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ZEN -ZAZEN

 

E o que é a prática?

 

 

A prática é muito simples. Isso, entretanto, não significa que não irá transformar por completo nossa vida. Por ser tão simples, muitos não crêm nela, nem lhe dão valor. E até acreditam que já estão além do que ela pode trazer.

”Sentar” é fundamental. Nossa vida diária está em constante movimento: acontecem muitas coisas, muitas pessoas falam, muitos acontecimentos ocorrem. Em meio a tudo isso, é por demais difícil sentir o que somos na realidade. Quando simplificamos a situação, nos afastando do toque do telefone, da televisão, das pessoas que nos visitam, do cachorro que precisa passear, temos uma chance - que é, exatamente, a coisa mais importante que existe - de ficar frente a frente com nós mesmos. A meditação não está relacionada com algum objetivo e, sim, com o praticante. Não tem nada que ver com alguma atividade, ou com consertar ou conseguir algo. Refere-se a nós. Se não simplificamos a situação, a oportunidade de dar uma boa olhada em nós mesmos fica muito reduzida, porque aquilo que estamos vendo, o tempo todo, não somos nós e, sim, tudo o mais. Em geral, ficamos olhando para aqueles que, a nosso ver foram os responsáveis por alguma coisa. Ficamos o tempo todo olhando para fora, e não para nós.

Quando digo que a meditação diz respeito a quem a pratica, não estou dizendo que devemos ficar numa auto-análise sem fim. Não é isso que devemos fazer. Então o que fazer?

Depois de termos assumido nossa melhor postura (que deve ser equilibrada, cômoda, fácil), ficamos apenas “sentados” ali, e isso é praticar o zazen. O que significa “apenas sentados ali"? Essa é a mais exigente de todas as atividades. Por via de regra, na meditação, não fechamos os olhos. Neste momento, porém, peço-lhes que fechem os olhos e fiquem apenas sentados. O que está acontecendo? Toda espécie de coisas. Uma fisgada mínima no ombro esquerdo; uma pressão no lado... Percebam o rosto por um momento. Sintam-no. Estará tenso em algum lugar? Em torno da boca, na testa? Vamos descer um pouco mais. Observem o pescoço, somente sintam-no. Agora, os ombros, as costas, o peito, a região abdominal, os braços, as coxas. Continuem sentindo tudo que encontrarem. Agora sintam a respiração entrando e saindo. Não tentem controlá-la, apenas senti-la. Nossa primeira reação é tentar segurar a respiração. Deixe que aconteça naturalmente. No alto do peito, no meio, na barriga; pode parecer que estamos tensos. Apenas sintam como estão. Sintam tudo. Se um carro passa lá fora, ouçam-no. Se um avião passar, observem-no. Talvez ouçam o barulho cíclico do motor da geladeira. Que seja! É o que vocês têm de fazer, é exatamente só isso  que vocês têm de fazer: experimentar isso e apenas ficar com essa experiência. Agora podem abrir os olhos.

Se conseguirem ficar fazendo isso durante três- minutos, é um milagre. O normal é que, decorrido um minuto, começamos a pensar. Nosso interesse em apenas acompanhar/testemunhar a realidade da vida (que é o que acabamos de fazer) é muito reduzido. “Mas, zazen é só isso? Pois estou em busca da iluminação, e isso nada me diz" Nosso interesse pela realidade é extremamente pequeno. Não queremos pensar. Queremos nos afligir com todas as nossas preocupações. Queremos entender qual é o sentido da vida. Assim, antes de nos darmos conta, teremos esquecido por completo deste momento e teremos divagado em pensamentos sobre as coisas: o namorado, a namorada, o filho, o patrão, o medo permanente... e por aí afora! Nada há de vergonhoso nesse fantasiar, exceto que, quando estamos imersos nele, perdemos alguma outra coisa, que é muito importante. Quando estamos perdidos em nossos pensamentos, quando estamos sonhando, o que perdemos? A realidade. Nossa vida nos escapou.

Isso é o que os seres humanos fazem. Não fazemos isso só uma parte do tempo: fazemos a maior parte do tempo. Por quê? Claro que vocês sabem a resposta. Fazemos porque estamos tentando nos proteger. Estamos tentando nos livrar de nossas dificuldades atuais, ou pelo menos entendê-las. Não há nada de errado em nossos pensamentos centrados no ego, exceto que, quando nos identificamos com eles, nossa visão da realidade fica bloqueada. Assim, o que devemos fazer quando os pensamentos aparecem? Devemos rotulá-los; coloquem rótulos específicos: não só "pensamento, pensamento" ou "preocupação, preocupação", mas um rótulo específico. Por exemplo: "Estou pensando que ela é muito mandona"; "Estou pensando que ele é muito injusto comigo"; “Agora, veio um pensamento de que nunca faço as coisas certas". Sejam específicos. Se os pensamentos estiverem vindo em avalanche, numa velocidade tão grande que vocês não sintam mais nada senão confusão, então simplesmente rotulem essa confusão nebulosa de "estão vindo pensamentos de confusão". Mas se insistirem em rotular pensamentos isolados, cedo ou tarde, eles virão.

Quando praticamos dessa maneira, passamos a nos conhecer, a saber como nossa vida funciona, o que estamos fazendo com ela. Se percebemos que determinados pensamentos reaparecem centenas de vezes, ficamos sabendo a nosso respeito algo que antes não sabíamos. Talvez nosso pensamento incessante refira-se ao passado ou ao futuro. Algumas pessoas estão sempre pensando sobre acontecimentos, enquanto outras pensam em pessoas. Há quem pense sempre a respeito de si mesmo. Em algumas, os pensamentos são quase só julgamentos a respeito dos outros. Enquanto não os rotularmos, não nos conheceremos bem. Quando damos rótulos precisos e meticulosos o que acontece com eles? Eles começam a aquietar-se. Não é preciso que nos esforcemos para nos livrar deles. Quando eles se acalmam, podemos retornar à experiência do corpo e da respiração, muitas vezes seguidas. Não há como deixar de enfatizar que não devemos fazer isso apenas duas ou três vezes; fazemos dez mil vezes. Com isso, nossa vida se transforma. Essa é uma explicação teórica do “sentar”. E muito simples. Não há nada de complicado nela.

Consideremos, agora, uma situação comum da vida cotidiana. Suponhamos que você trabalha numa empresa do governo, e lhe contam que o contrato está terminando e é provável que seja demitido. Você pensa com seus botões: "Vou perder meu emprego. Vou ficar sem rendimentos e tenho uma família para sustentar. É terrível!". O que acontece então? Sua mente começa a remoer o problema sem parar. "O que acontecerá? O que faço?" A mente começa a ficar cada vez mais rápida na preocupação.

Claro que não há nada de errado em planejar com antecedência. Temos de planejar. Porém, quando ficamos aborrecidos, não é porque apenas planejamos, mas porque ficamos obcecados, como que hipnotizados, presos àquele pensamento. Viramos a situação ao avesso de todos os jeitos. Se não soubermos o que significa fazer uma prática com nossos pensamentos de preocupação, o que ocorre em seguida? Os pensamentos produzem emoções e ficamos mais agitados ainda. Toda agitação emocional é causada pela mente. Se permitirmos que isso aconteça durante um certo tempo, acabaremos ficando doentes ou mentalmente deprimidos. Se a mente não solucionar a situação com discernimento, o corpo se manifesta. Assim, produzimos nosso próximo resfriado, nossa alergia seguinte, nossa próxima úlcera. A mente que não está consciente de si produzirá enfermidades. Quando o desejo de nos preocupar é forte, criamos dificuldades mas, com uma prática regular, as dificuldades desaparecem. Tudo aquilo de que não formos conscientes frutificará em nossa vida, de um jeito ou de outro.

Do ponto de vista humano, as coisas que dão errado em nossa vida são de dois tipos: os fatos que acontecem fora de nós e os que acontecem dentro, como as doenças físicas. Nossa pratica deverá trabalhará com elas do mesmo modo. Rotulamos todos os pensamentos que surgem.

Falar disso parece fácil. Mas, fazê-lo é terrivelmente difícil. Não conheço ninguém que possa fazê-lo o tempo todo. Conheço algumas pessoas que conseguem uma boa parte do tempo. Mas, quando praticamos desta forma, tomando consciência de tudo que entra em nossa vida (interna e externa), ela começa a se transformar.  Nossa força e nosso discernimento se ampliam; às vezes, conseguimos viver mesmo num estado de iluminação, que significa experimentar a vida exatamente como ela é e não como pensamos que seja. Não é nenhum mistério.

Se você é novato na prática, é importante saber que ficar apenas sentado na almofada durante quinze minutos já é uma vitória. E ótimo ficar sentado, somente ficar ali.

Se tivéssemos medo de ficar na água e não soubéssemos nadar, a primeira vitória seria apenas entrar na água. O próximo passo poderia ser molhar o rosto. Isso significará que quem já nada é melhor do que o outro? Não. Ambos são perfeitos, cada qual em sua etapa do caminho. A prática, em qualquer estágio, é simplesmente ser quem somos a cada momento. Não é uma questão de sermos bons ou maus, melhores ou piores. As vezes, as pessoas comentam: "Não entendi nada disso". Isso também está perfeito. Nosso entendimento aumenta com o tempo, contudo, a qualquer momento, somos perfeitos em ser do jeito que somos.

Começamos a aprender que, na vida, só existe uma coisa em que podemos confiar. Qual é? Podemos dizer: "Confio em meu companheiro ou em meu marido, minha esposa; mas não podemos nunca confiar cegamente neles porque qualquer pessoa é sempre confiável até certo ponto. Não há uma pessoa na face da Terra em quem possamos confiar por completo, embora, sem dúvida, possamos amá-la e desfrutar sua companhia. Em que, então, podemos confiar? Se não é em uma pessoa, em quê? Em que podemos confiar na vida? Alguém me respondeu: "Em mim". Você pode confiar em si mesmo? A autoconfiança é uma boa coisa, porém é inevitavelmente limitada.

Existe uma coisa na vida em que sempre podemos confiar: na vida tal como ela é. Vamos falar em termos mais concretos. Imagine que existe uma coisa que eu quero muito: talvez casar com uma certa pessoa, ou fazer um curso de especialização, ou ter um filho saudável e feliz. No entanto, a vida como é pode me trazer exatamente o oposto do que desejo. Não sabemos se iremos ou não casar com aquele alguém. Quem sabe, se casarmos, aquela pessoa ideal morra amanhã. Pode ser que consigamos ser especialistas ou não. É provável que sim, mas não podemos nunca ter absoluta certeza. Não podemos contar com coisa alguma. A vida será sempre do jeito que é. Então, por que não conseguimos confiar nesse fato, nesse fato irretorquível? Porque isso é tão difícil? Por que estamos sempre preocupados? Suponha que sua casa tenha acabado de ser destruída por um terremoto e você está quase perdendo um braço e todas as suas economias. Será que dá para confiar na vida tal qual ela se apresenta a você neste momento? Você consegue ser assim? Veja que não há nada que se possa fazer!

No entanto, aí está o segredo da vida: confiar que as coisas são como são. Porém, não queremos saber de nada disso. Posso confiar totalmnente que, no ano que vem, ou amanhã, minha vida mudará, estará diferente, e, no entanto, será sempre do que jeito que vai ser, do jeito que é. Esperanças de que alguma coisa melhore, não passam de ilusão, suposição. Se eu tiver um ataque cardíaco amanhã, posso confiar que, porque eu o tive, eu o tive mesmo. Posso me apoiar na vida como ela é, em total confiança porque a vida é o que a vida é.

Quando fazemos um investimento pessoal em nossos pensamentos, criamos o "eu" com esperanças, ideais, e, então, nossa vida começa a não funcionar. Eis por que rotulamos os pensamentos, desfazendo o investimento. Depois de termos ficado sentados por tempo suficiente, podemos notar que nossos pensamentos são apenas fruto das sensações que nossos órgãos de relação com o mundo, os sentidos, no comunicam e que percebemos em cada momento. Podemos nos imaginar superando  os estágios anteriorers a este: primeiro sentimos que nossos pensamentos são reais, e a partir deles criamos as emoções autocentradas e, a partir destas, criamos os obstáculos que nos impedem de ver a vida como ela é, porque, se estamos contidos pelas emoções autocentradas, não conseguimos enxergar as pessoas, a vida e as situações com clareza. Um pensamento em si é só uma ilusão causada por sensações. Entretanto, temos medo de ver os pensamentos tais como são.

Quando rotulamos o pensamento, nos desapegamos da identificação com o ego. Há uma enorme diferença entre dizer: "Ela é impossível" e "Estou pensando que ela é impossível". Se persistirmos na prática de rotular qualquer pensamento, o revestimento emocional começa a se dissolver e ficamos, enfim, até mesmo livres dos apegos. Se, porém, acreditamos que nossos pensamentos são reais, nossa conduta se fundamentará neles e, se agirmos a partir deles, nossa vida ficará uma confusão. Mais uma vez, a prática é o trabalho com este processo até que o tenhamos impregnado em nossos ossos. A prática não se refere a entender com a mente. A prática tem de ser nossa carne, nossos ossos, nós mesmos. Claro que temos de ter pensamentos orientados para a vida, como seguir uma receita, consertar um equipamento, planejar as férias. Mas não necessitamos dessa atividade emocionalmente autocentrada a que chamamos pensar. Essa atividade não é de fato pensar; é uma aberração do pensar.

O zen refere-se a uma vida ativa. Quando conhecemos bem nossas mentes e as emoções que nossos pensamentos criam, temos a possibilidade de ver melhor o que é a nossa vida e o que precisa ser feito, em geral, com a próxima coisa que temos logo à frente. O Zen tem que ver com uma vida de ações, não com passividade. No entanto, as ações têm de estar baseadas na realidade. Se se baseiam em falsos sistemas de pensamento (fundamentados em nosso condicionamento), terão alicerces frágeis. Depois de compreendermos os sistemas de pensamento, seremos capazes de ver o que precisa ser feito.

O que estamos fazendo não é nossa reprogramação; estamos fazendo a libertação de todos os programas, notando que são vazios, sem realidade. A reprogramação é só saltar de um caldeirão de água quente para outro. Pode ser que tenhamos aquilo que pensamos ser uma melhor programação; mas o propósito do “sentar” é não ser conduzido por nenhum programa. Imaginemos que há o programa chamado "Não tenho autoconfiança". Suponhamos que decidimos reprogramá-lo para "Tenho autoconfiança". Nunca conseguiremos nos sair muito bem frente às pressões da vida, porque envolvem um "eu", que é pura ilusão. O "eu" é uma invenção frágil - aliás, irreal - e é enganado facilmente. Na realidade, nunca houve um "eu". O que importa é enxergar que ele é vazio, uma ilusão, o que é diferente de dissolvê-lo. Quando falo que é vazio, quero dizer que não tem uma realidade básica; é só uma criação de pensamentos autocentrados e um feixe de memórias.

Praticar o Zen não é fácil como falar sobre ele. Até mesmo os estudantes que têm um certo entendimento do que estão fazendo, às vezes, costumam se afastar da prática básica. Apesar disso, quando realizamos bem o “sentar”, tudo o mais cuidará de si mesmo. Por essa razão, se estamos praticando o “sentar” há anos, ou estamos apenas no começo, é importante “sentar” com rigoroso e meticuloso cuidado. 

Qual o sentido da prática do Zen? É despertar o homem para a sua essência intrínseca e verdadeira, e, além disso, para que tenha disposição de permanecer receptivo ao Ser no seu interior, a fim de manifestá-lo no mundo, livremente e sem medo.

A prática do Zen exige três tipos de conhecimento: 1) que é possível a Grande Experiência na qual o homem conhece sua verdadeira essência intrínseca, e a libertação de todos os sofrimentos; 2) conhecer a natureza daquilo que o separa, enquanto homem consciente, da sua essência intrínseca; 3) que o aprendizado o levará do erro à manifestação da sua verdadeira realidade.

 

O conhecimento de tudo o que bloqueia o caminho do despertar e da renovação é decisivo para toda prática que visa forjar um homem novo. E qual é esse obstáculo? O “eu” que define, com sua forma de consciência e seu sistema de vida, a partir dos quais o homem identificado com esse eu sente e pensa. Portanto, o objetivo central do Zen é abolir essa identificação, é derrubar o eu e a sua carapaça, essa pseudo-defesa, demolindo o seu sistema de vida.

 

A principio, todos os exercícios zen visam alcançar o mesmo objetivo: suprimir o ego e seus valores e, ao fazê-lo, puxar de sob os seus pés o chão fictício sobre o qual o homem se apoia, impedindo-o de alcançar os seus verdadeiros alicerces. É preciso derrubar os valores estabelecidos. Rejeitar aquilo a que se crê ter direito. Arrancar aquilo a que nos apegáramos. Ridicularizar aquilo que se pretendia. Desmascarar o que se pensava. Tornar absurdo aquilo que se julgava saber. E, para lográ-lo, o mestre zen lança mão de qualquer meio. Só se pode entender as afirmações e as ações, de outro modo incompreensíveis, do mestre, ao conhecer o elevado objetivo que justifica cada meio empregado. Tudo aquilo que é inconcebível e completamente inesperado para o eu - a resposta sem sentido, a agressão gratuita, o golpe bem dirigido, o choque, o bofetão no rosto, a pancada, a implicância, o riso debochado, o grito assustador -, aquilo que o eu tem de aceitar e suportar, aquilo que o derruba ao fazer cair por água abaixo tudo o que o sustenta, eleva ou abriga na ordem habitual, visa abrir esse eu à consciência de mundo. Pois é justamente nessa derrocada que o homem que busca poderá talvez ter um vislumbre da verdade que está por trás da ordem. Aí ele reconhece que os valores fixos e firmes, supostamente tidos como inabaláveis, que até então lhe pareciam a única verdade imaginável e que lhe davam uma posição estável, não eram senão a mera correlação objetiva da postura adotada pelo seu eu. E como esta sua postura do eu foi afirmada através de sua compreensão fixa, obstruiu aquilo que não era passível de ser determinado.

 

Porém, tudo isto supõe um pré-requisito: é preciso que aquele que busca esteja realmente disposto a encontrar; que esteja realmente disposto a aprender, ou seja, que ele também se prontifique a seguir o seu guia, portanto, que se disponha a sentir-se e a manter-se como aluno. Pois o que seria do mestre sem o discípulo? Mas quem pode se chamar de discípulo? Só aquele que foi arrebatado de suas bases pelo anseio, aquele cuja angústia o levou até o último limite e que sente que, se não romper essa derradeira barreira, morrerá.Só se pode chamar de discípulo aquele que foi aprisionado pela inquietude do coração, que não o largará mais até ser satisfeita.

 

Só se pode chamar de discípulo quem começou a trilhar o caminho disposto a deixar-se conduzir e a obedecer.

 

Só se pode chamar de discípulo quem é capaz de ter uma inabalável confiança, e quem é capaz de seguir mesmo sem entender, pronto a encarar qualquer desafio.

 

Só se pode chamar de discípulo quem é capaz de ser exigente consigo mesmo, quem está preparado para abandonar tudo pela Unidade (de si mesmo com o Todo) que o empurra na direção da luz.

 

Só se pode chamar de discípulo quem, cativado pelo incondicional, é capaz de se submeter a qualquer situação, e suportar os rigores da senda através da qual o mestre o guia.

 

TUDO OU NADA está escrito em letras maiúsculas sobre o portal da sala de exercícios freqüentada pelo discípulo. Este deixa tudo para trás, e só uma certeza o acompanha: de agora em diante, ele não irá mais se deparar com a arbitrariedade, mas com o olhar da sabedoria que, ao se concentrar na sua essência intrínseca, se vale de qualquer meio para trazê-la à tona, para reavivá-la, Pois o significado da morte que dele se espera não é a morte propriamente dita, mas a VIDA que transcende a vida e a morte. Não se trata da destruição da existência, mas se trata do SER que se irradia através da vida.

 

Às vezes as pessoas dizem que, sem um mestre, a meditação pode provocar confusão e desequilíbrio, mas nem sempre é possível encontrar um mestre. Mestres são raros, embora com freqüência seja possível encontrar mestres que ainda não realizaram totalmente o Caminho. Se você não puder estudar com um mestre realizado, a maneira mais inteligente de praticar é confiar basicamente no mestre que existe dentro de você.

                                                   

  Nada Especial

Depois do zazen não tenho vontade de falar. Sinto que a prática do zazen é o bastante. Mas já que tenho que falar, gostaria de discorrer sobre como é maravilhoso praticar zazen. Nosso único propósito é manter essa prática para sempre. Ela começou no tempo sem início e continuará pelo futuro sem fim. A rigor, para o ser humano, não há outra prática a não ser esta Não há outra maneira de viver a não ser esta. A prática do Zen é a expressão direta de nossa verdadeira natureza.

 

Claro, qualquer coisa que façamos é expressão de nossa natureza, mas sem essa prática é difícil aperceber-se disso. Ser ativo é próprio da natureza humana, assim como de todas as formas de existência. Enquanto vivos, estamos sempre fazendo alguma coisa. Mas tão logo você pense: "Estou fazendo isto' ou "tenho que fazer isso" ou "preciso conseguir aquilo", você, na verdade, não está fazendo nada. Quando você renuncia, quando não deseja mais coisa nenhuma, quando não tenta nada de especial, então você está fazendo alguma coisa. Quando não há nenhuma idéia de ganho naquilo que faz, então está fazendo algo. Em zazen. você não faz o que faz objetivando algo, isto é, para obter um resaultado. Você pode sentir-se como que fazendo algo especial mas, na verdade simplesmente está expressando sua verdadeira natureza; essa é a atividade que aplaca seu mais profundo desejo. Praticar zazen com algum objetivo não é verdadeira prática.

 

Se você continuar esta simples prática todos os dias, obterá um poder maravilhoso. Uma coisa maravilhosa antes de ser atingido, mas nada de especial uma vez obtido. É simplesmente você mesmo, nada especial. Como diz um poema chinês: "Eu fui e voltei. Não era nada especial. Rozan é famosa por suas montanhas; Sekko por suas águas".  

        Chuva nevoenta sobre o Monte Lu,

        E ondas encapeladas no rio Che.

        Se você ainda não esteve lá,

        Muitos pesares, por certo, terá;

        Mas, uma vez lá e no rumo de casa,

        Como parecem prosaicas todas as coisas!

        Chuva nevoenta sobre o Monte Lu,

        E ondas encapeladas no rio Che.           (Su Tung-Po)

     

        (Se você ainda não teve o percebimento, a iluminação, os sofrimentos da vida continuarão, como para todos que ainda não chegaram lá; mas, se teve o percebimento, não por efeitos de drogas ou outra razão, mas no ‘rumo de casa’, isto é, na intenção de encontrar Deus, como tudo, a partir daí, passa a ter significado profundo se comparado às coisas da vida comum. E, depois de iluminado, a mesma chuva, as mesmas ondas, todos os eventos serão os mesmos de sempre, porque o mundo não mudou, mas, para quem chegou, a interpretação do mundo e da vida se transforma radicalmente).

 

 As pessoas pensam que deve ser maravilhoso ver a famosa cadeia de montanhas abraçada pela bruma e a água que se diz cobrir toda a terra. Mas se você for lá verá apenas água e montanhas. Nada especial.

 

É intrigante o fato de que a iluminação seja uma coisa maravilhosa para aqueles que não têm experiência dela e, contudo, não seja nada para aqueles que a atingiram. E, no entanto, não é apenas nada. Você entende? Para uma mulher com filhos, ter filhos não é nada especial. Zazen é assim. Portanto, se você perseverar nessa prática, mais e mais você obterá alguma coisa - nada especial, porém alguma coisa. Você pode chamar essa coisa de "natureza universal' ou "natureza de Buda" ou "iluminação". Muitos nomes podem lhe ser conferidos, mas para a pessoa que a possui, é nada, e ao mesmo tempo, é algo, é tudo.

 

Quando expressamos nossa verdadeira natureza, nós somos seres humanos. Quando não, nós não sabemos o que somos. Não somos animais porque caminhamos sobre duas pernas. Somos diferentes dos animais, mas, o que somos? Podemos ser um fantasma. Não sabemos como denominar a nós mesmos. Tal criatura na verdade não existe. E uma ilusão. Ainda não somos humanos, contudo existimos. Quando o Zen não é Zen nada existe. O que estou falando não faz sentido para o intelecto mas, se você já experimentou a verdadeira prática, entenderá o que estou dizendo. Se alguma coisa existe, é porque ela possui sua verdadeira natureza, sua própria natureza búdica. Num dos sutras, o Buda diz: "Tudo tem natureza de Buda". Todavia, um mestre zen  interpretou isso da seguinte maneira: "Tudo é natureza de Buda". Aqui há uma diferença. Se você diz: "Tudo tem natureza de Buda', significa que a natureza búdica está em cada existência, portanto, natureza búdica e cada existência são diferentes. Mas quando você diz "tudo é natureza de Buda", significa que todas as coisas são a própria natureza de Buda. Quando não há natureza de Buda, nada existe. Qualquer coisa que não seja natureza búdica é apenas ilusão. Pode existir em sua mente, mas tal coisa de fato não existe.

 

Ser um ser humano portanto é ser um Buda. Natureza búdica é apenas outro nome para nossa verdadeira natureza humana. Assim, mesmo que você não faça nada, já está fazendo alguma coisa. Você está expressando a si próprio, está expressando sua verdadeira natureza. Seus olhos, sua voz, sua conduta a expressam. A coisa mais importante é expressar sua verdadeira natureza na forma mais simples e adequada e apreciá-la, mesmo na mais insignificante das existências.

 

Com a continuidade desta prática, semana após semana, ano após ano, sua experiência se tornará mais e mais profunda e abraçará todas as coisas que fizer em sua vida diária. O mais importante é deixar de lado toda e qualquer idéia de ganho, toda e qualquer idéia dualista. Em outras palavras, pratique zazen somente na postura correta. Não pense nada; não deseje nada. Apenas permaneça sentado na sua almofada, sem expectativa alguma. Então você, finalmente, reassumirá sua verdadeira natureza. Ou seja, sua própria natureza se reassumirá.

 

 

 

 

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Co-criando A NOVA TERRA

«Que os Santos Seres, cujos discípulos aspiramos ser, nos mostrem a luz que
buscamos e nos dêem a poderosa ajuda
de sua Compaixão e Sabedoria. Existe
um AMOR que transcende a toda compreensão e que mora nos corações
daqueles que vivem no Eterno. Há um
Poder que remove todas as coisas. É Ele que vive e se move em quem o Eu é Uno.
Que esse AMOR esteja conosco e que esse
PODER nos eleve até chegar onde o
Iniciador Único é invocado, até ver o Fulgor de Sua Estrela.
Que o AMOR e a bênção dos Santos Seres
se difunda nos mundos.
PAZ e AMOR a todos os Seres»

A lente que olha para um mundo material vê uma realidade, enquanto a lente que olha através do coração vê uma cena totalmente diferente, ainda que elas estejam olhando para o mesmo mundo. A lente que vocês escolherem determinará como experienciarão a sua realidade.

Oração ao Criador

“Amado Criador, eu invoco a sua sagrada e divina luz para fluir em meu ser e através de todo o meu ser agora. Permita-me aceitar uma vibração mais elevada de sua energia, do que eu experienciei anteriormente; envolva-me com as suas verdadeiras qualidades do amor incondicional, da aceitação e do equilíbrio. Permita-me amar a minha alma e a mim mesmo incondicionalmente, aceitando a verdade que existe em meu interior e ao meu redor. Auxilie-me a alcançar a minha iluminação espiritual a partir de um espaço de paz e de equilíbrio, em todos os momentos, promovendo a clareza em meu coração, mente e realidade.
Encoraje-me através da minha conexão profunda e segura e da energia de fluxo eterno do amor incondicional, do equilíbrio e da aceitação, a amar, aceitar e valorizar  todos os aspectos do Criador a minha volta, enquanto aceito a minha verdadeira jornada e missão na Terra.
Eu peço com intenções puras e verdadeiras que o amor incondicional, a aceitação e o equilíbrio do Criador, vibrem com poder na vibração da energia e na freqüência da Terra, de modo que estas qualidades sagradas possam se tornar as realidades de todos.
Eu peço que todas as energias e hábitos desnecessários, e falsas crenças em meu interior e ao meu redor, assim como na Terra e ao redor dela e de toda a humanidade, sejam agora permitidos a se dissolverem, guiados pela vontade do Criador. Permita que um amor que seja um poderoso curador e conforto para todos, penetre na Terra, na civilização e em meu ser agora. Grato e que assim seja.”

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