pela vitória’ (I Cor 15:55) (aquele que chegou lá venceu a morte; vê que ela não passa de ilusão).

      ‘... nós somos a vossa glória, exatamente como vós sereis a nossa, no dia do Senhor Jesus’ (II Cor 1: 14) (a gloria que tereis, no dia do percebimento, será igual à minha, à que já tenho:  nesse dia tereis o extraordinário percebimento de que ‘eu e o Pai somos um’).    

      ‘...tal a convicção que temos em Deus, por Cristo’ (por termos tido a percepção). Não que sejamos capazes de ter algum pensamento, como de nós mesmos. Nossa capacidade vem de Deus.’ (II Cor 3:4,5) (Deus é que opera em nós...; não temos a paternidade nem dos nossos pensamentos; portanto, a responsabilidade por nossos erros ou acertos não é nossa).

      ‘Já estais separados de Cristo, vós que procurais a justificação pela Lei; decaístes da graça... Estar circuncidado ou incircuncidado, de nada vale em Cristo Jesus, mas sim a fé que opera milagres’ (Gal 5:4,6). (a fé-convencimento; esta, como Jesus a teve, opera milagres; a justificação deve vir pela graça (de Deus), pela iluminação, não pela obediência a mandamentos, regras e leis, que não passam de exterioridades, coisas que as religiões convencionaram).

      ‘O mistério da salvação dos gentios: eles são co-herdeiros conosco, que somos judeus; são membros do mesmo corpo e participantes da promessa de Jesus Cristo.’ (Efe 3:1,6) (todos já estamos salvos; não há um povo eleito ou pessoas privilegiadas para esse fim; perante Deus, todos somos iguais).

      ‘Deus não faz acepção de pessoas; faz chover tanto sobre o justo quanto sobre o injusto...’’ (Paulo) (idem).

      ‘... que o Pai conceda o crescimento de vosso homem interior... para que possais conhecer a caridade de Cristo’ (o percebimento), ‘que desafia todo o conhecimento’ (a sabedoria que o acompanha é inimaginável), ‘e sejais cheios de toda a plenitude de Deus’ (Efé 3: 16ss) (o percebimento nos plenifica; de nada mais necessitamos: ‘... o demais vos virá como acréscimo’).

      ‘Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido... Renovai sem cessar o entendimento de vossa alma (auto-conhecimento, advindo da perseverança na meditação e que explode na percepção do absoluto), e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus’ (pois perceberemos que o somos), em verdadeira justiça e santidade.’ (Efé 4: 17ss).

      ‘...Por que é Deus quem, segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o fazer... Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo; tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo.’ (Fel 3:7ss) (tudo é nada, comparado à iluminação, e Deus é que nos leva a essa experiência, pois ele é que realiza em nós o pensar e o fazer; Maharish: ‘enquanto não chegamos ‘lá’, somos apenas subumanos’; Krishnamurti: ‘a vida só tem significado quando chegamos lá; veremos, então, que tudo é fútil e inútil’; Teresa de Ávila: ‘tudo o mais é lixo’; do Zen: ‘tudo o mais é coisa prosaica’).

      ‘Ninguém vos critique por causa de comida ou bebida, ou espécies de festas ou luas novas, ou sábados (exterioridades). Tudo isso não é mais do que sombra do que há de vir. A realidade é Cristo... não passam de normas e doutrinas humanas, mas não têm qualquer valor real, e só servem para satisfazer a carne (o mundo, as aparências). ’ (Col 2:16ss) (só tem valor o conhecimento do Cristo, a iluminação, trazida pela meditação; o tesouro, a jóia encontrada pelo homem que se desfez de tudo para adquiri-la; rituais, cultos, cânticos, promessas, sermões ou pensamentos que emocionam, ladaínhas, rezas, incenso, velas acesas, sinais, gestos, objetos do culto tidos como sagrados, vestimentas, músicas, orações a sós ou em conjunto, nada disso tem qualquer valor; são apenas exterioridades. A verdade está em nossa interioridade).

      ‘... pois vós sabeis muito bem que o dia do Senhor (a iluminação) virá como um ladrão de noite (de surpresa)... então, repentinamente, vos sobrevirá a destruição (das ilusões, do velho homem), como as dores à mulher grávida (repentinamente, o nascimento do homem novo);... mas, vós, irmãos (que seguis o que ensinamos) não estais em trevas para que o Dia vos surpreenda como a um ladrão. Não durmamos, pois, como os demais (que não despertaram ainda para a busca); vigiemos... ’ (I Tes 5:1 a 6) (estejamos atentos, para perceber a chegada do ‘noivo’, e para não alimentar, com distrações e desatenção, o ego; só assim é possível a meditação que pode resultar no percebimento, que vem, como um ladrão, sem que tenhamos idéia de quando).

      ‘...o ímpio se manifestará, mas o senhor (a iluminação) o destruirá com o esplendor de sua vinda’. (II Tes 2:8) (o percebimento destrói a escuridão de tudo que é ímpio, isto é, nossa escuridão; quando chegamos ao percebimento do Cristo, à iluminação, só restará luz,  esplendor).

      ‘... (em suas funções eclesiásticas) o bispo tem o dever de ser irrepreensível, casado uma só vez, regrado... ’ (I Tim 3:2) (porquê, então, o celibato, dos padres, que é contra a natureza?).

      ‘... na expectativa da nossa esperança, a aparição gloriosa de nosso grande Deus, Cristo...’ (Tit 2:13) (a esperança da chegada da iluminação, que nos mostra a glória daquilo que nós já somos mas que, ainda, não percebemos).

      ‘Mas, um dia apareceu o amor de Deus para com os homens; não por causa de obras de justiça que tivéssemos praticado, mas unicamente por sua graça. Ele nos salvou pelo batismo da regeneração e renovação (iluminação), pelo Espírito Santo que nos foi concedido em profusão, por meio do Cristo. Certa é esta doutrina... (mas) quanto às questões tolas, contendas e disputas relativas à Lei, foge delas, pois são inúteis e vãs. ’ (Tit 3:8) (O verdadeiro batismo, isto é, a iluminação, nos regenera e renova fazendo surgir o novo homem; tudo o mais é ‘questão tola’).

      ‘Alegria e singeleza de coração ’ (Atos 2:46), (Krishnamurti: uma boa dose de indiferença e de bom humor, em todas as situações porque tudo é incerto e impermanente; tudo, de bom ou de mal, pode nos acontecer; e nada escolhemos; a física moderna também nos afirma isso).

     ‘Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó. Alegria, alegria, alegria, lágrimas de alegria’ (a felicidade  de Pascal, ao chegar ).

     ‘... seja feita a vossa vontade e não a minha...’ (a escolha não é nossa; não há como não aceitar o que acontece).

     ‘Eu quero; sê limpo...’ (isso pode dizer aquele que chegou lá).

     ‘Eu irei e lhe darei saúde...’ (idem).

     ‘...considerai-vos mortos para os pecados, mas vivos para Deus...’ (Rom 6:11) (quem teve o percebimento não mais erra; vive apenas para as coisas de Deus, não por ser esse seu desejo e se esforçar para isso, mas por ser da natureza daquele que chegou porque, então, ressuscitou; é um novo homem).

     ‘...porque a inclinação da carne é morte, mas a inclinação do espírito é vida e paz...’ (Rom 8:6). ‘... mas vós não estais na carne, mas no espírito, se é (que percebestes) que o Espírito de Deus habita em vós... (isto é, se já chegastes lá).

     ‘...e se o espírito daquele (de Deus) que ressuscitou Jesus habita em vós...’ (idem).

     ‘... (aguardamos) a glória que em nós será revelada...’ (ao chegarmos lá).  

     ‘Em Cristo digo a verdade, não minto.’ (quando Cristo, a verdade, é encontrado, é impossível o engano, a mentira, a ilusão; tudo é o que é...).

     ‘...porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.’ (este o nome do senhor: Eu Sou, o mesmo ‘eu sou’ de todos nós; aquele que busca, pode encontrá-lo; ‘Conhecereis a verdade e a verdade... ’).

     ‘...não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus...’ (não transformar o mundo, mas transformar-nos a nós mesmos, pelo percebimento; só então a vida terá significado; nosso entendimento será renovado (sabedoria que vem com a iluminação) e experimentamos a perfeita vontade de Deus que, então, será a mesma vontade nossa... (‘eu e o Pai somos um’).

     ‘...não vos vingueis... está escrito: Minha é a vingança, diz o Senhor; se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber...’ (nada fazemos por nós mesmos; não escolhemos; logo a ‘vingança’ não é nossa; e mais: nossos ‘inimigos’ e nós somos um só; isto é, não há inimigos).

     ‘Vence o mal com o bem.’ (Ro 12:19) (idem).

     ‘...não há potestades que não venham de Deus...’ (a escolha é de Deus; nada é vontade ou decisão nossa).

     ‘... pois o cumprimento da lei é o amor.’ (àquele que chegou, pois cumpriu o ensinado, teve despertados amor incondicional e compaixão por aqueles que estão sofrendo na escuridão, porque não chegaram, porque não perceberam ainda). 

     ‘...revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não tenhais cuidado da carne...’ (aquele que despertou iguala-se ao Cristo e não mais teme o erro; sua vontade é a mesma de Deus; seu livre-arbítrio é, então, total, mas ele não precisa mais disso, pois sua vontade e escolha são a vontade e escolha de Deus; o agir correto é, agora, sua natureza).

     ‘...pois se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos  julgados.’ (Col 11:13) (se estamos sempre nos julgando, nos observando – o autoconhecimento, dos antigos sábios gregos; a atenção, de Krishnamurti; a observação de si mesmo, de Gurdjef - podemos chegar lá e, então, para nós, não há mais ‘julgamento’, pois todo nosso agir será correto).

     ‘...não sou eu que faço as obras, mas o Cristo que habita em mim...’ (‘o Senhor é que opera em nós o pensar, o querer e o fazer’; logo, não há pecados nem remorsos; tudo está certo, nós é que não percebemos isso ainda).

     ‘Não sabeis que vós sois o templo do Altíssimo e que o Espírito de Deus habita em vós?’ (I Col 3:16) (se Deus está em nós, como procurá-lo fora? Zen: ‘é cavalgar o boi para procurar o boi’).

     ‘...ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos.’ (I Col 6:19) (nem somos de nós mesmos; logo, os pensamentos, as escolhas não são nossos; então, nada de remorsos ou de culpas).

     ‘E há diversidade de dons, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.’ (I Col 12:6) (idem).

     ‘...e vivo, não mais eu, mas o Cristo vive em mim.’ (Gal 2:20) (idem; Paulo teve percepção da verdade).

     ‘...meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores do parto, até que o Cristo seja formado em vós.’ (Gal 4:19) (até que tenhamos percebimento de que o Cristo ‘nasceu’, ou melhor, que está formado em nós).

     ‘...porque Deus é que opera em vós tanto o querer como o fazer, segundo sua vontade...’ (Fil 2:13) (nada fazemos por nós mesmos; nem a decisão, nem a escolha, nem os erros são nossos, portanto; isto está de conformidade com a filosofia da física quântica: não escolhemos e, ‘aquele que pensa que escolhe é imaturo’ (Krishnamurti).

     ‘Porque, assim como todos morrem em Adão (como corpo biológico que somos), assim também todos serão ressuscitados em Cristo’ (como Deus que somos (I Cor 22) (mais uma vez Paulo diz que somos iguais a Jesus e, mais ainda, todos morremos porque somos feitos do mesmo ‘barro’ que Adão, o corpo biológico, material; e todos ressuscitaremos, novamente, porque somos iguais a Jesus; mas Paulo não se refere a uma ressurreição do corpo, mas ao nascer de novo, o novo homem que agora percebeu). 

     ‘...que é Cristo em vós, esperança de glória...’ (Col 1:27) (esperança da glória que teremos conscientemente, com o percebimento; já o somos, inconscientemente).

     ‘...quando Cristo, que é nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele, em glória...’ (Col 13:4) (idem).

     ‘...agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Mas sabemos que, quando isso se manifestar, seremos semelhantes a Ele.’ (mesmo que não tenhamos o percebimento, já somos filhos de Deus, iguais a Jesus; apenas não percebemos isso ainda; mas, com o percebimento, conheceremos essa verdade: que somos iguais ao Cristo, que todos somos um).

      ‘O Senhor é espírito e onde está o espírito do Senhor, há liberdade. ’ (II Cor 3:17) (quando conhecermos a verdade de que o espírito de Deus está em nós, estaremos livres; isso ‘é o fim de todo o sofrimento’, como afirmou o Buda; e ‘a verdade vos libertará’, como disse Jesus).

     ‘Aquele que nos formou para este destino é Deus mesmo, que nos deu por penhor o Seu espírito.’ (IICor 5:5) (penhor=garantia: em todos nós já está o Seu espírito, isto é, o próprio Deus; e se ‘ele nos formou para este destino’, analise e conclua).

     ‘Não toqueis no que é impuro e vos receberei, diz o Senhor...’ (estando a mente pura, isto é, livre de impurezas, que são as emoções, os pensamentos, imaginações, condicionamentos, coisas que podem cessar com a meditação, teremos a percepção do Absoluto; seremos recebidos por ele).

     ‘Acaso não ‘reconheceis’ que o Cristo está em vós?’ (II Cor 13:5) (já está em nós, mesmo que não o percebamos; só nos falta percebê-lo).

     ‘Asseguro-vos, irmãos, que o evangelho pregado por mim não tem nada de humano. Não o recebi de homem algum, mas por revelação de Jesus Cristo.’ (Gal 1:11) (ele chegou lá, iluminou-se; por isso sua revelação veio da percepção de Deus, ou do Cristo, a Consciência Crística, que está em nosso mais profundo íntimo; ‘nada de humano’, pois que está além do ego, além do que é humano).

     ‘...mas quando aprouve àquele que me chamou pela sua graça para revelar seu filho em mim...’(Gal 1:15) (a escolha não é por nossos méritos, mas pela graça de Deus; é atemporal; a revelação, também; Paulo teve nele próprio a revelação do Cristo e percebeu que somos um).

     ‘...a liberdade de que gozávamos em Cristo Jesus.’ (Gal 2:4) (a liberdade total dada pelo percebimento, isto é, quando estamos realmente conscientes do Cristo em nós não haverá mais dependência alguma; ‘... e a verdade vos libertará’).

     ‘...apenas isto quero saber: recebestes o Espírito (tivestes consciência do Cristo em vós) pela prática da lei ou pela aceitação da fé? (Gal 3:2) (a lei é exterior, a fé, interior; seria pela aceitação que a fé traz, se não fosse pela graça de Deus, pois nada escolhemos).

     ‘...pois todos sois um em Cristo.’ (Gal 3:28) (somos um sempre; mas no espaço-tempo não temos percepção disso; no atemporal, sim).

     ‘...a prova de que sois filhos de Deus é que Deus enviou aos vossos corações o espírito de seu filho. Portanto... és filho, então, também herdeiro de Deus’ (Gal 4:6ss) (o Cristo está em nosso íntimo; somos, portanto, todos iguais a Jesus e um só; por isso ‘co-herdeiros’).

     ‘...e quanto a vós até os cabelos todos da cabeça estão contados.’ (Mat 10:30) (tudo está nas mãos de Deus, que opera em nós o pensar, o querer e o fazer).

     ‘...não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós.’(Mat 10:20) (idem). 

     ‘Vinde a mim (ao Eu Sou, à iluminação) os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.’ (Mat 12:28) (ir ao eu, ao Eu Sou, esse é o caminho; para dentro de nós mesmos, para a cessação de todo sofrimento).

     Pedro, tendo medo, submergia e Jesus disse: ‘Homem de pouca fé, por que duvidaste?’ (Mat 15:31) (se não há mais dúvidas, isto é, havendo fé-convencimento, o que acontece quando cessa o condicionamento e a mente está pura, estamos aptos a criar, a realizar coisas inimagináveis, a andar sobre as águas).

     ‘Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a este monte: passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível.’ (Mt 17:20) (idem). (é a fé-convencimento vinda do percebimento de que ‘eu e o Pai somos um’; aí, talvez, esteja a explicação dos ‘milagres’ que Jesus produziu).

     ‘Nem todos são aptos para receber (compreender) este conceito, mas apenas aquele a quem é dado (sê-lo)’. (Mt 20:11) (a escolha do que nos ocorre é de Deus; o senhor é que opera em nós o pensar, o querer e o fazer; esta passagem é semelhante àquela em que Jesus diz aos discípulos que muitas coisas ele tinha a lhes dizer, mas que eles não as suportariam ainda).

     ‘E aquele que tiver deixado tudo por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna. ’ (Mt 20:29) (comparado ao reino, tudo o mais é lixo, como diz Teresa; sabe-se, então, que não há morte e que, com o percebimento, receberemos coisas inimagináveis; a parábola sobre o fato de que, mesmo nós sendo maus, damos aos nossos filhos coisas boas; então, Deus, que é bom, com o percebimento, nos dará coisas ainda melhores).

     Na parábola dos semeadores (Mt 20), o dono da vinha pagou, aos que trabalharam oito horas, o que lhes havia prometido, e deu o mesmo aos que trabalharam apenas uma hora; aqueles se revoltaram, mas o dono disse: ‘Não vos fiz injustiça; cumpri o prometido... mas quero dar aos outros tanto quanto dei a vós’ (a luz é dada a todos, seja ao primeiro, seja ao último; ao piedoso e ao ímpio; todos chegarão ao novo modo de existir; todos receberão o mesmo salário, não importa o que tenham feito porque é o Senhor que opera em nós até o pensar...).

       Na parábola dos lavradores maus (Mt 22:33), que não pagavam o que deviam ao dono das terras, este lhes enviou cobradores, que eles espancaram e até mataram; o dono lhes mandou, então, o próprio filho, que também foi morto; parece que Jesus quis dizer que, antes dele, já houve outros mestres ou profetas, os quais não foram ouvidos. Portanto, Jesus, além de fazer ver que os homens não o compreenderam, faz ver também que ele não foi o único a tentar despertar os demais.

     ‘Porque, assim como o relâmpago vai do oriente ao ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do homem’ (Mat 24:27) (o percebimento, o ‘insight’, a chegada da consciência cósmica, da iluminação, é instantânea, súbita; é o salto quântico da nova física).

     ‘... a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, senão o Pai.  Portanto, vigiai, ficai atentos, por que, à hora que não cuidais, virá o Senhor.’ (Mat 24:36, 42, 44) (estejamos preparados e atentos para o percebimento, como nas parábolas do servo fiel e das virgens que aguardavam a chegada do noivo).

     ‘...os apetites da carne e os do espírito são contrários... as obras da carne são: fornicação, impureza, discórdia, superstição, inimizade, ódio, ambição, inveja e coisas semelhantes;... vos previno: os que as praticam não entrarão no reino.’ (Gl 5:16) (são distração, desatenção, obstáculos à meditação; dificultam a  meditação e o percebimento; assim, também os ‘pecados ditos capitais’ das religiões cristãs: preguiça, gula, ira, luxuria etc.).

     ‘O que o homem semeia, isso mesmo colherá.’ (Gl 6:2ss) (parece que, mesmo a escolha não sendo nossa, temos uma certa autonomia de vontade que, embora pequena, nos faz responsáveis moralmente; ou, então, Paulo está afirmando que aquele que ainda não chegou ‘lá’ não compreendeu ainda e, portanto, não está livre do sofrimento).

     ‘...porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém de vossas obras, para que ninguém se glorie. ’ (Ef 2:8) (não é pelos nossos méritos, pelas nossas boas obras, que somos salvos; é pela graça, pelo dom de Deus que estamos salvos; pois ‘é o senhor que opera em nós o pensar e o fazer’).

     ‘... que a tribulação produz perseverança; a perseverança, experiência (mística); a experiência, esperança na glória...(Ro 5:3,4) (‘aquele que perseverar até o fim será salvo’; aquele que perseverar na meditação, na compreensão da totalidade da vida, pode chegar à experiência que lhe trará a gloria da iluminação).

     ‘...pelo Espírito Santo que nos foi outorgado...’ (Ro 5:5) (já nos foi dado desde sempre: já temos em nós o divino; já o somos; não há de que se salvar. Apenas nos falta chegar ao percebimento dessa verdade).

     ‘... os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo.’ (Ro 5:17) (abundância da graça e dom da justiça é o que recebe quem chega lá: isso ocorre em vida mesmo, e não após a morte; e percebe-se que o Cristo, Deus, a iluminação, está em todos, e que todos somos um só com ele).

     ‘Não viveis, segundo a carne, mas segundo o espírito, se realmente o Espírito de Deus habita em vós.’ (Ro 8:9) (se consegues perceber que o Espírito és tu mesmo é que já chegaste lá; vida segundo o Espírito, isto é, vida perfeita e em bem-aventurança; é o novo modo de existir, de Krishnamurti).

     ‘Se alguém não possui o espírito de Cristo, este não é dele.’ (Ro 8:9) (esse ainda não chegou à iluminação, não percebeu o Cristo; ainda está na escuridão).

     ‘O espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus.’ (Ro 8:ss) (o percebimento mostra que somos filhos de Deus, isto é, de sua natureza, feitos verdadeiramente à sua ‘semelhança’).

     ‘...enquanto aguardais a manifestação de Jesus Cristo, não vos falta dom algum.’ (I Col 1:7) (nada nos falta para que o Cristo nasça em nós, nem perdão, nada; apenas temos que ter a percepção disso; é o que os iluminados afirmam e é o que pode nos dar a meditação).

     ‘... até que tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura do Cristo’ (Ef 4:13) (que se pode atingir pela meditação; então, se percebe a unidade da fé (fé-convencimento), isto é, que a verdade é uma só: ‘eu e o Pai somos um’).

     ‘Renovai sem cessar o entendimento de vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem e semelhança de Deus...’ ((Ef 4:23, 24) (tentar sem cessar até que venha o percebimento que nos transforma no homem novo e mostra que somos semelhantes a Deus; mais que isso: que somos a própria divindade).

     ‘...o Cristo será glorificado no meu corpo’ (pelo percebimento).

     ‘...por isso Deus glorificou soberanamente a Jesus’ (Fel 2:9) (pelo percebimento; do mesmo modo, por sermos iguais e todos um, seremos glorificados quando tivermos o percebimento).

     ‘Na verdade julgo como perda todas as coisas em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo’ (a iluminação). (Fel 3:8) (Teresa, João da Cruz, Krishnamurti e outros afirmam o mesmo: que tudo o mais é lixo, fútil, inútil; apenas ilusão).

     ‘Além disto, irmãos, tudo que é puro, verdadeiro, nobre, justo, amável, virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos’ (Fel 4:8) (quando temos o percebimento, quando chegamos lá, todas nossas ações serão corretas, sem esforço ou imitação; nossa natureza será essa).

     ‘...auxiliado por sua força (do Cristo) que atua poderosamente em nós.’ (Col 1:29) (busquemos ou não, a escolha, a vontade e a força são do Pai e não nossas, mas atuam em nós; sabemos que a decisão não é nossa).

     ‘Quando Cristo, vossa vida, aparecer...’ (Col 3:4) (pelo percebimento).

     ‘...mas somente Cristo, que será tudo em todos...(Col 3:5ss) (com o percebimento veremos que sempre foi assim).

     ‘No princípio era o verbo... e o verbo era Deus... e o verbo se fez carne e habitou entre nós (é nós mesmos); aos que crêem no seu nome deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus (Jô 1:1 e seguintes) (o nome do verbo: Eu Sou; eu, nós; crer nesse nome é ir pelo caminho do eu, para dentro de nós, pela meditação).

 

No principio era o Verbo e o verbo estava em Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no principio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas e as trevas não a compreenderam

     ‘... em verdade te digo: aquele que não nascer de novo não poderá ver o reino de Deus.’ (Jô 3:3) (o novo nascimento, o homem novo; o ‘satori’ traz a nova visão; a iluminação nos dará interpretação correta; cessam todas as ilusões; vamos conhecer a verdade, veremos o ‘reino’).

     ‘Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer.’ (Jo 6:44) (novamente, nem a escolha, nem o agir, são nossos; e mais: não seria ‘vir ao Eu, aprofundar-se no Eu’, que Jesus falou, e não ‘vir a mim’? Ou seria vir ao Cristo, à iluminação).

     ‘...a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho tenha vida eterna.’ (Jo 6:40) (isto é, aquele que tem o percebimento do Cristo, a iluminação, vê que não existe morte, que a vida é eterna, que já estamos na eternidade).

     ‘... e todo aquele que ouvir o Pai e for por ele instruído vem a mim.’ (Jô 6:45) (aquele que segue os ensinamentos vai ao Eu, chega ao percebimento, pela meditação; e é o Pai, que opera tudo, que o faz ir).   

     ‘...o pecado que consiste em não crer em mim.’ (Jô 16:9) (se não praticamos aquilo que Jesus ensinou, é que não cremos nele; assim, não veremos o reino, não por não crermos, mas por não o buscarmos ainda).

     ‘O que pedirdes ao Pai, em meu nome, ele vo-lo dará.’ (Jô 16:23) (o que ‘quisermos’; ao chegarmos à estatura do Cristo, maravilhosa criatividade despertará, e não haverá mais obstáculos). 

     ‘Tudo que é meu é Teu e tudo que é Teu é meu.’ (Jô 17:10) (pois somos um só).

     ‘Para que todos sejam um, como tu, Pai, és em mim e eu em ti; que também eles sejam um em nós.’ (Jô 17:21) (idem).

     ‘Eu neles e Tu em mim.’ (Jô 17:23) (idem).

      ‘...quero que, onde eu estiver, eles estejam comigo (na percepção do divino), para que vejam a glória (a iluminação, a bem-aventurança) que tu, Pai, me deste...’ (pois Jesus chegou lá) (Jo 17:24).

     ‘Eu estarei convosco até o fim dos tempos...’ (idem; não o homem Jesus, mas o Cristo; a luz está conosco sempre, agora e no novo modo de existir).

     ‘Pedi e recebereis.’ (Jô 16:24) (pela prática da oração de recolhimento e quietude, sem palavras, isto é, pela meditação, estamos ‘pedindo’, nos abrindo àquilo que nos será dado um dia: o percebimento, isto é, a verdade que de tudo liberta).

     ‘A fé é o fundamento das coisas que se esperam, a prova das coisas que não se vêem.’ (He 11:1) (esperamos o reino, e não o vemos, mesmo ele estando em nós; mas, se o buscamos, é pela fé em sua existência, pois que tantos iluminados falaram dele; mas não podemos ficar apenas na fé sobre ‘as coisas que não vemos’, ou nas coisas ‘que esperamos’. Temos de passar da fé à convicção e esta só vem com a meditação).

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Co-criando A NOVA TERRA

«Que os Santos Seres, cujos discípulos aspiramos ser, nos mostrem a luz que
buscamos e nos dêem a poderosa ajuda
de sua Compaixão e Sabedoria. Existe
um AMOR que transcende a toda compreensão e que mora nos corações
daqueles que vivem no Eterno. Há um
Poder que remove todas as coisas. É Ele que vive e se move em quem o Eu é Uno.
Que esse AMOR esteja conosco e que esse
PODER nos eleve até chegar onde o
Iniciador Único é invocado, até ver o Fulgor de Sua Estrela.
Que o AMOR e a bênção dos Santos Seres
se difunda nos mundos.
PAZ e AMOR a todos os Seres»

A lente que olha para um mundo material vê uma realidade, enquanto a lente que olha através do coração vê uma cena totalmente diferente, ainda que elas estejam olhando para o mesmo mundo. A lente que vocês escolherem determinará como experienciarão a sua realidade.

Oração ao Criador

“Amado Criador, eu invoco a sua sagrada e divina luz para fluir em meu ser e através de todo o meu ser agora. Permita-me aceitar uma vibração mais elevada de sua energia, do que eu experienciei anteriormente; envolva-me com as suas verdadeiras qualidades do amor incondicional, da aceitação e do equilíbrio. Permita-me amar a minha alma e a mim mesmo incondicionalmente, aceitando a verdade que existe em meu interior e ao meu redor. Auxilie-me a alcançar a minha iluminação espiritual a partir de um espaço de paz e de equilíbrio, em todos os momentos, promovendo a clareza em meu coração, mente e realidade.
Encoraje-me através da minha conexão profunda e segura e da energia de fluxo eterno do amor incondicional, do equilíbrio e da aceitação, a amar, aceitar e valorizar  todos os aspectos do Criador a minha volta, enquanto aceito a minha verdadeira jornada e missão na Terra.
Eu peço com intenções puras e verdadeiras que o amor incondicional, a aceitação e o equilíbrio do Criador, vibrem com poder na vibração da energia e na freqüência da Terra, de modo que estas qualidades sagradas possam se tornar as realidades de todos.
Eu peço que todas as energias e hábitos desnecessários, e falsas crenças em meu interior e ao meu redor, assim como na Terra e ao redor dela e de toda a humanidade, sejam agora permitidos a se dissolverem, guiados pela vontade do Criador. Permita que um amor que seja um poderoso curador e conforto para todos, penetre na Terra, na civilização e em meu ser agora. Grato e que assim seja.”

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