SEIS
Encontro com o Lama Rei
- Amanhã, às oito horas, temos uma audiência com o Dalai Lama - falou nosso guia Kazi, com sua voz pausada e grave.
Inútil é descrever nossa alegria e como naquela noite mal pulemos dormir, na grande expectativa do encontro.
E às sete e meia da manhã seguinte já estávamos a caminho do Parque das Joias, onde estava o Dalai. Nossos cavalos andaram por uma ampla estrada que separa as duas densas alas dos jardins do Dekyi Kingka. Momentos depois paramos junto ao grande portão dourado do palácio de verão do Dalai Lama.
Um pequeno esquadrão de soldados tibetanos apresentou armas, em atenção à túnica de seda amarela e ao chapéu de gala usados pelo lama Kazi. Desmontamos, entregamos nossos cavalos a um monge-criado e andamos em direção ao palácio Norbhu Lingka, onde o Dalai costuma ficar quando sai do Potala. Seguimos nosso amigo Kazi por uma grande ala pavimentada com mármore colorido e cercada de copadas árvores e entre elas vimos amendoeiras, rododentros e salgueiros-chorões. À nossa direita, através das folhagens, vimos um pequeno lago prateado, coberto de flores de lótus brancos e onde alguns alvos cisnes nadavam majestosamente. Uma pequena ilha cercada de águas calmas e transparentes tinha no centro um delicado pagode chinês ligado à terra por uma ponte recurva feita em mármore amarelo.
À nossa frente, caminhavam grupos de monges, imponentes em suas túnicas de seda amarelo-açafrão, que nos olhavam curiosamente e cochichavam entre si. Havia um certo ar de expectativa no palácio de Norbhu Lingka; era como se a sagrada presença do Deus Rei fizesse com que todos falassem baixinho.
No hall da entrada, um grupo de quatro lamas, todos velhos e gordos, estava sentado num banco, passando entre os dedos as contas de seus rosários de pedras preciosas. O lama Kazi fez uma reverência e nós o imitamos. Soubemos então que eles eram o Primeiro Ministro da Corte e seus secretários. Em silêncio caminhamos até o fim de um longo corredor cheio de vitrais coloridos que conduzia à sala de audiências. A sala era enorme, magnífica, com suas paredes douradas, suas pesadas cortinas de lã escura, seus grossos tapetes verde-esmeralda, com diagramas mágicos e bordado de dragões. Centenas de monges e de peregrinos esperavam diante de uma grande porta fechada. Grupos de lamas transitavam de um lado para outro, lentos e solenes.
Exatamente às nove horas, soou um gongo e levantamo-nos apressadamente dos almofadões onde estávamos sentados. Formou-se uma longa fila, todos levavam nas mãos a echarpe de seda branca e presentes para o Dalai.
Cessou o som do gongo e dos tambores. As pesadas portas douradas se abriram com um ruído surdo. Grupos de gigantescos monges com cerca de uns dois metros e meio, que fazem parte da segurança pessoal do Dalai, tomaram sua posição perto da entrada, organizando a fila. Numa das mãos tinham um chicote e na outra um bastão dourado. Estes lamas gigantes são oriundos da província de Kham, onde os homens são maiores que em qualquer região da Ásia. Consta que descendem dos guerreiros de Ghengis Khan.
A longa fila de visitantes começou a andar lentamente, até que nos vimos dentro da Sala das Audiências ou Sanctum Santorum dos tibetanos.
A sala estava meio penumbrosa. No fundo, destacava-se uma parede decorada com um enorme tanka ou rolo de seda pintado com motivos religiosos. Vimos um altar dourado, e sob o altar um trono de ouro. Sentado no trono, na postura do lótus, estava o Dalai Lama, a preciosa reencarnação do deus Chen Re Zi. Conhecido no Tibete como a mais elevada manifestação divina dos Budas Vivos na terra, o Precioso Protetor, Oceano de sabedoria. E ali estava ele, um jovem chinês de uns quatorze anos usando as roupas douradas dos grandes lamas, e o famoso chapéu pontudo de Tsong Kapa, muito semelhante à Mitra usada pelo Papa, tendo porém longas abas forradas de seda amarela que caíam sobre os ombros do Dalai, quieto e sereno como um ídolo...
Por quatro séculos, através de suas prévias encarnações, o Dalai sentava-se naquele mesmo trono, abençoando seus fiéis seguidores e reinando sobre o Tibete.
Trêmulos e reverentes, peregrinos dirigiam seus passos em direção ao Dalai, ofereciam as obrigatórias echarpes de seda branca - símbolo da felicidade - e ajoelhavam-se para receber a bênção dada pelo jovem Dalai, com seu cetro enjoiado e ornado de fitas multicores. Consta que um fluido benéfico emana do cetro do Dalai e, desse modo, o fluido penetra na pessoa que é abençoada.
Após a bênção, os visitantes viravam à esquerda, e faziam uma reverência ao local onde estava sentado o Lama Regente, colocado perpendicularmente ao lado do altar.
À medida que nos aproximamos, vimos que o jovem Dalai usava óculos de tartaruga com grossas lentes brancas, acusando uma forte miopia. Ajoelhei-me diante dele e senti o leve toque de suas mãos nos meus cabelos. Ele tinha deixado o cetro sagrado no colo e conferiu-me a grande honra de uma bênção direta, conforme vim a saber depois. Na echarpe de seda branca que eu segurava com ambas as mãos, um lama colocou um pãozinho escuro e uma pequena imagem de um Buda, feita de manteiga. O Dalai pegou as oferendas e entregou-as a um outro lama que estava a seu lado. A mesma cerimônia foi repetida com um chorien ou pequeno relicário de ouro e uma estatueta de Sidarta Gautama, o Buda. Depois, o lama ajudante colocou um livrinho de capa dourada na echarpe. O Dalai pegou o livrinho, amarrou-o com uma longa fita de seda vermelha e pendurou-o no meu pescoço.
Feito isso, saí diante dele e foi a vez do lama Kazi ajoelhar-se, oferecendo ao Dalai ricos presentes que tínhamos levado. Dobrei à esquerda, como todos faziam, e ajoelhei-me diante do Lama Regente. Era um homem alto, magro, imponente, de rosto severo. Ele olhou-me bondosamente com seus pequeninos olhos amendoados. Coloquei a seus pés a echarpe de seda branca e o livrinho dourado que o Dalai colocara no meu pescoço, pois assim manda a etiqueta tibetana.
Tudo se passou no maior silêncio. Quando eu ia saindo tal como os outros visitantes, o lama Kazi fez um sinal para que esperasse. Aproximou-se e disse baixinho:
- Fique, fomos convidados pelo Chefe dos Ministros para tomar chá com o precioso Dalai. Sente-se naquele canto, na postura do lótus e espere um pouco. Logo em seguida, meus companheiros de viagem, Mahima, Vessantára e Pierre Julien, vieram sentar-se ao meu lado. Pouco depois veio o lama Kazi.
Olhando para o jovem Dalai, vi um monge entregar-lhe uma linda taça de madeira. Numa bandeja de prata foi trazido um grande bule de porcelana cheio de chá amanteigado como é costume no Tibete. O chá foi colocado na taça do Dalai e logo bebido por um lama-provador. Somente depois de alguns segundos é que o Dalai foi servido.
Tive que morder os lábios para acreditar que eu não estava sonhando, que realmente estava sentada na Sala de Audiências do Dalai Lama, no Tibete...
Olhando o contínuo fluxo de lamas e peregrinos entrando e saindo do recinto, pensei que apenas esta curiosa cerimônia valia nossa penosa viagem através do Himalaia. Olhei as nuvens de incenso perfumado de rosas que subia dos turíbulos de prata cercando o trono do jovem Dalai e recordei as palavras de um Profeta oriental que certa vez ouvira contar:
"O verdadeiro Dalai Lama morreu em 1924. Desde então todos os outros Dalais serão apenas uma grande Maya ou ilusão, resultante da política maldosa dos lamas governantes de Lhassa, que não se conformam em saber que a sabedoria arcaica deixará o Tibete e emigrará para o longínquo Ocidente. Em tempos próximos, o verdadeiro Dalai renascerá nas terras de O FU SANG (América do Sul, ou quiçá Brasil). Afirmam nossas remotas profecias que isto acontecerá porque já mudou o ciclo da evolução. Então... o Tibete será dominado pelas Forças da Fênix Vermelha e a espiritualidade desaparecerá do Teto do Mundo!"
Seria realmente verdade o que dissera o Profeta? Seria realmente verdade que aquele jovem chinês que ali estava sentado no trono era apenas uma ilusão? Um falso Dalai? Quem poderia saber ao certo?
Meus pensamentos foram interrompidos por um monge que se aproximou trazendo uma pequena taça de madeira para cada um de nós. Pegamos as tacinhas e outro monge as encheu com chá amanteigado. Bebemos vagarosamente, enquanto aguardávamos ordem para deixarmos a sala. Afinal, um dos guardas gigantes, imponente na sua túnica cor de vinho, tocou um gongo e disse algumas palavras em tibetano.
- Já podemos ir - falou o lama Kazi. Levantamo-nos, fizemos uma reverência ao Dalai e ao Lama Regente e fomos saindo de costas, deixando devagarzinho o aposento.
A audiência tinha terminado.
Extraido de ENCONTRO ESPIRITUAL por ismael de almeida.
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Que o AMOR e a bênção dos Santos Seres
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A lente que olha para um mundo material vê uma realidade, enquanto a lente que olha através do coração vê uma cena totalmente diferente, ainda que elas estejam olhando para o mesmo mundo. A lente que vocês escolherem determinará como experienciarão a sua realidade.
Oração ao Criador
“Amado Criador, eu invoco a sua sagrada e divina luz para fluir em meu ser e através de todo o meu ser agora. Permita-me aceitar uma vibração mais elevada de sua energia, do que eu experienciei anteriormente; envolva-me com as suas verdadeiras qualidades do amor incondicional, da aceitação e do equilíbrio. Permita-me amar a minha alma e a mim mesmo incondicionalmente, aceitando a verdade que existe em meu interior e ao meu redor. Auxilie-me a alcançar a minha iluminação espiritual a partir de um espaço de paz e de equilíbrio, em todos os momentos, promovendo a clareza em meu coração, mente e realidade.
Encoraje-me através da minha conexão profunda e segura e da energia de fluxo eterno do amor incondicional, do equilíbrio e da aceitação, a amar, aceitar e valorizar todos os aspectos do Criador a minha volta, enquanto aceito a minha verdadeira jornada e missão na Terra.
Eu peço com intenções puras e verdadeiras que o amor incondicional, a aceitação e o equilíbrio do Criador, vibrem com poder na vibração da energia e na freqüência da Terra, de modo que estas qualidades sagradas possam se tornar as realidades de todos.
Eu peço que todas as energias e hábitos desnecessários, e falsas crenças em meu interior e ao meu redor, assim como na Terra e ao redor dela e de toda a humanidade, sejam agora permitidos a se dissolverem, guiados pela vontade do Criador. Permita que um amor que seja um poderoso curador e conforto para todos, penetre na Terra, na civilização e em meu ser agora. Grato e que assim seja.”
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