O CRISTO e A VERDADE , segundo ensinamento da Mestra H.B.
O “princípio Crístico”, o desperto e glorificado Espírito da Verdade, sendo universal e eterno, o verdadeiro Christos, não pode ser monopolizado por nenhuma pessoa, ainda que essa pessoa tenha escolhido arrogar para si mesma o título de “Vigário de Cristo” ou de “Chefe” desta ou de outra religião Estatal. O espírito de “Chrêst” e “Christo” não pode estar confinado a nenhum credo ou seita.
Dizemos “orações insinceras” e poucos, entre os leigos, são conscientes, até mesmo do verdadeiro significado da palavra Cristo; e os do clero que porventura o conhecem (pois eles são criados com a idéia de que estudar tais assuntos é pecaminoso) mantém a informação oculta de suas paróquias. Mas o que é a “Sabedoria Divina”, ou Gnosis, se não a realidade essencial por trás das aparências evanescentes de objetos na natureza – a própria alma do LOGOS manifestado?
Por que razão deveriam homens que se empenham em conseguir a união com uma eterna e absoluta Deidade estremecer à idéia de espreitar seus mistérios - ainda que sejam assombrosos?
Por que deveriam usar nomes e palavras que são um mistério selado para eles mesmos?
Entretanto, a VERDADE não permitiu a si mesma permanecer sem testemunhas. Há, além de grandes Iniciados em simbologia na forma das escrituras, um número de silenciosos estudiosos dos mistérios ou esoterismo arcaico, de peritos eruditos conhecedores de Hebraico e de outras línguas mortas, que devotaram suas vidas a desvendar os enigmas dos discursos da Esfinge das religiões do mundo. E esses estudiosos, embora nenhum deles tenha ainda dominado as “sete chaves” que franqueiam o grande problema, descobriram o suficiente para poderem dizer: Havia uma linguagem de mistério universal, na qual todas as Escrituras do Mundo foram escritas, dos Vedas à Revelação, do Livro dos Mortos aos Atos.
De qualquer forma, uma das chaves - a chave numérica e geométrica da Linguagem dos Mistérios está agora resgatada; uma linguagem antiga, de fato, que até aos nossos dias permanecia oculta, mas cujas evidências existem em abundância, como pode ser provado por inegáveis demonstrações matemáticas.
Se, de fato, a Bíblia é impelida à aceitação do mundo com seu significado incerto, em face às modernas descobertas feitas por Orientalistas e aos esforços de estudiosos independentes e cabalistas, é fácil profetizar que mesmo as atuais e futuras novas gerações da Europa e da América a verão de forma diferente, como o fizeram todos os materialistas e lógicos. Pois, quanto mais se estuda os textos religiosos antigos, mais se descobre que a base fundamental do Novo Testamento é a mesma dos Vedas, da teogonia Egípcia e das alegorias dos Mazdeístas. As expiações por meio de sangue - pactos de sangue e transferência de sangue dos deuses para homens e por homens, como sacrifícios aos deuses - são as primeiras notas-chaves que ressoam de toda cosmogonia e teogonia; alma, vida e sangue eram sinônimos em todas as línguas, preeminentemente entre os Judeus; e essa dádiva de sangue significava dádiva de vida.
“Muitas lendas entre nações estrangeiras (geograficamente) atribuem alma e consciência à humanidade recentemente criada com o sangue dos deuses-criadores.” Berosus registra uma lenda Caldaica atribuindo a criação de uma nova raça da humanidade à mistura de poeira ao sangue que escorria da cabeça decepada do deus Belus. “Por esse motivo é que os homens são racionais e participam do conhecimento divino,” explica Berosus.(14) E Lenormant mostrou (Primórdios da História, pág. 52, nota) que “os Órficos ... disseram que a parte imaterial do homem, sua alma (sua vida) surgiu do sangue de Dionízio Zagreu, que ... os Titans partiram em pedaços.” O Sangue “revivifica os mortos” – isto é, interpretado metafisicamente, dá vida consciente e uma alma ao homem de matéria ou argila – tais como os modernos materialistas são hoje. O significado místico da exortação:
“Na verdade eu vos digo, a não ser que comeis a carne do Filho do homem e bebeis seu sangue, não tereis vida em vos mesmos,” etc., não pode nunca ser compreendida ou apreciada em seu verdadeiro valor oculto, exceto por aqueles que possuam uma das sete chaves. Estas palavras, quer tenham sido ditas por Jesus de Nazaré, ou por Jeoshua Ben-Panthera, são as palavras de um INICIADO. Devem ser interpretadas com a ajuda de três chaves - uma que abre a porta psíquica, a segunda que abre a porta da fisiologia e a terceira que descerra o mistério do ser terreno, desvelando a combinação inseparável da teogonia com antropologia. Por revelar algumas destas verdades com a única intenção de salvar a humanidade intelectual das insanidades do materialismo e pessimismo, que os místicos têm freqüentemente sido imcompreendidos.
A primeira chave que se deve usar para elucidar os obscuros segredos que envolvem o místico nome de Cristo, é a chave que descerra a porta aos antigos mistérios dos primitivos Arianos, Sabeanos e Egípcios. A Gnosis, suplantada pelo esquema Cristão era universal. Era o eco da religião-sabedoria primordial que havia sido, outrora, a herança da totalidade da espécie humana; e, portanto, pode-se verdadeiramente dizer que, em seu aspecto puramente metafísico, o Espírito de Cristo (o logos divino) esteve presente na humanidade desde seu início. O autor das Homilias Clementinas está certo, o mistério de Christos - que agora supõe-se ter sido ensinado por Jesus de Nazaré – “era idêntico” àquele que primeiramente era comunicado “aqueles que eram merecedores”.
Aqueles que haviam sido iniciados nos mistérios da Gnosis e que eram “considerados merecedores” de alcançarem a “ressurreição dos mortos” nesta vida ... “aqueles que sabiam que não poderiam mais morrer sendo iguais aos anjos como filhos de Deus e filhos da Ressurreição”. Em outras palavras, eram os grandes adeptos de qualquer religião e as palavras se aplicam a todos aqueles que, sem serem Iniciados, empenham-se e conseguem, através de esforços pessoais, viver a vida e atingir a iluminação espiritual que naturalmente resulta da fusão da personalidade (o “Filho”) com (o “Pai,”) seu Espírito divino individual, o Deus interno. Esta “ressurreição” jamais poderá ser monopolizada, pois é um direito de nascença de todo ser humano dotado de alma e espírito, qualquer que seja a sua religião. Esse indivíduo é um homem-Cristo.
Aquele que encontra o Cristo dentro de si mesmo e O reconhece como seu único “Caminho”, torna-se um seguidor e um Apóstolo de Cristo.
MariaHelena